quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Capítulo 8 - Baba nervosa

Capítulo 8
Baba nervosa
- Blair Montello


Acordei deitada no chão do meu quarto, com a cara colada no livro de literatura e quando eu digo colada é literalmente, por que para quem não sabe a baba depois de seca é uma ótima cola. Demorei um pouco para descolar a folha do meu rosto, depois que consegui fazer esse milagre fui direto escovar meus dentes. Entrei no banheiro coloquei a pasta de dentes na escova de escovar dentes (não, Blair, você colocou pasta de dente na escova de cabelo), coloquei na boca e comecei a escovar os dentes, ainda morrendo de sono. Olhei para o relógio do banheiro e eram 9horas da manhã. Se eu não estivesse com tanta preguiça ligaria para Amélia e para o Carter.
A campainha tocou, fui atender ainda com a escova na boca e babando que nem um cachorro com raiva. Abri a porta e eram Amélia e Carte abraçados de lado em frente a minha porta, minha preguiça tá realizando meus desejos e eu nem sabia.
- Bom dia, raivosa - falou Amélia entrando e me zoando da baba que escorria da minha boca.
- huom ria - tentei falar bom dia, mas não deu muito certo. Nem tudo é perfeito.
Os dois entram, um atrás do outro, quando eu ia fechar a porta ela parou no meio do caminho.
- Ué, essa porta tá emperrando? - quase consegui falar tudo direito, mas foi difícil falar tudo e não babar.
- Na verdade não. - até agora eu estava olhando para baixo, quando levantei a cabeça estava lá, a pessoa que impediu da porta se fechar, com o braço - Posso entrar? O Carter me convidou, mas se eu não puder não tem problema.
- Ahn? - falei quase gritando, senti uma baba escorrendo pelo canto da boca, mas ignorei, estava meio que tentando saber se aquilo era um sonho ou era real - Só um momento, você é real? - perguntei com mais baba escorrendo.
Carter voltou da cozinha, e sim, os dois entraram e foram direto para cozinha.
- Ah, Blair, tem problema ele vir tomar café com a gente? - Carter me perguntou - Eu o convidei, tentei te telefonar, mas você não atendia, então vim com ele. Algum problema?
- Não tem, não - dei aquela chupada nojenta na baba, estava escorrendo muita - Fechem a porta, por favor, vou limpar minha baba - dei a chupada de novo -, licença.
- Toda - Max disse com um sorriso no rosto.
Carter estava soltando gargalhadas na primeira chupada que dei.
Subi para o meu quarto, terminei de escovar os dentes, lavei o rosto e desci ainda meio zonza com o sono e com o que tinha acontecido. Max está na minha casa para tomar café da manhã. Que sinistro.
Aí que me liguei, quando ainda estava descendo a escada, eu estava babando creme dental na frente dele e depois dei uma chupada nojenta na frente dele, daquelas que faz um som mais nojento do que a própria chupada.
Coloquei as mãos na cabeça.
- AH, FEZES - terminei gritando.
- O que é isso, louca? - gritou Amélia da cozinha.
Terminei de descer os degraus restantes e fui em direção à cozinha, os três estavam sentados a mesa conversando.
Fui em direção a eles. Fingi que estava tudo bem, já que eu sempre gritava e Amélia e Carter estavam acostumados, aí eu dei mais uma de louca na frente do Max, eu não me importo com o que as pessoas pensam de mim, mas pagar mico e ter certeza que a pessoa me acha louca eu meio que evito.
- Nada, só deu vontade de gritar - disse sorrindo - Então, bom dia.
- Bom dia, babona - disse Amélia.
- Bom dia, chupadora de baba - disse Carter entre risos.
- Bom dia, Blair - Max disse com um sorriso no rosto.
Sentei-me a mesa junto deles.
- Então, o que vamos fazer? - perguntei para eles.
- Eu trouxe pão - disse Amélia apontando para uma bacia -, coloquei lá para ficar quentinho.
- Então tomaremos café, quem vai me ajudar? – perguntei.
- Eu vou ao banheiro - falou Carter e Amélia ao mesmo tempo.
- Juntos? – perguntei apoiando a cabeça em minha mão, custa nada perguntar.
- Engraçadinha. - falou Amélia com a língua para fora - Eu vou no seu quarto, o Carter vai ao banheiro aqui de baixo.
- Essa parada! - concordou Carter indo em direção ao banheiro, que ficava no corredor em direção à porta, e Amélia subiu a escada.
- Então, eu que sobrei. - falou Max tirando a jaqueta linda dele, JAQUETA DE COURO LINDA, COMO EU QUERO UMA DESSA.
- É - disse olhando para jaqueta dele, ele a colocou na cadeira e se levantou, e eu continuei olhando para jaqueta.
