quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Capítulo 7 - Pizza com barreiras

Capítulo 7    
Pizza com barreiras
- Blair Montello



-Que isso menina, tá hiperventilando? - alguém gritou e eu reconhecia a voz perfeitamente, era a pessoa que eu precisava, eu contava com a minha mãe sempre, mas ela estava viajando, então só tinha minha amiga, pelo menos a mais sensível, Amélia.
- Estou - falei choramingando.
O Carter estacionou o carro e Amélia desceu do carro, vindo me abraçar.
- Calma, amiga, relaxa! - ela falou me abraçando, já disse como amo abraçar a Amélia? Não? Então digo a agora, EU AMO ABRAÇAR A AMÉLIA. Por quê? Além de ter se tornado uma das minhas melhores amigas, ela tem minha altura, então posso abraçar ela direito. Se você não está sabendo, eu tenho um carma de ter apenas amigas baixa, mas em San Diego isso mudou um pouco.
- Eu estou ficando maluca, Amélia, muito mesmo.
- Eu queria ficar para ajudar, mas eu não posso, tenho que trabalhar. - disse Carter de dentro do carro.
- Ok, eu cuido dela, tome cuidado! - Amélia disse ainda me abraçando.
Eu levantei a cabeça de cima de seus ombros.
- Tchau, Carter, e tome cuidado. – disse forçando a voz para ficar rouca como se fosse de choro.
- Tchau, minhas lindas - ele disse e foi embora.
- Vamos entrar? - perguntou Amélia.
- Claro.
Entramos e fomos para sala. Ela se sentou e eu a seu lado, deitando minha cabeça em seu colo.
- Amiga, eu não tô aguentando isso, faz dois dias que a gente se conhece e eu tô tipo assim, enlouquecendo, amiguinha, me ajuda.
- Que isso, amiga? Você sabe que isso é por que ele tá tipo super apaixonado por você, cara, é tipo muito amor, entendeu?!
- Aí amiga, mas se ele não se declarar eu tipo vou entrar na deprê entende, né, amiga?
Começamos a rir eu cai no chão e comecei a gargalhar, Amélia ficou gargalhando que nem uma louca também. A gente adora imitar aquelas patricinhas de filme, que eu espero que não existam na vida real, por que não e possível! Qual é? Isso não é possível! Ou é?
- Cara, você desta vez se superou, deprê, foi demais! – Amélia disse secando as lagrimas, ela estava vermelha de tanto rir, coisa que eu também deveria estar.
- Com o tempo eu vou me aprimorando, sério, você também foi demais, depois temos que contar essa para o Carter - e comecei a rir novamente que nem uma louca, e Amélia me acompanhando nas risadas.
Meu celular começou a tocar, me levantei do chão e o tirei do meu bolso para atender.
- Arô – atendi e escutei uma risada.
- Olá, Blair, já chegou em casa? – era a Dona Sarah, por que eu não olhei antes no identificador antes de pagar um mico.
- Acabei de chegar – eu disse com um sorriso sem graças para a cara de confusão de Amélia.
- Ok, querida, qualquer coisa é só ligar – ela disse e deu um breve tchau antes de desligar.
- Quem era? – ela perguntou me encarando.
- Vamos para o meu quarto, eu quero trocar de roupa – falei rápido correndo para a escada.
- Tá, mas começa a contar. – ela exigiu.
Fomos para o quarto e no caminho comecei a contar, entrei no banheiro para me trocar e continuei contando, sai e continuei. Quando eu acabei Amélia ficou pensativa.
- No que você está pensando? – perguntei curiosa.
- Em nada - ela desfez a cara de pensativa bem rápido quando perguntei - Mas então, ele quer ser seu amigo, certo? – perguntou e eu assenti - Interessante, mas ele tem que passar pelo Carter e depois por mim para conseguir isso. Tirando que depois tem que passar pelos darks. – ela disse com um sorriso.
- Então provavelmente ele irá ser testado pelo Carter hoje, já que ele também trabalha na pizzaria.
- É verdade, bom, então depois vamos ficar sabendo das fofocas, amanhã o Carter está de folga. Aí vamos saber de muita coisa, estou louca para chegar amanhã – ela disse empolgada e com os olhos brilhando de ansiedade.
- Por que iremos saber de muita coisa?
- Homem faz amizade fácil, tipo, se o Carter simpatizar vai se tornar colega, depois de uma semana se a simpatia continuar entre os dois já vão ter virado melhores amigos.
- Se você está dizendo - eu disse levantando minhas mãos em modo de rendição. Vai que ela estava certa. E se estivesse, amanhã, saberíamos o que tanto eles conversaram. Iria ser interessante, realmente.
- É melhor eu ir para minha casa, antes que fique muito tarde. - Amélia disse se levantando do chão, sim, estávamos sentadas no meu lindo tapete peludão roxo.
- Tá bom, amiga, melhor assim, aí eu não fico preocupada de você voltar sozinha e no escuro.
Descemos os degraus em uma pequena corrida e Amélia reclamando do quanto ruim seria voltar sozinha e no escuro, quase me convencendo de acompanha-la e dormir em sua casa, mas acabei desistindo depois que ela falou que teria que arrumar seu quarto na chegada. Eu conhecia minha queria amiga para saber que me faria legal de escrava.
- Tome cuidado, e telefone quando chegar, tá legal?! – falei quando ela já estava saindo de casa.
- Quantas vezes tenho que dizer que eu não conheço essa bebida, que coisa garota, eu nem bebo! Vou te levar para o AA, hein. E eu ligo sim, sua alcoólica!
- Idiota. – exclamei rindo e fechando a porta.
E então fui fazer o que tinha que fazer, o real motivo de eu ter ficado em casa: estudar até o amanhecer. Só que não!
No primeiro mês de férias eu curti com meus pais, aqui em casa mesmo. No segundo mês eles viajaram e eu fiquei estudando dia e noite, agora no terceiro mês eu dei uma relaxa, mas tenho que voltar. Daqui a dez dias as aulas começam, então, avante.
Subi para o meu quarto e fui estudar química e depois biologia, dei um pulo para física e em literatura eu dormi bonitinho.

