quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Capítulo 10 - Campainha do mal

Capítulo 10
Campainha do mal
- Blair Montello


- Que bom, sua escola está no mesmo nível que a minha antiga.
- Assim você não se atrasa em nada. – falei ajeitando algumas das folhas
- Sim, estou mais tranquilo.
- Você estava preocupado em se atrasar em algo?
- Não comigo, com o Dan. Eu não sou muito de me preocupar com essas coisas, claro que estudo e me esforço, mas não me preocupo tanto.
- Então somos bem diferentes, eu estudo muito e me preocupo muito.
- Estou vendo – ele riu – Acho que você deve ser uma das únicas pessoas que está estudando nas férias.
- Ah, me deixa tá – fiz cara de baiacu com raiva pra ele e cruze os braços. Começamos a rir no mesmo momento.
- Ficou fofa assim – ele disse me olhando carinhosamente.
- Obrigada – respondi toda fofa, por quê? Argh
- Bom, é melhor eu ir.
- Ah, sim claro – falei e não consegui esconder um desanimo em minha voz. Que porcaria é essa? Eu quero que ele vá embora.
- Quer que eu fique mais um pouco? - ele me perguntou de uma forma tão gentil.
Fala NÃO, Blair!
- Você pode? É que eu não sou acostumada há ficar tanto tempo sozinha. Por isso o Carter e a Amélia sempre estão aqui.
O que? Verdade eu não gosto de ficar sozinha, mas O QUE?
- Tudo bem – ele disse – Pensei que eu estivesse incomodando.
- Imagina – falei –, você é legal.
- Que bom – ele falou -, você também é maneira.
- Legal – falei colocando os braços pra cima. Ele deu um pequeno sorriso – Quer ver um filme?
- Claro. Qual?
- Deu a maior vontade de ver Transformes, mas só se for o um ou o dois por que o três foi horrível – falei colocando a língua pra fora no final da minha fala.
- Então vamos logo – ele me disse rindo e se levantando.
Só que, eu aqui, sou toda destrambelhada e só estou com uma mão usável, e para levantar com uma mão só, eu iria fazer uma para sinistra.
- Quer ajuda? – ele pergunta de frente para mim, já de pé.
- Quero, e muita – disse, ele me ofereceu a mão que segurei com minha mão boa, à direita. Só que ele me puxou com muita força, ele envolveu seu outro braço na minha cintura para me segurar –Eu ia era voar, seu maluco - falei rindo.
- Desculpa – ele disse rindo, ele ainda estava me segurando e já me encarando novamente.
- Vamos ver o filme – disse me separando dele.
- Sim, claro.
Afastei-me dele, esperei ele passar e fechei a porta do meu quarto. Ele desceu as escadas na minha frente e começou a rir quando estávamos já no fim dela.
- Que foi? – perguntei curiosa.
- É que – ele ainda ria quando se virou para mim – da primeira vez em que desci esses degraus, tinha uma menina com um taco de beisebol atrás de mim, fiquei meio preocupado de mover qualquer músculo.
Começamos a rir.
- É melhor mesmo ficar preocupado – subi em um degrau para ficar mais alta que ele – sou perigosa, mané – e mandei língua.
Ele só esboçou um sorriso lindo, sabe aquele que você fica muito hipnotizada.
Fui em direção à cozinha antes que perdesse completamente todos os sentidos por causa da beleza dele.
- Pensei que fossemos ver um filme? – ele me perguntou vindo atrás de mim.
- E vamos, mas temos que comer alguma coisa, nem que seja um biscoito, ver filme de boca vazia é horrível – abri o armário da cozinha e vi O PACOTE de Ruffles – Isso e perfeito.
Agarrei o pacote e joguei para Max, fui pra geladeira e vi uma garrafa de refrigerante pela metade
- Isso aqui dá para o gasto – peguei aquela garrafa e fechei a geladeira – pega dois copos, por favor.
- Tá – disse e pegou os copos onde indiquei.
- Agora a gente pode ver o filme. – falei vitoriosa.
Fomos para a sala, eu coloquei o DVD do Transformers. Sentamos um ao lado do outro no sofá, coloquei minhas pernas para cima do sofá e abri, com certa dificuldade, o pacote de batatas.
O filme estava quase na metade e estava o maior silêncio. Eu já estava era ficando com medo, o menino pegava a batata comia e só prestava atenção no filme, nem no cinema as pessoas ficam tão quietas assim.
Ele é um robô, só pode!
- Max – chamei baixinho.
- Oi – ele respondeu se virando pra mim.
- Você é um robô?
- Não, que eu saiba – ele respondeu rindo – Por quê?
- É que você fica bem quieto, só não achei que você tinha morrido porque estou ouvindo sua respiração.
Quando ele abriu a boca para falar algo começamos a ouvir a música Numb do Linkin Park, e como eu não tinha essa música como toque no celular, só poderia ser o celular dele. Aliás, eu nem sei onde está o meu celular, mas enfim...
Ele pegou no bolso e atendeu.
- Alô...não estou na casa da Blair...ok...tchau – ele falou bem rápido e desligou - Era o Carter.
- Ah tá. – eu não ia perguntar...
- Ele tá vindo pra cá, o Charlie quer fazer uma reunião com todos, sem falta – explicou.
- Entendi, que pena – falei com um sorriso triste.
- Relaxa, eu posso vir aqui mais vezes pra gente terminar de ver o filme, somos amigos ou quase isso, né?!
Explique-me, por favor, pessoas do mundo, por que meu coração está tão acelerado, por qual motivo?
Era só um novo amigo, nada mais!
- Claro – falei sorrindo, o que ele retribuiu.
Estávamos nos encarando novamente, mas não estava mais levando esse ato como irritante. Eu até que queria continuar encarando ele, os olhos dele eram lindos, eu admito, seus olhos eram de um azul perfeito, eu nunca havia visto um olhar tão bem ilustrado, e o olhar dele não envolvia algo que nos assustasse ou perturbasse, nem algo que fizesse sentir vergonha ou raiva. Era um olhar bom e gentil, era reconfortante. Mas ele bem que conseguia irritar de tanto me encarar, porém nesse momento a irritação não me atingiu.
E admitir isso para mim mesma foi horrível.
Modo de autodestruição: 10...9... 8 ...7 ...6 ...5...
A campainha tocou
E o som da campainha atrapalhou todo meu modo de destruição. Mas não conseguia parar de encara-lo, assim como ele.
A campainha tocou novamente e o silêncio reina entre nós. Ao contrário do que eu imaginei, não ficou um silêncio constrangedor e sim um silêncio agradável.
- Oi? Tem alguém ai?- Carter chamou e logo começou a gritar meu nome.
- É melhor eu ir lá, antes que ele destrua a porta – falei apontando para a porta.
- Tá – ele concordou
Eu me levantei, e fui até a porta para abri-la.
- Caramba, onde você estava? – Carter me perguntou.
- Estava distraída – falei olhando para o chão.
- Sei – ele riu com malicia, pelo jeito eu tinha ficado vermelha.
De repente senti alguém atrás de mim, só que muito próximo mesmo.
- Oi, Carter, podemos ir? – Max perguntou.
Ele não reparou que estava próximo demais? Vou ter que ensinar pra ele senso de distância.
Carter olhou para mim e deu para ver que segurou o riso, acho que estava mais para segurou uma gargalhada. Ele abaixou a cabeça e depois a levantou sério.
- Vamos sim, cara – ele respondeu.
- Só me deixa pegar minha jaqueta – ele se afastou, obrigada Senhor.
Foi no momento em que o Max se afastou o Carter abriu um sorriso malicioso.
Eu mostrei minha mão direita totalmente aberta e fechei bem devagar pra ele ouvir o estalo de cada dedo. Ele voltou à cara sério bem rápido.
- Agora podemos ir – disse Max voltando da cozinha, onde estava sua jaqueta.
Eu praticamente me joguei para a porta que estava aberta. Assim ele não ficaria tão próximo de mim, novamente. Mas não adiantou muito já que ele me descolou da porta para me dar um abraço.
- Tchau, Blair – disse e me deu um beijo na bochecha.
- Até – consegui dizer, apenas depois que ele atravessou a porta. Olhou pra trás deu um sorriso e fez alguns movimentos com os lábios, sem emitir qualquer som.
- Até – disse Carter já dentro do carro
- Tome cuidado – gritei, Max entrou no carro e eles foram embora.
Fechei a porta e encostei-me a ela escorregando até o chão, e me deitei.
Eu queria saber o porquê daqueles movimentos sem nenhum som que Max havia feito
''Volto o mais rápido possível''
E o pior é que amei ter entendido aquilo.
Coloquei a mão no rosto e reparei que estava com um sorriso gigante, e agora a parada é a seguinte, desde quando eu to com esse sorriso?!


