quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Capítulo 12 - DNA do alface

Capítulo 12
DNA do alface
- Blair Montello

Os dias passaram muito rápido, e eu não saia de casa, só estudava e atendia ligações dos meus pais e da Amélia e do Carter.
No último dia decidi ficar na cama com o estômago doendo e prendendo o xixi, não queria levantar para relembrar que era o último dia.
- Querida – ouvi uma voz masculina falar e fazer cócegas em meu pé.
Levantei no mesmo instante.
- Pai – dei um pulo em cima dele.
- Oi, minha linda – ele falou depositando um beijo no topo da minha cabeça.
- E eu não ganho abraço, não? – minha mãe perguntou ao lado.
- Mãe, que saudade – eu puxei ela para o mesmo abraço – Senti tanta saudade!
- Nunca mais vamos fazer isso, tá! – afirmou minha mãe.
- Ok - falei sorrindo e desgrudando deles -, concordo plenamente.
Eles me contaram como foi à viagem. Eles ficaram em um dos hotéis famosos do Havaí, o Waikiki, nesses hotéis normalmente na mesa de centro do quarto como um tipo de boas vindas ele colocam chocolates enrolado em um papel dourado, só que quando meu pai foi comer ele não sabia que uma das formas de ‘’boas vinda’’ do Havaí era beterraba com pimenta. Ri muito com minha mãe, mas meu pai teve alguns problemas com o vaso sanitário durante a noite inteira.
- Sério, pai? Quem confunde chocolate com beterraba? Aliás, quem come isso?
- Eu estava com sono e fome, posso? - ele retrucou – E eu lá vou saber quem come aquilo.
- Essa tem que ser compartilhada com o mundo.
Peguei meu celular na mesinha do notebook
- Compartilhe a vontade, também tenho tanta coisa para compartilhar - ele disse já com o celular na mão me mostrando que já estava aberto no Twitter.
- Tá bom, já larguei - soltei o celular na mesinha fazendo caretas.
- Vamos meus lindos, estou com fome.
Eu e meu pai partimos do quarto comemorando. Por que a comida da mamãe não tem igual.

(...)

- Filha, acorde, está na hora - minha mãe falava cutucando meu pé.
- Já? - perguntei com a voz carregada de sono.
- Sim, se quiser pode ficar em casa, tá.
Desde meus 12 anos de idade todas as manhãs minha mãe faz a mesma proposta "Você pode ficar em casa querida! Quer?", mas meu senso de responsabilidade não me deixa permanecer na cama. Acho que é por isso que ela faz isso, só que dói tanto no coração.
- Não vai, né?! Ótimo, estou voltando para cama.
- Eu vou mãe, eu vou para escola!
- Tá, que coisa! Vou fazer seu café da manhã - ela disse e saiu bufando do quarto.
Acredite, ela me ama muito, mesmo querendo que eu fique em casa e esqueça a escola e todas as minhas responsabilidades.
Tomei um banho e fui me arrumar, claro após eu conseguir ir do banheiro para o quarto.
Coloquei uma calça comprida preta com desenhos tribais em um tom de preto mais claro, minha blusa do Harry Potter e minha bolsa de lado com a cara de um cachorro. Eu agradecia muito ao ser que inventou os armários na escola, assim eu não preciso carregar quase nada, só uns dois livros que eu levei para estudar em casa.
Sai do quarto e encontrei meu pai no corredor tentando manter os olhos abertos.
- Bom dia, pai - falei coçando os olhos. Ao contrário do que muitos falam, tomar banho com água gelada logo de manhã não desperta! E tomar banho em uma banheira não ajuda em nada.
- Bom dia, você pode me ajudar a descer as escadas? - me perguntou lutando contra as pálpebras que queriam ficar fechadas - Estou com fome!
- Ajudo sim - respondi rindo. Ele colocou as mãos nos meus ombros e descemos devagar a escada. - Pronto, chegamos.