- Max Jerson


Aquela garota não parou de me encarar por nem um segundo.
Sei que fui eu que fiquei encarando primeiro, mas eu adoro analisar as pessoas e principalmente encarar, olho no olho. Minha mãe uma vez disse que meu pai tinha a mesma mania. E normalmente as pessoas ficam constrangidas, aí a gente já descobre mais ou menos como é a pessoa. Porém essa garota não desviou o olhar em nenhum momento, e também não demostrou vergonha, só um pouco de raiva e curiosidade ao me perguntar diretamente o que eu queria olhando para ela. Sinceramente, eu fiquei realmente interessado em conhecê-la melhor.
Fui em direção à pizzaria pensando nisso. Ao chegar a gerente da loja, a filha do senhor Charles, que tem minha idade, mas pelo jeito já trabalha como gerente faz tempo e como a pizzaria faz sucesso ela deve estar fazendo um bom trabalho, me explicou que trabalhamos com o carro da pizzaria e que temos que usar como uniforme apenas a blusa que é roxa escura com a logomarca no canto esquerdo superior, na frente, e atrás em cima, bem grande.
- Como uniforme é apenas a blusa? – perguntei quase que comemorando.
- É sim, por quê? - perguntou curiosa.
- Eu já trabalhei em outras pizzarias, e teve uma que o uniforme era uma calça bege ridícula com uma blusa vermelha e o boné com um porco em cima que se mexia, e era obrigatório. – expliquei pelo meu sorriso exposto.
- Cruzes - ela falou, quase que em um grito -, eu nunca que deixaria meu pai fazer isso, e eu não me apresentei, que tapada. - ela bateu a mão na própria testa - Meu nome é Diana - ela me ofereceu a mão.
- Prazer - dei um leve sorriso e apertei sua mão.
- Bom, como eu disse, trabalhamos com carros, mas também temos algumas motos para quando a entrega é mais perto e menor. E também para entregas muito grandes mandamos duas pessoas. Mas com...
- MANA. - ela foi interrompida por um grito.
- Desculpa é o meu irmão mais velho, que eu não sei – ela virou a cabeça para o corredor e começou a gritar - COMO ESTÁ VIVO ATÉ HOJE, TENDO O CÉREBRO TÃO PEQUENO.
- Aí - um garoto da minha altura aparece descendo uma escada que tinha no corredor onde estávamos passando para ir em direção à sala onde os empregados ficam, onde também tem uma saída para trás da pizzaria para guardar os carros.
- Oi, Kevin - disse Diana impaciente -, o que você quer? Eu estou com um novo funcionário, você não tá ven...- ela foi calada pelas mãos do irmão dela, ele agarrou ela por trás e colocou uma de suas mãos tampando a boca dela e ela começou a se contorcer para tentar se libertar.
- Tô, tô vendo, minha mana linda - ele começou a acariciar a cabeça dela com a outra mão.
- Kevin o que você quer? - disse ela se libertando dele, começou a arrumando o cabelo e a respirar direito, por que pelo que parece ele sem querer também tampou o nariz dela.
