quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Capítulo 9 - Faca narniana

Capítulo 9
Faca narniana
- Blair Montello



O segui, fechei a porta e fui para pia. Cheguei e ele já estava colocando a louça na pia.
- Pode deixar, eu lavo e você seca, eu odeio secar a louça! - falei de uma forma dramática.
- Ok - ele disse soltando um risinho.
Comecei a lavar a louça.
- Blair - ele me chamou, meu nome ficou tão bonito na voz dele e POR QUE EU TO PENSANDO ISSO? -, você pode me mostrar algumas matérias, só para eu saber como está tudo por aqui, em relação a eu e
star atrasado ou não nas matérias.
- Tá, tudo bem, sem problemas - falei dando um sorriso, explicar matérias é comigo mesmo e se for para não encara-lo e sim as folha que vou mostrar está ótimo.
- Seu sorriso é lindo - ele disse de um modo calmo.
- Quê? - disse largando a xícara que estava lavando e me virando para ele que estava ao meu lado, encostado na pia. Eu pensei que ele iria mudar a frase, pensei ter escutado errado ou ele deixou isso escapar, coisa que e improvável, então é a primeira opção com toda a certeza.
- Como assim meu sorriso é lindo?
- Sendo!
- Tá bom - me virei para pia totalmente embasbacada. E terminei me machucando na bosta da faca que usamos pra cortar os pães.
- Ai - exclamei -, me cortei.
Ele se virou e pegou minha mão delicadamente, ele era tão gentil, foi aí que comecei a suspeitar que eu estava em coma tendo um sonho perfeito. Comecei minha oração ''Senhor se for real Amém, se não for me acorda, por favor!''
- Onde fica o Kit de Primeiros Socorros? – Max me perguntou segurando minha mão.
- No banheiro, segunda porta no corredor – disse apontando para o corredor com a mão direita.
- Tá, senta aí – ele disse e foi para o corredor.
Eu me sentei em uma cadeira e admirando o corte, eu só acho que a faca queria ir para Nárnia através da minha mão, que machucado grande.
Logo Max voltou com a caixinha que tinha uma cruz vermelha pintada na tampa. Ele se sentou na cadeira a minha frente, abriu a caixa e pegou aquele remédio que tira o verme da mão, aquele tipo de remédio que doí até a alma.
- AI – gritei, quando ele começou a colocar o remédio.
- Calma – ele disse dando um sorrisinho.
- Calma? – exclamei – Porque não é tua alma que está queimando.
- Ok – disse, ele colocou uma gaze e cobriu com esparadrapo – pronto – falou votando a me encarar.
- Obrigada, mas você sabe que eu podia ter feito sozinha, né?! – falei mesmo, não sou uma garotinha indefesa e ele não é meu príncipe encantado, ok, isso eu não fale.
Ele chegou próximo de mim e mais próximo e eu fiquei mais e mais nervosa. Direcionou-se ao meu ouvido.
- Mas eu queria fazer – sussurrou.
Fiquei nervosa com esse comentário. Ele se levantou calmamente como se ele não tivesse dito nada que tenha me deixado DESESPERADA.
- Eu termino de lavar a louça – ele disse já se direcionando para pia. E eu fiquei lá que nem uma bocó.
Demoraram uns dois minutos ele terminou de lavar tudo.
- Você foi rápido – disse enquanto ele começava a secar a louça.
- Como você já viu, eu também sei cozinhar. Se você acha que minha mãe é de deixar eu e meu irmão livre das tarefas domésticas, só porque somos meninos, você está muito enganada – ele disse com um sorriso nos lábios.
- Isso é maneiro, já estão prontos para casar.
- Quem sabe?
Começamos a rir. Demorou mais um pouco e ele terminou de secar tudo. E eu fiquei o tempo todo olhando para o meu ferimento, por que aquela faca demoníaca não quis me causar um simples machucado quis me causar um ferimento GRAVE, sério, to bolada.
- Então – disse Max me chamando à atenção para ele que estava a minha frente secando as mãos –, você pode me mostrar agora às matérias?
- Sim, claro – respondi e me levantei – Me espera na sala que eu vou buscar as coisas.
- Tá
Ele se direcionou para sala e sentou no sofá e eu subi as escadas.
Minhas folhas estavam todas espalhadas no chão, já que na noite anterior eu dormi estudando. Recolhi todas as folhas com a mão boa, e já que sou tão esperta, quando fui pegar as folhas e os livros peguei com as duas mãos e me levantei rápido.
Quando me levantei larguei tudo no mesmo instante, minha mão doía muito. Os livros fizeram o maior barulho ao cair no chão.
- Droga!
- Blair – Max gritou do andar de baixo, ouvi-o subir rápido a escada, logo apareceu na minha porta.
Eu olhei para ele que estava com uma expressão no rosto de preocupação.
- Acho melhor a gente ficar por aqui mesmo – disse dando um risinho sem graça.
- Me deixa adivinhar – ele falou entrando no meu quarto e parando de frente para mim –, a senhorita esqueceu o seu machucado.
- Imagina, eu bati o meu pé na quina da minha cama, doido, ai eu larguei tudo. Eu iria esquecer o meu ferimento? Que isso! – disse séria, ou pelo menos tentando.
- Ãrrã, me deixa ver sua mão? – ele disse já pegando minha mão.
Oi? Por que perguntou, né?! Já sai assim pegando a força a mão dos outros. Bem que não foi a força, foi até muito gentil.
- Pelo menos não voltou a sangrar – ele disse passando o dedo de leve pelo ferimento, o que me deu cócegas e eu comecei a rir – Que foi?
- Fez cócegas – falei tentando parar de rir.
- Ah, foi mal – ele disse e voltamos aos esmagamentos, ou seja, ele voltou a me encarar.
- Tudo bem – disse o encarando de volta.
- Então, vai me mostrar as matérias aqui mesmo? – ele me perguntou enquanto ainda segurava a minha mão.
- Sim – falei tirando minha mão da dele –, tá aqui as coisas.
Sentei-me no meu tapete e me encostei-me à minha cama. Ele se sentou também e eu mostrei tudo, devemos ter ficado uns dez minutos conversando sobre as matérias e as aulas.
E minha manhã/tarde está cada vez mais emocionante!
Só que não!


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