- Valeu - agradeceu tentando achar o caminho da cozinha enquanto eu estava indo atender ao telefone que tocava.
Quem telefona a essa hora da madrugada? Cara, ainda são 6:20.
- Alô - atendo com menos sono do que imaginava
- Acabei de acordar, passo aí na tua cada pra nós pegar a Amélia, sacou?
- Oh drogado, nós não vai a lugar nenhum até você falar direito.
- Senhorita Blair, nós iremos buscar a senhorita Amélia após sairmos de sua residência. Melhorou?
- Muito, senhor Carter, beijos.
- Beijos.
Desliguei o telefone me perguntando:
1° Por que ele não me enviou uma mensagem?
2° Se era para telefonar, telefonava para o meu celular.
3° O Carter tem telefone fixo desde quando? Por que ele não iria gastar do celular para o fixo, com certeza.
- Quem era, querida? - minha mãe perguntou quando cheguei à cozinha.
- O Carter, ele está vindo me buscar. Então vou comer rápido.
- Ok, então ao ataque - minha mãe exclamou.
Tomei meu achocolatado e comi pão com Q-U-E-I-J-O. Eu não sei por que mais tenho uma fascinação por aquela coisa amarela e mole.
Logo que acabei recebi uma mensagem.

“Cheguei e quero ir embora!
Aaaaaaaaaaaaaaah”
- Carter

Ri da declaração, dei um beijo em meus pais e fui para fora.
O carro do Carter estava esperando por mim, mas sério, ele estava me pedindo para eu zoar, só pode.
Ele estava dormindo e o volante estava livre cara, LIVRE. E eu só fiz o que uma boa amiga faria.
- Beeeeeeh - isso mesmo, eu fui até a janela dele e apertei a buzina.
Ele levou o maior susto, pulou alto e bateu a cabeça no teto.
Ri tanto que a barriga doeu e quase cai na rua.
- Caramba, quer me matar? Vai ter volta!
- Ãrrã, claro.
Fui para o banco de trás já que quem se senta na frente é a Amélia. Sentei bem no meio, para as pernas ficarem esticadas nos cantos.
- E aí, qual e a sua primeira aula? - perguntou Carter ligando o carro.
Eu estava toda concentrada na cor vermelha do meu cadarço, que quase não consegui responder a pergunta.
- Literatura, com o Manson – fiz som de vomito – E você? Eu só lembro que sua aula é na companhia do David.
- É de biologia com a Mirella.
- Pelo menos e com uma professora legal.
De repente o carro para, não lembrava que a casa da Amélia era tão perto de carro.
- Já chegamos à casa da Amélia?
- Não, chegou a minha casa – eu virei para esquerda e lá estava Max com a porta aberta se sentando ao meu lado. Eu já estava chegando para o outro lado com os olhos extremamente arregalados, quando a porta da direita abre e outra pessoa entra me jogando contra o Max.
- Bom dia, Blair – cumprimentou Dan sorrindo. Gente como esse menino sorri até de manhã?
Tive que me ajeitar por que os dois são mais altos que eu, e bom, eles tem um físico muito bom, então fica difícil ficar entre eles.
- Foi mal Blair, esqueci de te avisar que me ofereci para levar o Max e o Dan. Até o carro dele chegar.
- Deu uns problemas na papelada ou sei lá o que – Max disse com a cara emburrada parecendo uma criança que acabou de perder o brinquedo preferido, ele abriu um pouco mais os olhos e se virou para mim – Sua mão está melhor?
- Sim, valeu – falei ainda chocada com a perfeição que é a minha vida. Agora vou para escola com a pessoa que me deixa nervosa, eu ainda tenho algum espaço pessoal?
O carro começou a andar, nunca entendi essa expressão ‘‘o carro começa a andar’’, aliás existe essa expressão?
- E aí, como foi o restante das suas férias, Blair? – me perguntou Dan.