- Ah, só queria avisar que chegou uma grande encomenda. Só isso - se virou e foi embora pelo mesmo lugar da onde veio.
- Eu estou louca para ele voltar para a faculdade, como estou!
Eu comecei a rir baixo.
- Vamos continuar, eu vou te levar até a sala onde os empregados aguardam a chamada para a entrega.
- Ok - falei parando de rir.
Continuamos caminhando pelo corredor que não era tão comprido e chegamos à sala, só tinha um garoto, que eu reconhecia da casa da Blair, ele estava dormindo no sofá.
Diana começou a rir diabolicamente bem baixinho.
- Ótima oportunidade – ela sussurrou.
Ela foi caminhando até o sofá em silêncio, quando ela ia pular em cima do garoto, ele se levantou e ela caiu em cima do sofá.
- Se ferrou sua idiota! – ele começou a rir - Você acha que eu não ouvi o grito do Kevin daqui, idiota. - ele riu da cara de Diana por um tempo até perceber que eu estava os observando, ele parou e apontou para mim – Ei, você é o cara que invadiu a casa da Blair?
- Quem nunca invadiu a casa da Blair, Carte? Até eu já invadi - disse Diana se levantando do sofá.
- Tá, recentemente – ele se corrigiu.
- Sim – confirmei.
- Prazer, meu nome é Carter - ele disse com um sorriso.
- Prazer, meu nome é Max.
- Que bom, agora já se conhecem, então podem ir fazer um entrega gigante, eu vou ver direitinho, tá - ela disse saindo da sala.
- Então você é amigo da...
- O que você quer com a Blair? – Carter me interrompeu tirando qualquer vestígio de sorriso do rosto.
- Eu não quero nada - respondi sério tal como ele.
- Eu vou avisando, se você pretende machucar a Blair de alguma forma, qualquer que seja, acabo com você em dois segundo! Espero que esteja avisado.
- Cara, eu não quero fazer nada de mal com ela, só quero ser seu amigo.
- Se é só isso mesmo - ele abriu novamente o sorriso -, então seremos bons amigos.
- Meninos - chamou Diana retornando a sala -, aqui esta o endereço, o preço total e o sabor das pizzas - disse ela entregando um papel ao Carter - Seu acompanhante será o Max e vocês vão de carro.
- Pode deixar, baixinha.
- EU NÃO SOU BAIXINHA - gritou Diana com muita raiva, e ela estava começando a ficar uma pimenta, por que vermelha já estava.
- É baixinha, sim!
- Não sou baixinha, tenho 1,68 de altura, você que é muito alto.
- Amélia tem 1,78.
- Então o problema está na sua namorada, Carter, ela que tem altura demais. Cuidado para um dia ela não ficar com 1,84 - disse e começou a gargalhar.
- Fica com raiva da baixisse, não, ô Diana.
- Argh - ela urrou com raiva- Boa sorte, Max - ela gritou saindo da sala.
- Ela não tem jeito - falou Carter entre risos - Vamos?
- Só vou trocar a camisa - eu respondi
Fui me trocar e fiquei pensando, será que conseguirei ser amigo da Blair? Parece que tem barreiras para alcança-la.


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