quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Capítulo 6 - Com amor: Macarrão hiperventilante

Capítulo 6
Com amor: Macarrão hiperventilante
- Blair Montello


Acordei bem cedo e decidi fazer uma coisa que não fazia desde que meus pais iniciaram a sua viagem, sair de casa.
Comi um pão que havia sobrado do dia seguinte, tomei um banho rápido e coloquei uma calça jeans, uma blusa dos cavaleiros dos zodíacos preta com o Iki na frente - essa blusa era bem antiga – e coloquei meu All Star verde escuro. Peguei minha carteira e minha bolsa de lado e sai.
E como era estranho sair de casa eu decidi ir até o mercado comprar comida para o almoço. Devo ter andado por uns quarenta minutos, mas não me cansei, porém me arrependi por ter esquecido os fones. Mexi na bolsa novamente antes de entrar no mercado e encontrei um fone antigo.
- GRAÇAS A DEUS, SENHOR! - só percebi que havia gritado quando todos começaram a me olhar, coloquei meu fone e coloquei na minha playlist chamada ''Emergência, tô no mercado sozinha''. E a primeira musica era The Game of Love com a guitarra do digníssimo Santana. Peguei meu carrinho e fui em direção ao setor de massas, eu queria almoçar macarrão.
Chegando lá me abaixei próximo a uma das prateleiras para procurar a marca que eu gostava, até que alguém me cutucou no ombro. Eu levantei o olhar e pensei:
- É o lindão!
- O que?
- Droga, falei em voz alta - murmurei já tirando os fones que tocam a música bem alta.
Olhei para ele encarando seus olhos, me levantei e cheguei um pouco mais próxima dele e ele um pouco mais para longe dando um passo para trás.
- Não é ele - disse -, mesmo sendo parecidos não é ele, seus olhos são mais bonitos.
- Bem, er...Eu só ia perguntar onde fica...Espera, você disse que meus olhos são bonitos?
- Sim - eu não sei por que, mas eu estava falando naturalmente com um estranho.
- Valeu mesmo - ele disse passando a mão na nuca parecendo estar envergonhado - Mas é sério?
- Sim, seus olhos são de um castanho profundo muito bonito, são lindos.
- Valeu! Sério, quase nin...
- Cara, achei os molhos - o final da frase ele falou bem devagar me olhando. Aquele era o lindão, mas os dois eram tão parecidos, será que eram irmãos gêmeos? – Oi, Blair! – ele me cumprimentou.
- Olá! – acenei.
- Você então conheceu meu irmão? – ele perguntou se aproximando.
- Vocês se conhecem? - perguntou o garoto lindo número 2.
- Ele invadiu minha casa - eu respondi com a maior naturalidade do mundo, bem que estava se tornando natural a invasão em minha casa e os roxos nas pessoas também.
- Ah, então foi ela? - O irmão do garoto lindo numero 1 falou e ele também era lindo, por que será, né? OS DOIS SÃO IDÊNTICOS!
- Sim, foi ela - respondeu o garoto lindo número 1 me tirando do transe de beleza.
- Então prazer, meu nome é Dan, irmão mais novo do Max - disse ele me oferecendo a mão.
- Prazer, Blair - apertei a mão dele e a mesma coisa eu pensei quando apertei a mão do irmão dele, a mão dele é GRANDE.
- Meninos, eu já peguei tudo - apareceu outra pessoa no corredor com um carrinho de compras, era uma mulher de cabelos negros como o dos garotos, lisos até os ombros, ela parecia ter a idade da minha mãe - se eu pensar ela me mata -, uma cara jovem - como minha mãe também -, não aparentando velhice. Vestia uma bermuda até abaixo dos joelhos com uma blusa verde bem bonita, era magra e era mais baixa que eu, sendo que eu tenho 1,78 de altura.
- Oi, mãe – nossa, já sei da onde eles puxaram tanta beleza -, eu estava conhecendo a Blair.
O Max continuava me olhando - tenho que os chamar pelo nome se não vai escapar ai eu vou falar em voz alta lindão número um e lindão número dois - enquanto o Dan conversava com a mãe dele. Até que a mãe deles veio até mim, obrigada senhora dona mãe! Mas mesmo assim a criatura não parou de me olhar, senhora dona mãe não ajudou em nada.