- Estudando que nem uma escrava – me virei com um sorriso sádico no rosto.
- Eu também – ele disse entre risos –, mas fiquei um tempo vendo animes.
- Eu amo animes, otaku de nascimento – falei toda empolgada, o quê? Quando encontramos outro otaku ficamos alegres – Caramba agora que reparei na sua blusa, é muito maneira.
A blusa do Dan era de um anime que eu amo demais, Soul Eater, muito perfeito.
- Valeu, – ele agradeceu rindo – eu acho que eu tenho outra blusa dessa. Você gostaria?
- Carter não se assusta tá bom – avisei abrindo um sorriso.
- Me assustar com o qu..
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH – interrompi Carter gritando – SIM, EU QUERO A BLUSA –abracei o Dan – Cara, eu te amo – falei fingindo o som de choro.
- De nada – ele falou rindo e se separando de mim.
O carro parou e Amélia entrou com aquela cara de ferrada.
- Bom dia, pessoas – Amélia falou depois de bater a porta – Oi, meninos.
- Bom dia, Amélia... Espera, você sabia deles? – perguntei apontando para o Max e o Dan.
- Sim! – Amélia confirmou.
Cheguei mais para frente e puxei a orelha do Carter antes que ele começasse a dirigir.
- Ai, ai, ai – ele começou a reclamar da dor.
- Depois vamos ter uma conversinha – falei em seu ouvido.
- Por quê? – ele perguntou passando a mão na orelha que estava vermelha.
- Por que eu sou tão importante neste carro quanto a Amélia. Eu gosto de saber o que acontece aqui, tá.
- Eu esqueci - Carter se defendeu -, foi mal!
- Tanto faz, vamos logo antes que fiquemos atrasados para a aula.
Ele deu partida e fomos para escola em silêncio o restante do caminho, não conseguia falar, estava com sono. Mas muito feliz pela blusa que o Dan iria me dar, toda boba aqui.
- Chegamos - anunciou Carte.
- Que bosta – exclamei.
Era tarde para aceitar a proposta irresistível da minha mãe?
Começamos a sair do carro antes do Carter ir para o outro lado do estacionamento, tinha uma vaga do outro lado que ele gostava de ficar.
- Bem, é melhor eu ir para minha aula – anunciou Dan.
- Qual é sua primeira aula? – perguntei.
- Psicologia com o professor Hudson.
- Me deixa ver uma coisa rapidinha antes de você ir para aula – falei e corri meus olhos pelo estacionamento da escola e avistei o carro da Sofia, dei um sorriso e apontei - ali, a Sofia já chegou, vem vou te apresentar a ela - peguei a mão dele e puxei até o carro da Sofia – SOFIA - gritei indo em sua direção, dei lhe um abraço apertado que ela retribuiu.
- Blair, que saudade - ela disse ainda me abraçando - Ainda temos alguns minutos, o Jake ainda não chegou.
- Que bom – disse, me afastando - queria lhe apresentar uma pessoa, ele é novo na cidade e também esta no 1°ano, esse aqui é o Dan - dei um sorriso o apontando.
- Prazer - ele disse sorrindo .
- Prazer - ela disse com um sorriso mais sorridente do que eu esperava -, meu nome é Sofia, mas pode me chamar de Sofh - ela sorriu novamente para ele.
Soltei minha risada maligna para eles.
- O que foi, Blair? - Sofh me perguntou –, você sempre ri assim quando pensa algo que não presta – disse cruzando os braços.
- Que isso garota, respeite os mais velhos! - dei língua pra ela – Aí, Sofh, qual é a sua primeira aula?
- De psicologia, com o Hudson.
- A minha também - disse Dan pra ela.
- Então eu vou nessa, deixou o Dan aos seus cuidados Sofh.
- Claro, pode deixar – ela disse sorrindo novamente para Dan.