- Gostou? - ele perguntou e eu o olhei, ele estava meio que rindo por eu estar babando pela jaqueta dele, não literalmente, já babei demais hoje.
- Sim - falei -, posso experimentar? - perguntei juntando as mãos em modo de suplica.
- Claro. - ele disse rindo enquanto comemorei colocando as mãos para cima.
Coloquei a jaqueta, e como essa jaqueta é grande, pensei que ficaria um pouco grande, mas isso ficou enorme. Foi ai que olhei para o Max, agora prestando atenção no físico dele. Ele era musculoso, mas não aquele musculoso feio e todo inchado que parece que vai estourar se você furar, não, ele era bem bonito. Eu estava olhando para seus braços, quando eu olhei para seu rosto e vi-o novamente me encarando, eu fiquei roxa de nervoso, com toda certeza.
- Bem - disse tirando a jaqueta -, acho que um tamanho menor ficaria melhor em mim.
- Sim, com certeza.
- Então vamos fazer as coisas, por que o Carter e a Amélia não vão vir até eu gritar ‘Está pronto’.
- Ok, o que posso fazer?
- Corta os pães e faz o achocolatado.
- Achocolatado?
- Você toma café, né?!
- Não, também tomo achocolatado.
- SÉRIO?! – gritei - Aí gente, o Max também toma achocolatado – falei em direção ao corredor.
Amélia desceu a escada correndo e o Carter saiu do banheiro.
- Sério?! - os dois perguntaram juntos
- Sim - ele respondeu -, por que a surpresa?
- Tipo, quem nessa idade toma achocolatado? -Amélia perguntou
- Tipo, eu e meu irmão.
- O Dan também toma achocolatado? – perguntei e ele assentiu - Vocês então vivem com sono que nem a gente – afirmei rindo.
- Sempre - ele concordou
- Blair, você tem que fazer a camisa para ele - Carter disse enquanto se sentava junto com a Amélia.
- Que camisa? -perguntou Max se encostando a pia.
- Lembra aquela camisa que eu estava anteontem? Quando você veio aqui.
- Sim, lembro.
- Então, a Amélia tem uma.
- ''Tenho muito sono, algum problema?''- Amélia falou
- E a do Carter...
-‘'Tenho mais sono que elas, me arranje logo um travesseiro!'' - disse Carter completando minha frase.
- Viu – falei apontado para Amélia e Carter -, cada um tem sua blusa.
- Então - ele riu um pouco -, qual seria a minha camisa?
- Hm - fiquei pensando e pensando e eu não consegui pensar nada, por que estou com sono demais - Estou com sono demais, depois eu penso.
- Ok, vamos preparar tudo.
- Sim, claro... E vocês onde pensam que vão? - perguntei para as duas pessoinhas que saiam de fininho da cozinha.
- Poxa, ontem eu trabalhei até tarde - disse Carter.
- O Max também - cruzei os braços e ergui uma sobrancelha.
- Pode deixa-lo descansar, ele trabalhou bastante ontem - defendeu Max.
- Já está defendendo, ok então - disse com as mãos levantadas em rendição -, mas e você mocinha? - perguntei me referindo a Amélia.
- Bem, eu tô cansada também, por que ontem eu sai daq...
- OK - grite a interrompendo, eu já sabia o que ela queria dizer, ontem ela veio para minha casa conversar sobre o Max - Podem descansar - falei por fim.
Eles saíram em direção à sala, com certeza eles vão dormir no sofá.
- Vamos começar? - Max me perguntou com um sorriso gentil nos lábios.
- Claro - respondi meio embasbacada com aquele sorriso.
Dá um desconto, garotos bonitos como Max me davam aquele sorriso apenas para conseguir cola nas provas, ou melhor, garotos bonitos como Max nem entravam na minha casa.
Começamos a fritar os ovos, fazer os achocolatados, cortar os pães e pegar algumas fatias de queijo que havia na geladeira.
- Acabamos - disse colocando as mãos na cintura que nem uma super heroína.
- Sim, é melhor chamarmos eles - disse já se dirigindo a saída da cozinha.
- Não, não é não - disse indo atrás dele e segurando seu braço com as duas mãos. Ele parou e olhou para minhas mãos no braço dele e depois me encarou curioso. Eu também me senti meio estranha o segurando. Ficamos nos encarando por alguns segundos, então larguei seu braço – Bem, er ... é que temos que acordar eles estilo Blair.
- E como é isso? - ele se virou para mim e cruzou seus braços.
- Assim. - abri os armários e peguei duas frigideiras - Olhe e aprenda - fui em direção à sala, quando cheguei lá comecei a bater uma panela contra a outra, fazia um barulho horrível. Porém era gratificante ouvir aquilo, apenas para ver o escândalo que iria se prosseguir.
