quarta-feira, 22 de julho de 2015

Capítulo 3 - Perguntas da mamãe

Capítulo 3
Perguntas da Mamãe
- Blair Montello


- Prazer - ele disse apertando a minha mão com uma careta de desconfiança que me dizia “Sério que você está apertando a mão da pessoa que invadiu sua casa?”.
Ele apertou minha mão de leve, mas a única coisa que eu pensei foi que a mão dele é maior que a minha. Sempre achei minha mão grande, ainda acho, mas por que minha mão é só um centímetro menor que a do meu pai e comparada à mão desse garoto a minha mão é uma formiga, não tanto assim, mas vou continuar fingindo que ela é enorme.
Larguei a mão dele.
- Tá agora rala da minha casa, tipo agora! - disse na cara dura.
- Ok, mas por que se apresentou, há alguns segundos atrás eu era um idiota e imbecil - ele disse com uma cara de curiosidade, ele parecia estar analisando cada expressão do meu rosto, o que me fez ficar meio nervosa. Quando ele chegou aos meus olhos ele finalmente reparou que eu estava fazendo o mesmo, o analisando. Ele parou e começou a me encarar.
Garoto estranho!
- Er... bem, você insinuou que o Jake é um idiota e imbecil, tirando eu e meus amigos, você é a primeira pessoa a fazer isso. Então você merece algum crédito - falei dando de ombros.
- Por isso? - ele perguntou confuso - Mas ele deve ser mesmo, e me desculpe por invadir a sua casa, sério mesmo, isso foi uma coisa muito ridícula da minha parte.
- V-você está me pedindo desculpas? - perguntei chocada, isso já aconteceu raras vezes- para ser mais exata apenas duas vezes -, mas ninguém nunca pediu desculpas de primeira.
- Estou, por quê? - ele perguntou com um cara de “ninguém nunca pediu desculpas para você não?”, deu vontade de responder aquela cara com um grande NÃO, mas me controlei.
- Nunca aconteceu isso. – falei mais calma do que meu pensamento - As pessoas sempre invadem minha casa e ganham um roxo de presente e aí viram meus inimigos junto com o Jake.
- E por que o Jake faz isso? - ele perguntou
E depois de alguns minutos eu percebi que estava contando tudo que havia acontecido em San Francisco para ele, até que não foi ruim quanto eu imaginei contar tudo para ele, o máximo que poderia acontecer era eu ganhar um novo inimigo. Um a mais, um a menos...
Ele fez uma careta engraçada de o quão ridículo aquela história era e de como ele compreendia o ‘idiota e imbecil’ que eu usava para apelidar Jake.
- Que babaca, na moral, essa historinha de lápis é ridícula! – ele disse ainda com a careta em sua face.
Soltei uma gargalhada, o garoto realmente deu uma leve explodida.
- Bem, você realmente é engraçado. - disse ainda secando as lágrimas que caiam dos meus olhos de tanta força que eu fazia para parar de rir - Agora que você sabe os lados negativos da minha história de vida você poderia sair da minha casa?
- Ah tá, claro que posso - ele me respondeu.
Fomos para o andar de baixo, eu ainda estava com o meu taco de beisebol na mão e estava atrás dele. Quando chegamos à porta ele abriu, se virou e falou:
- Desculpa mesmo, tá?!
- Tudo bem, relaxa – o acalmei - Mas você vai continuar sendo amigo dele? - perguntei, por que eu fiz isso? O PORQUÊ EU NÃO SEI!
- Não! - ele respondeu com convicção – Eu já não era amigo, agora muito menos.
- Então espera bem aí – ordenei e fui correndo até meu quarto e peguei um lápis rosa com um macramê avermelhado que estava perto do meu notebook e voltei para o andar de baixo.
- Aqui - o entreguei o lápis -, ele vai ficar com uma cara de imbecil supremo quando te ver com um lápis inexistente – eu ri - Vai ser hilário, e se conseguir, por favor, tira uma foto.
- Ok - ele disse com uma risadinha meio que maligna, ele já estava do lado de fora, eu estava quase fechando a porta, quando ele vira e fala - E a propósito meu nome é Max Jerson.
- Montello – respondi dando um sorriso - Blair Montello.