Esse pessoal não presta, soltei mais uma risadinha maligna antes de sair em direção ao carro do Carter, ele estacionou do outro lado do estacionamento.
- Pronto, gente, deixei o Dan em boas mãos. Mas diz aí, do que vocês estão rindo? – perguntei para as hienas falantes.
- A gente estava aqui imaginando o que a Luce vai fazer ao perceber que o Max estuda na mesma escola que ela – explicou Carter.
- Só espero que não vomite - Max disse com um sorrisinho no rosto. Caímos na gargalhada.
- Bem minha primeira aula é de química, e ela está nessa - disse Amélia angustiada. - Qual é a sua?
- Literatura com o... – ele parou e pegou um papel no bolso – Manson.
- É a mesma que a minha - falei, ele se virou e deu um pequeno sorrisinho pra mim, o que me deixou meio nervosa.
- Então é melhor irmos logo, antes que a praga chegue.
- Tarde demais - Amélia anunciou.
Então a praga que tinha nome de Jake tinha chegado, ele estacionou quatro carros de distancia da gente. O pior é que a minha primeira aula era com ele.
- Max - chamei, ele se virou lentamente para mim, ele estava olhando para o Jake -, vamos logo pra sala, a praga e da nossa sala.
- Claro - ele confirmou e fomos em direção à entrada.
- Até o almoço - gritou Amélia.
- Até - me virei e acenei para eles.
- Ele é da nossa sala? - Max me perguntou.
- Infelizmente - respondi cabisbaixa -, para ser exata ele faz cinco aulas comigo. E literatura, psicologia, geografia, álgebra avançada e história- falei numerando o sofrimento nos dedos.
- Entendi - ele falou, engraçado que reparei agora que ele não esta mais me encarando.
- Posso ver seu horário? - perguntei no impulso, sem pensar direito. Ele pegou o papel no bolso novamente e me entregou, eu dei um gritinho ao olhar para o papel e Max me olho com curiosidade - Temos 9 aulas juntos.
- Caramba - ele falou assustado, eu acho -, quais são?
- As cinco que eu te falei que tenho com Jake mais física, geometria, inglês e sociologia.
- Nossa - ele disse próximo ao meu rosto olhando para o papel. Eu estava tão concentrada no papel que não o notei se aproximando, eu olhei de canto para seus olhos e ele olhou para mim. Ficamos um tempo assim até que o sinal bateu -, é melhor irmos para sala.
- Ok - falei lhe entregando o papel.
Continuamos andando até a sala 129 do Manson, entrei primeiro e a sala só tinha os CDF's das primeiras carteiras, sabe aqueles desenhos que tem um pessoal que usa óculos e faz parte de todos os clubes da escola, menos os de esporte, tira notas altíssimas e se acha. Então sejam bem vindos a primeira fileira da minha sala meus caros amigos.
Nota: Eles me odeiam.
Isso não é fofo?
- Bom dia, professor Manson - o cumprimentei.
- Bom dia, senhorita Montello, espero que suas férias tenham sido boas, pois semana que vem já teremos uma prova. E eu fiz especialmente para senhorita - ele disse dando um sorrisinho. Eu dei um sorriso de canto.
- Então deve estar mole - abri mais ainda o sorriso e fui em direção ao fundo da sala, o meu cantinho lindo e maravilhoso. Aquele que fica no fundo e no escuro, aquele local bem escondido, então é ali que eu sento. Max foi falar com o Manson aquele blá blá blá. Então tive que passar sozinha pelos CDFs que só faltavam cuspir em mim.
Depois de uns dois minutos a sala começou a encher, e Max ainda estava falando com o professor. Quando ele terminou de falar com o Manson ele correu os olhos pela sala, até que me achou.
Ele já estava se direcionando a mim quando o Jake entrou na sala e esbarrou de propósito em Max.