- Olá, querida, sou Sarah - se apresentou já apertando minha mão com um sorriso no rosto - Mãe do Max e do Dan.
- Prazer, Blair – falei retribuindo o sorriso – Licença, mas eu poderia fazer uma pergunta?
- Claro.
- Eles são gêmeos ou o Dan é mais novo mesmo?
Ela deu um risinho e respondeu:
- Sim, o Dan é mais novo.
- Que sinistro! – coloquei minha mão tampando a boca - Eles são idênticos – tirei a mão da boca -, exceto pelos olhos, os do Dan são mais bonitos.
- Toma essa, Max – comemorou Dan enquanto dona Sarah deu um risinho.
- Como assim? - perguntou Max - Não acha os meus olhos bonitos?
- Acho sim - respondi até muito calma, que bom, não estava me sentindo mais tão nervosa -, mas olhos castanhos escuros são mais bonitos e os do Dan são mais bonitos que os seus.
- Valeu, Blair! - agradeceu Dan me abraçando pelos ombros - Eu estou sentindo que seremos grandes amigos.
- Er... claro - falei meio sem graça.
- Tive uma ideia - exclamou a dona Sarah -, que tal, como um pedido de desculpas adequado pelo que o meu lindo filho fez - apontou para o Max -, você vem almoçar conosco.
- Não, imagina, não precisa! - falei rapidamente - Não quero incomodar, sério mesmo!
- Não vai incomodar nada, não é, meninos? – perguntou.
- Que nada - falou Dan com um sorriso, e ele ainda estava com o braço ao redor dos meus ombros, o que não estava me incomodando nem um pouco, senti que realmente seriamos bons amigos, senti a mesma coisa que senti quando o Carter me deu um abraço pela primeira vez, posso contar com ele quando eu precisar. Mas o Max ainda não tinha respondido, ainda estava olhando para mim com o molho de tomate na mão. Explode molho!
- E você, Max? - perguntou sua mãe, reparando que eu o estava o encarando e ele a mim. Não desvio o olhar nem a pau, esta me encarando vou encarar também.
- Nenhum problema - ele respondeu com calma e ainda me encarando.
Que saco, o garoto não desvia o olhar igual a mim.
- Bem, então vamos indo - falou dona Sarah alegremente - Ainda vai comprar alguma coisa, querida? - me perguntou.
- Na verdade eu estava comprando macarrão para o meu almoço – falei.
- Olha que ótimo, vamos preparar macarrão mesmo - ela falou mostrando um sorriso maior que o anterior – Então, vamos!
- Ok - falou os irmãos lindões, tenho que parar de chamar eles assim, para mente, AGORA.
- Tá - falei ainda meio envergonhada.
Dirigimo-nos para o caixa, eles pagaram e fomos para o carro, a dona Sarah foi dirigindo e Max no banco do passageiro, graças a Deus, por que demorou a nossa briga particular de olhares parasse e eu estava sentindo que se ele sentasse perto de mim a batalha ressurgiria das cinzas iria recomeçar. Sentei no banco de trás com o Dan.
- Então querida, onde você estuda? - perguntou dona Sarah.
- Na High School Diego Delta – respondi.
- É a mesma escola que eu e o Max começaremos a estudar - falou Dan.
- Você esta em que ano? - perguntei me virando para ele.
- No primeiro, tenho dezesseis anos.
- Bom, se você der sorte cairá na mesma turma que a irmã do idiota e imbecil do Jake. - me virei para a mãe deles – Perdão, falei demais.
- Que nada, querida, pelo que Max me contou esse Jake não é boa pessoa mesmo.
- Para mim, pelo menos, nunca foi.
- Por que seria bom ter a irmã desse babaca como amiga? - perguntou Max, era a primeira vez que ele falava desde que entramos no carro.
- A família de Jake é demais, eu era vizinha deles em São Francisco, mesmo ele sendo todas as palavras ruins do mundo a família dele não é! – respondi – E sua irmã Sofia é um doce, ela é muito gentil e inteligente de mais para acompanhar os pensamentos de Jake. - me virei para Dan novamente - Se você virar amigo dela pode ter certeza ela vai te ajudar no que for preciso.
- Vocês então são bem amigas, não é?! - sugeriu Dan.