- Max Jerson


Que porcaria foi essa que eu fiz?
Tudo bem que eu queria realmente revê-la, mas eu não precisava informa-la. Que DROGA!
Por que fiz isso? Por que fiz isso? Por que fiz isso?
Carter parou o carro na outra rua.
- A reunião vai ser aqui? – perguntei observando o local pela janela.
- Não. – ele me respondeu sério e depois explodiu em gargalhadas, começou a bater no volante enquanto ria.
- O que foi? – perguntei meio que rindo de como ele estava se manifestando em gargalhadas.
- Você não reparou como deixou a Blair nervosa? – ele me respondeu dando partida no carro e limpando as lágrimas que estavam no canto do olho.
- Não, como assim nervosa?
- Você deixou a Blair vermelha, e você nem imagina como isso é difícil.
- Carter eu não...
- Max, é sério – ele começou me interrompendo -, você conseguiu deixar ela nervosa, e não foi de raiva por que se tivesse sido de raiva ela teria te deixado muito machucado. Agora falando muito sério, é melhor essa conversa não sair daqui, se não eu é que vou ficar machucado, de novo.
- Ok.
Fiquei calado o resto do caminho. Mas o que eu fiz para deixar ela nervosa?
Mesmo eu não sabendo, ela também não fazendo nada me deixou meio nervoso, até demais.


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