- Opa - exclamou Jake -, foi mal, cara, não tive a intensão de esbarrar no novo amiguinho da estranha! - todos começaram a conversar em um tom bem baixo. Mas o Max fez uma coisa que eu tive que me controlar muito pra não soltar uma gargalhada, ele se virou no momento que Jake disse cara. Continuou seu caminho e se sentou ao meu lado com naturalidade, se encostou à cadeira, colocou sua mochila no chão e colocou seu braço direito no encosto da minha cadeira e o outro braço deixou na mesa. Ele estava super relaxado, como se nada tivesse acontecido, se fosse qualquer outra pessoa nessa escola, exceto Carter, Amélia, David, Stella e eu, teria pedido desculpas e falado que a culpa toda do esbarrão era dele não do Jake. Mas o Max não, mesmo sem conhecer nem eu nem Jake direito ele segui um rumo completamente diferente de todos, ele segui um rumo que nem eu conhecia direito. O rumo de fingir que nada aconteceu, e mesmo assim ficar do meu lado, isso era tão estranho.
- Sentem todos, por favor, quero começar a aula - disse o professor Manson.
Todos se sentaram, Jake ainda olhava com fúria para mim e para Max, e eu acho que ele ficou com mais raiva ainda por que a peguete ou sei lá o que dele estava olhando para o Max com aquele olhar ''como ele é gato''. Jesus, esse pessoal tem um fogo que pelo amor de Deus, caraca.
O professor começou a aula relembrando o que tínhamos aprendido antes das férias, ele começou a escrever no quadro por que uma garota apresentou algumas dúvidas na matéria, então ele começou a explicar.
- Fala aí - Max chegou mais perto de mim falando baixo -, o que o Manson e os CDFs têm contra você?
- Você reparou? – perguntei fingindo.
- Quem não notaria o modo que ele fala com você e o modo que os CDFs olhando para você, com cara de que colocariam você na guilhotina na primeira oportunidade.
Eu dei uma risada baixa.
- É que o professor Manson não aceita que eu consiga gabaritar todas as provas dele. E os CDFs são porque eu consigo gabaritar as provas do Manson e não sento lá na frente, não faço parte do clube de xadrez, nem do de matemática, nem do de física e ainda sou chamada de “A Estranha”.
- Esse pessoal realmente é muito ignorante - ele falou me observando, estávamos nos encarando novamente. Poxa, eu já estava até com uma plaquinha: estou há nove dias sem encarar o Max.
- Então, senhor Jerson, já que o senhor gosta tanto de conversar com a senhorita Montello, poderia me dizer a classificação deste livro que acabei de...
- Romantismo - ele respondeu interrompendo o professor, sem desviar o olhar do meu -, a classificação é romantismo - ele desviou o olhar para professor - Está certo, professor Manson? - ele perguntou com certo sarcasmo na voz.
- Sim, senhor Jerson - Manson respondeu, mas dava para reparar nitidamente que ele estava surpreso, como todos da sala, mas como eu adoro ser diferente eu só estava com os olhos arregalados.
O Manson continuou a explicar a matéria, Max se virou para mim e me encarou novamente e eu só consegui esposar um sorriso com os lábios.
O restante da aula se passou bem normal comparando ao começo, depois o Max foi para outra aula de NÃO SEI o que e eu fui para aula de administração, combinamos de nos encontrar no almoço, eu indiquei qual era a mesa e ele disse que me encontraria lá.
Quando cheguei a mesa já estava Carter, Stella e David sentados começando a comer.
- Olá pessoas que estão com tanto sono quanto eu - falei e fui abraçar David e Stella.
- Oi amor - disse David me abraçando.
- Fala linda - falou Stella me abraçando.
- Olá amores - falei já me sentando ao lado de Carter -, como foi as férias de vocês?
- Maneirinha, fomos para Washington - respondeu David.
- Os cemitérios de lá são maneiros - disse Stella e David concordou com a cabeça.
- O que vocês foram fazer em cemitérios? – perguntou Carter.