- Na verdade não - falei meio desapontada - Graças ao Jake ela não consegue falar comigo direito, ela é chantageada com algo que eu não faço a mínima ideia do que seja.
- Sinto muito - ele me disse abaixando a cabeça para olhar em meus olhos. Dei um sorriso leve e levantei a cabeça.
- Tudo bem, eu sei que se Jake não existisse seriamos grandes amigas e saber que mais uma pessoa não me chama de ''A Estranha'' pela frente e nem por trás já me deixa feliz.
- Nossa, querida, eu sinto muito por isso, essas pessoas são muito idiotas - dona Sarah falou meio irritada - Seus pais sabem disso?
- Sabem, meu pai quis chamar a polícia quando os boatos sobre mim começaram, mas eu o convenci a não fazer isso, por que nunca me importei com o que as pessoas pensam sobre mim e também é melhor ter poucos amigos, mas que sejam verdadeiro - falei com felicidade.
- Entendo - disse dona Sarah começando a dar um sorriso.
- E não se preocupe, eu não te acho estranha, ainda mais por que gostei muito da sua blusa - disse Dan dando um sorriso, o mais confuso foi que não achei o sorriso dele tão bonito quanto o do Max. Retribui o sorriso mesmo assim.
- Obrigada – falei.
- Chegamos - avisou Max.
Saímos do carro, Dan e Max pegaram as sacolas no porta-malas do carro e entraram para casa e eu os segui, a casa era pequena, mas aconchegante. Não me liguei muito em reparar em qualquer detalhe, me sinto meio constrangida ao ficar observando o lar de alguém.
- Sente-se, querida, enquanto eu e os meninos preparamos o almoço - falou dona Sarah.
- Dona Sarah, com toda a educação, mas só vou comer se a senhora me deixar ajudar, nem pensar que vou ficar sentada vendo vocês trabalharem - falei já tirando minha bolsa e colocando ela na cadeira da mesa da cozinha.
- De jeito nenhum que eu vou deixar você cozinhar sendo minha visita – ela recusou.
- Então eu não como nada, Dona Sarah - falei cruzando os braços.
- Bem, ok então, se não você vai terminar não comendo.
- Que ótimo, então já vou pedindo desculpas se fizer algo de errado - falei dando um pequeno sorriso.
Começamos a preparar as comilanças, eu fiquei com a parte de preparar o macarrão, o Max ficou com a carne, Dan com o feijão e a Dona Sarah com a sobremesa o que me deixou babando.
Fiz o macarrão e depois o molho que aprendi com a minha mãe. Já tinha feito várias vezes comida junto com a minha mãe para minha família e amigos, mas fiquei meio nervosa. Não era para minha família e nem para amigos muito chegados era para pessoas que tinha acabado de conhecer, fiquei meio receosa. Eles eram super gente boa, fiquei conversando com a dona Sarah sobre várias coisas, ela explicou como e o trabalho dela e até que e interessante. Também conversei com Dan ele era super maneiro, ficamos conversando sobre escola, e também descobri que ele tinha acabado de fazer 16 anos, no mês anterior dei parabéns atrasado a ele. O único que não tinha falado uma só palavra era o Max, devia estar e muito concentrada fazendo a carne que estava com um cheiro ótimo.
Quando acabamos tudo e já estávamos arrumando a mesa meu telefone começou a tocar.
Fui até minha bolsa e era o Carter ao celular.
- Licença, mas tenho que atender. - avisei
- Claro, querida, vá em frente. - dona Sarah disse com um sorriso.
Sai da cozinha e fui em direção à porta, mas quando eu falo no telefone, principalmente com meus amigos, fico um pouco empolgada de mais e falo muito alto, apesar disso eu não me preocupei muito.
E também a porta não era distante da cozinha, então provavelmente eles ouviriam tudo de qualquer jeito.
- Arô.
- ONDE VOCÊ ESTÁ, GAROTA? NÃO NOS TELEFONOU O DIA TODO! - gritou Carter junto de Amélia.
- Ai meu ouvido, seus doidos! Calma, me deixa explicar, é que...
- É MELHOR MESMO VOCÊ TER UMA BOA EXPLICAÇÃO SUA LOUCA! EU TELEFONEI PARA SUA CASA E VOCÊ NÃO ATENDIA, FUI À SUA CASA E NÃO TINHA NINGUÉM E VOCÊ NÃO NOS TELEFONOU HOJE, VOCÊ FICOU DOENTE OU O QUÊ? – gritou Amélia.