- Max Jerson


Ela deu um sorriso e fechou a porta, e que sorriso encantador. Mas agora tudo que eu queria era dar um soco naquele imbecil. Eu iria me controlar apenas pelo fato de não poder me meter em brigas na minha segunda semana nessa cidade.
Quando andei uns dois quarteirões eu vi um Aston Martin DBS Volante prateado estacionado, e encostados nele estavam Jake, uma garota baixinha ao seu lado, mas que se parecia bastante com ele, ela me olhava com uma cara de assustada e ao mesmo tempo decepcionada. Provavelmente era sua irmã mais nova que eu ainda não havia conhecido. Só queria saber qual a razão dela me olhar com aquela cara de decepção.
Havia mais algumas pessoas que eu não conhecia e nem nunca tinha visto na minha vida.
- E aí, Max, como foi? - ele me perguntou com um sorrisinho no rosto - Ela estava em casa, né? Está com roxo em que parte do corpo? – ele perguntou dando risada.
- Não tenho nenhum roxo e esse é o lápis que você tanto queria recuperar? - perguntei mostrando o lápis, todos se surpreenderam e a garota, que devia ser a irmã de Jake, deu um sorriso quase que imperceptível.
- N-n-não pode ser? – Jake gaguejou.
- Para de gaguejar, imbecil – mandei jogando o lápis em cima dele.
- Então você está do lado dela? –ele perguntou me encarando.
- Se não for o seu lado, eu estou bem satisfeito - respondi, abri espaço no meio das pessoas presentes e fui para minha casa que se localizava ficava a duas ruas dali.
Chegando a casa eu gritei um simples:
- CHEGUEI - só pra dar um aviso.
Minha casa não era tão diferente da Blair, claro que não era tão grande e nem luxuosa, mas era uma casa. As escadas ficavam a direita e a entrada para cozinha era à esquerda e a direita do lado da escada a sala que era bem menor do que a da Blair.
Ok, nossas casas eram bem diferentes!
No segundo andar havia apenas dois quartos o meu e do meu irmão, que é dois anos mais novo, e o quarto da minha mãe, apenas da minha mãe. Meu pai morreu em um assalto no trabalho há cinco anos. Ele trabalhava em um banco, recebemos uma pensão que nos garante uma vida muito boa, porém minha mãe insiste em trabalhar e eu como sou teimoso igualzinho a ela trabalho nas férias. Mudamo-nos para San Diego por que faz três anos que uma empresa de cosméticos se firmou nessa localidade e como ficou famosa ela aumentou e precisa de mais funcionários a cada dia, como minha mãe é formada em farmácia conseguiu um bom cargo nessa empresa. Quando eu gritei minha mãe se levantou do sofá, desligou a tevê e veio até a porta e me recebeu com um abraço.
- O que fez hoje? - perguntou e saiu em direção a cozinha, eu a segui.
- Coisas doentias – respondi tirando minha jaqueta.
- Bebeu? - minha mãe perguntou, sempre tão delicada com as palavras.
- Não.
- Fumou?
- Não.
- Roubou alguém?
- Não.
- Roubou algum lugar?
- Não - falei soltando um risinho.
- Usou drogas?
- Não.
- Fez algo com alguma garota?- dessa vez ela perguntou segurando uma frigideira. Tive que soltar uma gargalhada.
- Não - respondi ainda rindo.
- Acho bom, me deixe ver...Estou esquecendo de algo! Ah sim, matou alguém?
- Não.
- Invadiu a casa de alguém?
- Sim.
- Machucou alguém lá?
- Não.
- Então o que você foi arranjar lá? - contei tudo para ela, que eu conheci Jake, o filho do nosso vizinho, que ele me convenceu a fazer uma coisa burrada e que eu conheci uma garota e todo o resto. Enquanto isso ela colocou nossa janta, por que já eram 19 horas e eu estava morto de fome.