- Você quer realmente saber? – Stella perguntou abrindo um sorriso.
- Na verdade não!
- Cadê a outra parte do Carmélia?
- Quem Stella? – perguntei confusa.
- Carmélia, e para ser mais rápido de invés chamar Carter, Amélia e Blair chamo logo Carmélia e Blair. É mais prático - me explicou e eu ri - Mas enfim, cadê a Amélia?
- Estou aqui - disse chegando e sentando ao meu lado, eu fiquei no meio dela e de Carter -, como foi horrível a aula com aquela peste, aquilo não merece ser chamado de ser humano, ou até ser vivo porque xinga os animais pobres coitados!
- Me deixa adivinhar, aula com o Jake? -perguntei a sequelada ao lado.
- Infelizmente - ela afirmou.
- Olá - eu olhei em direção a Carter e vi Max sentando do lado dele - encontrei vocês.
- Quem é ele?  -Stella perguntou.
- Stella e David esse é o Max, o novo aluno e morador dessa cidade MARAVILHOSA QUE SÓ TEM GENTE MARAVILHOSA - explicou Amélia gritando a última parte.
- Prazer, DNA perfeito - disse Stella com um sorriso assustador, era muito engraçado esse sorriso dela, o engraçado era que ela chamava a todos assim, por apelidos fofos, e o David nem ligava, mas a gente sabia que esses dois se amam demais.
- DNA perfeito? – perguntei rindo.
- É sim, a classificação de DNA sabe, por exemplo, o David aqui - antes de continuar deu um beijo na bochecha dele - ele tem o DNA relativamente normal, tem pele bronzeada, olhos castanhos e cabelos castanhos. Carter tem o DNA 43% de perfeição porque ele tem olhos claros e cabelos claros também então está na faixa de transição de perfeição. Mas esse aí - apontando para Max - DNA 100% perfeito
Comecei a gargalhar e muito.
- Amei a tua teoria - e voltei a rir – amei – levantei a mão e ela bateu - muito teoria de gênio!
- Então eu sou um DNA perfeito? - Max disse abrindo um sorrisinho - Já me arranjaram vários apelidos, mas esse é novo.
Stella começou a olhar de mim para Max e de Max para mim, apoiou os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos.
- Stella, cuidado com isso - falou David, eu fiquei sem entender nada.
- O que foi, Stella? –perguntei.
- Só pensando em como poderíamos transmitir esse DNA - ela soltou uma risadinha - Posso falar minha opinião Max?
- Pode, sem problemas. Como eu poderia continuar a passar o DNA perfeito? - ele soltou uma risada.
- Blair é uma ótima opção! - me engasguei com minha própria saliva nesse momento, demorei alguns segundos pra recuperar o folego - Tudo bem, Blair?
- Ãrrã. Mas como é esse papo, hein?
- Ora, é fácil, para manter o DNA ele teria que ter filhos com alguém equivalente ou igual e você é o equivalente, seu DNA é próprio para isso, entende.
- Eu só acho que você às vezes e muito direta, Stella! - afirmou Carter morrendo de rir
- Entendi - disse Max olhando pra mim
- Então - começou Amélia, acho que ela reparou no constrangimento que EU estava - como está sendo seu primeiro dia nesse hospício, Max?
- Até agora, muito bom.

(...)

Depois do intervalo constrangedor, teríamos mais dois tempos de aula e depois casinha, quando o sinal bateu fui guardar as coisas no armário, me dirigi ao armário de Amélia para irmos embora
- Então vamos embora? - perguntei já do lado dela.
- Esqueceu o que tem hoje, é? -ela me perguntou, fiz cara de desentendida - Hoje é segunda, dia de folga do Carte, hoje é dia de...
- Treino de basquete - falei mordendo o lábio e a interrompendo -, dia de admirar os bonitões da escola.
- Pra uma nerd, hein- ela disse rindo.