- Calma, eu ia telefonar para vocês, ia convida-los para almoçar, fui até ao mercado comprar as coisas, mas eu encontrei o Max, o irmão dele e sua mãe.
- Aquele garoto que é educado e arromba casas? - perguntou Amélia.
- Sim - agradeci a mim mesma por deixar o volume bem baixo do celular, assim ninguém ouvia o que eu ouvia -, a mãe dele me convidou para almoçar e eu aceitei. Foi só isso.
- Você está na casa dele? - perguntou Carter.
- Sim, por quê?
- Ele tentou fazer algo com você?
- Se tivesse tentado já estaria no hospital há algumas horas e a mãe dele tá aqui.
- Blair, faça o juramento. – Carter exigiu.
- Mas por...
- Blair, faça agora! – eles mandaram me interrompendo.
- Por quê? Vocês sabem que eu não sou assim!
- Mas quando eu e Carter começamos a namorar você fez nós falarmos o juramento em voz alta para você, enquanto estávamos morrendo de vergonha! - falou Amélia.
- MAS EU NÃO ESTOU NAMORANDO - gritei, e por causa da vergonha não tive coragem nem de olhar para trás pra saber a cara que os moradores da casa fizeram.
- BLAIR, AGORA - gritaram juntos.
- Ok, eu juro solenemente a vocês que não irei beijar ninguém antes do namoro oficial, juro que irei fazer ‘aquilo’ depois do casamento e que se alguém, qualquer um, tentar alguma gracinha comigo se não souber bater como EU, a Blair, irei chamar o Carte para me salvar. Satisfeitos?
- Muito!
- Ok, vou desligar seus bestas, beijos.
- Beijos, e avise quando chegar a sua casa - exclamou Amélia.
- E qualquer coisa me liga para ir te buscar - falou Carter.
- Pode deixar, obrigada.
Desliguei o celular me virando para a cozinha e todos os três estavam olhando para mim, eu abaixei a cabeça envergonhada indo em direção a minha bolsa, guardei meu celular na bolsa, me sente na cadeira e coloquei a bolsa no chão.
- Então - disse a dona Sarah quebrando o silêncio -, vamos comer?
- Sim - fui a primeira a responder, com a maior vergonha, pois os três ainda estavam me observando.
- Venham fazer seus pratos - disse dona Sarah se dirigindo ao fogão.
Dan se levantou e começou a colocar seu prato junto com dona Sarah, menos Max que continuou encostado na pia me encarando.
- Você não tem namorado? - Max me perguntou.
- Max! - exclamou dona Sarah o repreendendo.
- Tudo bem - falei com as mãos apaziguando-a – Não, eu não tenho. E meus amigos ficaram preocupados comigo e me fizeram falar o meu juramento, sabe, não que eles suspeitem de você, de modo algum! - acrescentei rapidamente - É que eu sai de casa sem avisa-los, e por causa desses boatos e por que quase todos os adolescentes da cidade me odeiam eles tem medo que aconteça algo.
- Entendo - disse Max - Pode avisar para eles que não te odeio e que eles podem contar comigo se for para dar uma boa surra em alguém, principalmente no Jake. Por que ele sim me deu alguns motivos para apanhar de mim.
- Filho – Dona Sarah chamou sua atenção novamente, porém mais calma dessa vez.
Dei um sorriso.
- Obrigada, é engraçado, você acreditou de cara em mim, se fosse outra pessoa tenho certeza que não acreditaria de primeira, nem Carter acreditou de primeiríssima.
- Você parece ter dito a verdade.
- E é a verdade – afirmei.
- É melhor colocarem seus pratos se não eu deixarei vocês para trás e comerei suas sobremesas – Dan deixou claro sua fome já com o prato pronto indo em direção a mesa.
Levantei-me e fui lavar as mãos, Max passou por mim e pegando um prato e começando a colocar sua comida. Logo peguei também e coloquei, quando sentei a mesa Dan me olhou e depois se virou para o meu prato erguendo uma sobrancelha.