- Que dia você teve, hein!
- Né! – concordei.
- Espera aí - ela colocou a panelas dentro da geladeira e a fechou com força - Qual é mesmo o nome dessa menina?
- Blair Montello – respondi confuso.
- Ao meu Deus, Max ela é filha do dono da empresa que estou trabalhando.
- Uau – exclamei - Como eu me ferrei.
- E como, garoto! É agora que eu perco meu emprego.
- Calma, mãe, amanhã eu vou a casa dela e converso com ela, Blair parece ser bem simpática e com certeza vai entender.
- Você acha? - perguntou ela meio duvidosa enquanto mordia a ponta de sua unha.
- Tenho certeza - a abracei – Relaxa.
- Ok. Então vamos jantar – ela se afastou e sorriu ainda preocupada - Vá chamar seu irmão.
- Ele está no quarto?
- Sim – ela respondeu enquanto eu já estava na direção da escada.
Subi os degraus pensando que porcaria de mundo pequeno nós vivemos!
Entrei no quarto e lá estava meu irmão, Dan, deitado em sua cama olhando para o teto.
- Caramba, nunca imaginei que um teto fosse tão seduzênte para você ficar o admirando o dia inteiro – falei enquanto me sentando em uma cadeira entre nossas camas, a que ficava de frente para o computador.
- Pô, cara, tu nem imagina! Estou tentando seduzir, aquela mancha ali - ele apontou para o teto em direção a uma mancha que parecia o formato de um celular, mas não os celulares novos e sim aqueles antigos com antena -, o dia todo, mas ela é uma mancha muito durona.
Começamos a rir.
- Vamos logo que a minha mãe já servi os pratos - falei me levantando e indo para a porta do quarto.
- Ela também é minha mãe, doente - ele me respondeu se levantando.
- Dan, eu tenho que te contar uma coisa muito séria - eu disse me virando para ele.
- O que é, Max? - ele me perguntou, mas ele já sabia o que eu iria responder.
- Você é adotado - eu disse e sai correndo e ele foi atrás de mim.
Ele odiava que eu falasse isso, pois eu, minha mãe e meu pai temos olhos azuis e cabelos totalmente negros, porém o Dan tinha olhos castanhos e cabelos negros. Mas aquilo era herança da minha avó, que tinha olhos castanhos sinistros. Sério, era bem sinistro! Mas Dan odiava essa falta de semelhança a nós.
Só que esses olhos castanhos eram o que nos diferenciava, pois mesmo eu sendo dois anos mais velho, ele já tinha 1,83 de altura, igual a mim, e era idêntico a mim fisicamente.
Saímos correndo do quarto, eu fui para cozinha enquanto ele me seguia.
- SENTEM AGORA OU NINGUÉM VAI COMER NADA – minha mãe gritou de um modo muito ameaçador, ficar sem comida é pecado.
- Sim, senhora - respondemos juntos e nos sentando.
Ficamos conversando durante a janta, quando estávamos juntos nunca havia silêncio, contei também que consegui um emprego durante o final das férias e durante alguns dias de aula em uma pizzaria, como entregador.
- Eu vou estudar durante o restante das férias - disse meu irmão.
- Você está com as notas boas, meu filho - disse minha mãe.
- Eu sei, mas vai que a escola aqui esta mais adiantada, não quero ficar precisando de pontos.
- Maneiro, cara - eu disse sorrindo para ele.
- Valeu, mas e você, não está preocupado?
- E desde quando eu fico preocupado com algo?! – falei entre risos.
- É verdade - Dan e minha mãe falaram juntos.

Começamos a rir, depois da janta tomei um banho e fui dormir e quando fechei os olhos à primeira imagem que me veio foi do sorriso daquela menina não tão estranha assim.

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