- O quê? Todos me acham Estranha, mas eu posso olha-los, coisa que não machuca ninguém.
- Então vamos logo garota.
Saímos em direção a quadra, no nosso colégio tem três esportes de campeonato, futebol americano, basquete e vôlei. Eu só faço educação física obrigatória, como Amélia. Mais o Carter faz basquete, ele é o segundo em comando no time, e nesses dias de treino são os dias de folga do trabalho de Carter e de Amélia, então ficamos até tarde na escola. A Amélia admirando o Carter jogar, o que me dá nojo, e eu admirando os outros poucos caras bonitos do time, isso não me dá nem um pouco de nojo.
Entramos na quadra e já tinha as garotas com fogo sentadas na frente, Amélia começou a ficar meio nervosa, porque nos duas sabíamos que aquilo era por causa do Carter, tá eu não acho o Carter bonito por que é meu amigo, mas ele é bonito e muito. Antes de eles começarem a namorar o Carter não era pegador, mas as garotas davam muito em cima dele.
- Dá licença, cambada de sem futuro - gritou Amélia abrindo espaço no meio das garotas pra conseguir sentar, a gente sentou na primeira fila, depois de empurrar varias garotas.
- Suas grossas - falou uma garota.
- Mal educadas - gritou outra.
- Idiotas - falou outra, elas começaram a rir.
- Sem namorados - gritou Amélia pra elas, eu comecei a rir no mesmo instante.
- Tá rindo de que, Estranha? -falou uma das garotas
Agora era o momento em que eu fingia ser uma completa doente, eu gostava de atuar como essa estranha pra essas garotas chatas e irritantes, na verdade não estava atuando só estava falando o que pensava, mas pra essas garotas eu era bipolar, às vezes estava rindo com meus amigos e de repente eu era a sinistra.
- Falou comigo? - perguntei pra garota que me chamou de estranha, todas se assustaram comigo e ficaram quietas.
- Eu amo quando você faz isso - Amélia me falou.
- Eu também amo - e começamos a rir.
- Quem são aqueles? -ouvimos algumas garotas falando baixo, viramos pra porta da quadra e lá estavam Max e Dan entrando na quadra.
Eles vieram na nossa direção rindo, os dois, as garotas começaram a se arrumar. E ficaram muito tristes quando eles vieram falar com a gente, estávamos na primeira fileira, onde tem uma grade separando a quadra das arquibancadas, Dan se apoiou nela e me deu um beijo na bochecha escutei alguma falação atrás da gente, mas nem liguei.
- Olá, pessoas - ele disse sorrindo -, tudo bom?
- Oi - disse retribuindo o sorriso, o Dan é muito fofo mesmo.
- Olá garoto irmão do DNA perfeito - Amélia disse rindo e se aproximando dele e falando baixo - que se tornou muito amiguinho da Sofh - e começou a rir.
- É bom te rever Amélia – ele falou voltando a rir.
- Oi Max - eu falei, ele estava parado olhando para o chão até agora.
- Oi - ele olhou pra mim e deu um sorrisinho de lado, cara que sorrisinho irritante ..argh
- O que vieram fazer aqui? - perguntou Amélia.
- Viemos fazer o teste para o time de basquete – Dan respondeu com uma animação de uma criança que vai ver o Papai Noel.
Comecei a rir da empolgação dele, foi engraçado.
- Se vocês realmente querem fazer o teste vão para o vestiário e troquem de roupa, deixamos algumas separadas - gritou Ben, o capitão do time de basquete, ele era um negro bem alto e bem bonito, isso era tudo que eu sabia dele, já que ele também me achava Estranha.
- Ok - respondeu Dan -, até meninas - ele disse e foi embora com Max logo atrás.
- Esse DNA perfeito é bem estranho, né! - Amélia disse após eles estarem a uma distancia considerável.
- É sim-respondi ainda olhando para eles se afastando.