- O que foi? - perguntei curiosa. Max estava se sentando neste momento, a mesa era redonda então a ordem ficou eu, Max à minha direita, Dan à esquerda e dona Sarah a minha frente. E reparei que a mesa tinha molho rosê, que amo, salada e maionese. Não sei como dona Sarah fez isso, nem em que horário, mas não reclamei.
- Você é do tipo de garota que come muito e é magra, né?!
- Você me acha magra? - perguntei com um olhar bem feliz. Eu não tenho problemas em ser um pouco gordinha, sério, nunca tive problemas com meu corpo. Mas sempre é bom receber um elogio.
- Claro, por que não seria?
- Eu sou, sabe, gordinha, não dá pra perceber muito por causa da altura, mas eu sou gordinha e pesada - ri.
- Não vejo nada disso em você - falou Max preparando uma garfada.
- Obrigada - dei um sorriso imenso, eu fiquei mais que feliz com esses comentários, garotos que eu acabei de conhecer me chamaram de magra, e eles são lindos. Ponto para meu dia.
- Então vamos à guerra - dona Sarah falou.
Quando eu ia começar a comer.
- Esse macarrão está muito bom - falou Max admirando o prato - Muito bom mesmo.
- Obrigada – agradeci.
Comecei a comer e estava tudo um conjunto perfeito, o macarrão, o feijão e a carne. Junto com o molho da Dona Sarah estava tudo perfeito. Grande apreciadora de comida aqui.
- Nossa, a comida esta ótima. A carne, o feijão e o molho, está tudo perfeito – falei.
- Tá sim, mas, sério, seu macarrão é magnifico - exclamou Dan.
- É sim, qual é o seu segredo? – perguntou dona Sarah.
- Nada demais, é um molho bem normal – respondi dando de ombros.
- Não é possível, meu molho não fica assim e você usou todos os ingredientes que eu uso. Como assim? Que segredo é esse?
Dei um pequeno sorriso.
- Minha mãe sempre diz que o ingrediente mais importante é o amor, e fiz este com bastante. Vai ver que coloquei uma porção um pouco maior.
- E que porção - ela sorri para mim e eu retribui.
Dan estava calado comendo, mas o Max, o garoto chato, estava me olhando novamente, dava vontade de falar ‘qual é, eu sei que sou muito linda, mas, sério, tira o olho que eu pertenço a mim mesma’. Mas me controlei e continuei a comer.
Depois comemos a sobremesa, o mouse de maracujá.
- Que delícia - exclamei na primeira colherada.
- Obrigada, querida – Dona Sarah agradeceu.
- Lá em casa quem faz o mouse é meu pai, minha mãe é uma excelente cozinheira, mas mouse de maracujá - mostrei a língua e fechei os olhos - É horrível, fica completamente amargo, fica parecendo que está chupando limão com sal, fica extremamente horrível!
Todos começaram a rir.
- Não é possível - falou Dan -, você deve estar exagerando.
- Então dá próxima vez que ela fizer, o que eu espero que seja nunca mais - juntei minhas mãos representando uma oração -, eu te chamo, tá?! – apontei para ele e pisquei.
Depois de algum tempo, conversando e comendo, Max se levantou junto com Dona Sarah recolhendo as taças, já que tínhamos acabado de comer a sobremesa.
- Bem, o papo tá maneiro, mas eu tenho que ir trabalhar - disse Max - Já são quase 14horas e eu não quero me atrasar para o primeiro dia. 
- Eu também tenho que ir para minha casa. – falei - E encontrar os malucos da minha vida, antes que eles fiquem desesperados por eu ainda não ter telefonado para avisar que cheguei a minha casa.
- Tá, eu te dou uma carona – Max se ofereceu.
- Imagina, não precisa, eu telefono para o Carter e ele me busca aqui, não precisa, não.
- É seu namorado? - dona Sarah perguntou, mas não com aquele olhar de curiosidade ou de malicia, ela estava com uma cara gentil. Como se fosse uma pergunta normal – Bem, não namorado já que você deu aquele grito e...
- Mãe! - falaram os dois garotos juntos.
- Ah desculpe, não é da minha conta eu só...
Comecei a gargalhar, me imaginei namorando o Carter por uma fração de segundo, eu senti nojo e vontade de rir, não rola de jeito nenhum, mas eu ri muito que até saiu lagrimas dos meus olhos.