- QUE ISSO, SENHOR JESUS CRISTO, ME SALVA – Amélia levantou gritando e Carter caiu do sofá que estava deitado.
Nós caímos na gargalhada, tipo, eu cai literalmente, pois cai de joelhos e ri muito, Max se encostou a uma parede com o rosto virado para ela, e tentava rir baixo, mas não funcionou muito, e a risada dele era engraçada. Que coisa, até a risada dele era legal, enquanto a minha parecia o pateta entrando em convulsão.
- Já vi que se tornaram aliados, não é? - falou Carter com uma risada sarcástica.
- Fica irritadinho não, se não nem vou te oferecer o café maravilhoso que preparamos. - disse me levantando e começando a respirar normalmente - Venham logo.
Fomos para cozinha e começamos a comer.
- E aí, o que rolou ontem no trabalho de vocês? - perguntou Amélia indo dar uma golada em seu achocolatado.
- Foi tipo, entrega gigante e vocês não vão adivinhar na casa de quem?
- Quem? - eu e Amélia perguntamos muito curiosas.
- Luce Pennet - ele falou rolando os olhos.
- Caramba! - falei quase gritando, Luce Pennet é a líder de torcida fútil que dava em cima, não, se jogava em cima de Carter - Não me diga que ela teve uns de seus ataques e deu em cima de você?
- Ela não é maluca - vi os olhos de Amélia ficarem muito sinistros e suas mãos se contraírem contra a xícara que segurava.
- Que isso, amiguinha, gosto muito dessa xícara. - ela olhou para mim com a cara de assassina, eu quase nunca vejo Amélia assim, então preferi tirar o meu da reta e fiquei quietinha na minha.
- Continua – ela voltou o olhar para Carter, que parecia com muito mais medo do que eu – Bora, Carter, continua - falou quase gritando.
- Calma aí - ele disse tentando se defender -, a gente foi fazer a entrega lá na casa dela ,e não, ela não deu em cima de mim. - a cara de Amélia suavizou, os ombros dela relaxaram e ela se jogou nos braços de Carter e deu um beijo em sua bochecha.
- Chega Amélia e continua Carter, agora estou curiosa.
- Tá bom, que coisa - ele disse se separando de Amélia - Quando não é uma é a outra, cruzes.
- FALA LOGO - gritei dessa vez.
- Bem, eu posso Max? - ele perguntou se virando para Max, minha mesa era redonda como a da casa do Max, ele estava entre mim e Carter.
- Acho que você já começou a historia não é, Carter, mesmo eu querendo deixar aquilo enterrado - ele disse terminando seu achocolatado e erguendo uma sobrancelha.
- Pô foi mal, cara, não consigo esconder nada delas.
- Tá, pode contar.
- Bom, ao invés dela dar em cima de mim ela se jogou nos braços do Max e começou a falar bobagem e tal, até que o Max teve que se desviar de um jato de vomito da bebum. Depois o Max a pegou no colo e a levou para o quarto dela, quando ele desceu do quarto dela só tinha ele como assunto na festa inteira.
Amélia ficou estática com a história toda, mas eu comecei a gargalhar.
- Caramba, essas garotas são muito atiradas, não perdem tempo, elas fazem o que? Sentem cheiro de carne fresca?- comecei a gargalhar – Max, meu querido, você será assediado no primeiro dia de aula pela Luce, ou antes, se ela descobrir seu endereço.
Foi nesse comentário que Carter e Amélia caíram na gargalhada.
Max ficou me encarando enquanto eu parava de rir, ele deu um sorrisinho no canto da boca de modo que só eu percebi, pois Carter e Amélia ainda tentavam parar de rir.
- Tenho que ir, agora - disse Amélia olhando para o relógio em seu pulso -, a locadora vai abrir em vinte minutos, Carter você tem que me levar agora.
- Ok, antes tenho que pegar a Lily em casa. - falou Carter se levantando - Vai com a gente, Max?
- Não, leva ela logo. Eu posso ir andando.
- Tá bom!
Os acompanhei até o jardim, claro que depois de Amélia e Carter terem pegado seus pães, eles entraram no carro e foram embora.
- Então, quer ajuda para lavar a louça? – Max me perguntou enquanto estávamos fora de casa, ele ainda estava sem sua jaqueta.
- Não precisa! - falei quase que cantarolando um ''Eu quero que você vá embora, você me deixa nervosa'', porém eu consegui me controlar.
- Tudo bem, eu ajudo - disse já se dirigindo a porta.

Eu quero que você vá embora, eu quero te expulsar, meu filho. Bufei, por que pelo jeito ele não sabe ler mentes para saber disso. Bufei novamente, por que eu fico nervosa o tendo por perto.

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