- N-n-não tem... - estava secando minhas lágrimas e tentando controlar a respiração, eu ainda estava tentando me tranquilizar da gargalhada - eu não...me deixa respirar só um m-momento - respirei fundo - Não tem problema a senhora perguntar isso, eu e o Carter só somos melhores amigos, ele é namorado da minha melhor amiga. Ele disse que viria me buscar junto com ela, de carro, por que ele é o único de nós que tem carro próprio. E não, eu não tenho namorado, nem peguete, nem ficante e nem nada disso. E acho que se não for namoro é sem noção, por que essa coisa de ficar e blá blá blá é tudo horrível e ridículo. Claro, que na minha opinião, respeito totalmente à escolha de cada um.
- Ah sim, entendo - ela disse – Sinceramente, concordo com você, querida, mas fale para o seu amigo que não precisa se preocupar, Max leva você em casa, não é querido?
- Sim, levo sem problemas. - Max disse
- Então vou avisar a ele.
Liguei para o Carter rapidamente e em dois toques ele atendeu.
- Passa o endereço, onde eu te pego?
- Não precisa, o Max disse que me leva para casa.
- Nossa, já tá assim? Até te levando para casa de carro – ouvi uma comemoração.
- Blair arrasando corações - desta vez quem falou foi Amélia, por que deveria estar no viva voz novamente.
- VAI CAGAR, AMÉLIA - terminei gritando e os dois riram alto no meu ouvido.
- Foi mal, não resisti, mas estou tirando o atraso daquelas piadinhas todas que você fazia sobre mim e o Carter, eu vi a oportunidade, sinto muito amiga. E Blair, eu tenho certeza que não estou com caganeira, mas valeu pela preocupação.
- Tanto faz para mim, me encontrem às 14horas lá em casa, quero conversar.
- Eu deixo a Amélia lá, mas hoje tenho que trabalhar. – Carter disse desanimado.
- Tá bom, onde vocês estão?
- Na locadora. - respondeu Carter - Estou no balcão enquanto Amélia atende geral, mas ela já vai sair do trabalho.
- Então tá, até daqui pouco, beijos.
- Beijos.
Desliguei o telefone, como da primeira vez tinha ido para porta, estava voltando para cozinha.
- Prontinho, os loucos não vão vir me buscar - dei um sorriso.
- Então vamos nessa - concluiu Max - Vou pegar o carro na garagem.
- Tá - disse e fui me despedir da dona Sarah, a abracei e ela retribuiu.
- Venha sempre, querida - dizia ela quando já estávamos afastadas -, foi muito divertido nosso almoço.
- Foi sim - dei um sorriso concordando.
Fui até Dan e lhe dei um abraço que ele retribuiu com um sorrindo enorme, só que se abaixando um pouco já que era mais alto.
- A gente se esbarra por ai, ok?! - ele deu mais um sorriso, ele é muito fofo.
Dei um sorriso e concordei com a cabeça, dona Sarah abriu a porta.
- Tchau, gente acenei para eles.
- Tchau, querida - disse ela – Espere! – ela pediu e voltou até sua sala enquanto aguardei na porta - Me dê seu número e pegue o meu - ela disse com o celular na mão -, mesmo você indo com Max vou ficar preocupada, ainda mais por que seus pais estão viajando não, é?!
- Ah bem, ok – digitei seu numero em meu celular e telefonei para ela apenas para gravar meu numero em seu celular.
- Bom, tchau – ela sorriu colocando o celular no bolso de sua bermuda.
- Tchau - acenei já do lado de fora.
E quando virei, MEU DEUS, me senti naquelas cenas de filme de romance que a mocinha está saindo de casa e se depara com um garoto encostado no carro de braços cruzados a olhando. Foi exatamente isso, quase enfartei aqui, JESUS, QUE VERGONHA!
Andei até ele, chegando lá ele abriu a porta do banco do passageiro para mim.
- Vamos senhorita – disse com um sorrisinho no rosto -, tenho uma missão e não quero fracassar.
- E qual seria essa missão? - perguntei entrando no carro. Ele fechou a porta e deu a volta no carro para entrar.
- Deixar a senhorita em casa em segurança - ele deu mais um sorrisinho e começou a dirigir.
Pronto, vai sair no jornal, notícia que Jake vai ler, se ele souber ler, com prazer:
‘’Garota chamada de ’A Estranha’ morre dentro de um carro aos dezessete anos por um enfarte. Motivo do enfarte: ter visto o sorriso mais bonito do MUNDO’’.
Depois de uns dois minutos eu fiquei cansada daquele silêncio e como ele não teve iniciativa eu, a tímida, tive que ter. Pelo menos ele não podia me encarar por que estava dirigindo. Ponto positivo para minha vida.
- Então – falei finalmente quebrando o silêncio -, onde você trabalha?
- Em uma pizzaria, como entregador.
- Em qual?
- Marchol's.
- Carter também trabalha lá, como entregador.
- Bom, pelo menos vou ter uma pessoa da minha idade por lá.
- Não se preocupe com amizade por lá. O dono, o senhor Charles Marchol, é maneiro, ele sempre nos dá pizza de graça no aniversário do Carter.
- Então ele realmente é maneiro, por que já trabalhei em várias pizzarias e nunca me deram uma fatia de pizza de graça.
- O Carter trabalha lá desde seus 13 anos, o Charles fala que ele é o 3° filho que ele nunca teve.
- Ele começou cedo a trabalhar. - ele afirmou.
- A mãe do Carter nunca ligou pra ele, a mãe dele... Meu Deus, isso é pessoal dele - exclamei colocando as mãos na cabeça – Desculpa, não posso contar.
- Tudo bem, não tem problema algum - paramos em um sinal de trânsito, tantos momentos para esse infeliz ficar vermelho e ele fica logo quando eu estou passando, e aí começou de novo, por que enquanto ele falava eu olhava pra ele e quando o carro parou ele fez o que?
Se vocês achando que ele ficou olhando para a árvore fazendo fotossíntese, uma coisa tão interessante, vocês erraram feio. Ele ficou olhando dentro da minha alma, só pode, por que meus olhos não são tão interessantes assim.
- Tudo bem – ele falou me encarando.
- Tá. - disse o encarando - Por que faz isso? - perguntei sem querer, isso era para eu debater comigo mesma, para de falar, Blair!
- O que eu faço? - ele perguntou com um olhar de curiosidade, mas parecia que ele sabia exatamente a reposta.
- Nada - disse ainda o encarando, não tenho jeito também, não parei de encarar também, e essa porcaria de sinal que não fica verde ou amarelo. SEI LÁ, SAI DO VERMELHO, DOENTE!
- Pode falando – ele mandou.
- Por que fica me encarando? – interroguei.
- Por que você é a primeira que aguentou ficar me encarando, não desviou o olhar por nem um segundo. E eu quero saber até quando você aguenta isso.
- Perda de tempo, não desvio nem a pau, filho, vai se acostumando! – falei.
O sinal finalmente ficou verde e ele teve que olhar para frente e eu também, mas ele deu um sorrisinho e eu vi. RÁ.
Ficamos o resto do caminho em silêncio, ele estacionou em frente a minha casa quando chegamos. Nós dois descemos do carro.
Logo após descer ele deu a volta no carro e encostou-se à porta que eu tinha acabado de sair.
- Está entregue - ele me disse já me fitando, aí que raiva.
- É, valeu – disse - Para – mandei.
- Então por que você não desvia o olhar? Aí tudo acaba.
- Por que eu não gosto - disse quase gritando -, que saco. E também como você disse, todas fazem isso - disse colocando a mão em formato de boca e a mexendo, abrindo e fechando -, não gosto de ser igual a todo mundo - coloquei as mãos na cintura.
- Ok - ele disse se desencostando do carro, chegou perto de mim e deu um sorriso muito lindo, NOSSA! - Você é bem diferente e quero te conhecer melhor, eu realmente quero ser seu amigo, ok?!
- Tá bom - disse meio paralisada.
Nota mental: tenho que para de fazer muita coisa, na moral.
- Tchau, Blair - ele me abraçou passando os braços ao redor da minha cintura e me puxando para ele, mas eu não consegui abraça-lo de volta como tinha abraçado seu irmão, eu paralisei de novo, argh.
- Tchau - disse depois que ele me soltou.
Ele entrou no carro e foi embora.

- Caramba, eu tenho que parar de paralisar, isso nunca aconteceu - comecei a respirar rápido, na verdade eu estava hiperventilando. Que saco!

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