- E você o achou bem interessante, né?! -ela perguntou.
- Por que teria achado? -perguntei me virando para olha-la.
- SEI LÁ – ela gritou - vai ver por que você ficou nervosa com o bei..-tampei a boca dela a tempo
- Cala a boca Amélia ou o Carter vai ficar viúvo antes mesmo do casamento
- Ok, que menina violenta você!
Os meninos voltaram do vestiário, isso ficamos sabendo por que ouvimos suspiros das meninas e olhamos, o Dan estava de uniforme ,o Max estava apenas com os shorts.
- Aí, a blusa não coube em mim. - gritou Max para os jogadores.
- A gente resolve isso, aí Carter empresta a blusa para o novato - gritou Ben.
Carter foi ate o Max e tirou a blusa e entregou para o Max, Amélia assoviou bem alto, aquele assovio com a mão na boca.
- Que isso, hein - ela gritou, Carter olhou pra ela e abriu um sorrisinho e piscou, só ouvi o suspiro de Amélia e logo comecei a rir.
As outras meninas ficam quietas se não iriam apanhar feio da Amélia e eu e que não iria impedir. Max tirou a blusa e aí a arquibancada explodiu
- Lindo!
- Que isso!
- Nossa!
E mais outras coisas que meus ouvidos preferiram não ouvir, Max olhou diretamente para mim, tá eu era a única garota sem namorado naquela arquibancada que não estava gritando para aquele deus nórdico que estava ali, admito o garoto tem potencial, um corpo que nossa, mas eu não ia ficar gritando ok.
Max continuou olhando pra mim enquanto arrumava a blusa para coloca-la, eu desviei o olhar para minhas mãos.
- Ele esta olhando pra cá e sorrindo-cantarolou Amélia
- Eu não me importo-cantarolei de volta, talvez eu ate ligasse. Mas porque ele estava rindo, por quê?  Tinha varias garotas ali, vai rir pra outras, ele nem me conhece. Nem é realmente meu amigo, o Dan tá mais pra ser meu amigo do que ele. Ele devia ser o tipo pegador, ele não tem cara de cafajeste não, mas serio mesmo ele com essas atitudes pra mim tá parecendo um.
- Talvez não! -afirmou Amélia
- O que? - perguntei, ela estava lendo minha mente?
- Talvez ele esteja querendo se aproximar de você, ou talvez não do jeito que eu estou achando.
- E de que jeito você tá achando?
- Isso vamos descobrir depois - ela virou pra mim e piscou, isso deu um certo alivio em mim eu não SEI porque, mas talvez só significa-se que pra minha resposta e pra dela era só esperar.
O teste ate que foi rápido o Dan e o Max jogam muito e juntos muito melhor. Esperamos eles tirarem do corpo aquele futum e fomos embora, Carter levou todos para suas humildes residências.
- Cheguei-gritei ao entrar em casa
- Oi, querida - disse meu pai vindo da sala.
- Oi, pai - afinei a voz no ''i'' e me joguei nele -, tudo bem?
- Tudo, e você como foi a escola?
- Bem - fiz gestos de chicote sendo batidas na minhas costas.
- Dramática - ele disse se dirigindo a cozinha.
- Ô pai, o senhor não deveria estar fazendo o nada lá na sua sala de dono da empresa na sua empresa?
- Amanhã, ok. E quem disse que eu não faço nada?
- Ahn? O quê? - me fingi de desentendida – Cadê a mamãe?
- Tá fazendo alguma coisa na lavanderia - ele respondeu com a cara enfiada na geladeira.
- Nossa, deve estar pintando unha na lavanderia, né, pai - falei sarcasticamente.
- Eu que vou saber - ele tirou a cabeça da geladeira e colocou os braços, voltou com coisas estranhas, mas que davam para fazer um belo sanduiche -, ela foi na rua e voltou resmungando algo sobre uma ladra de alface e desceu pra lavanderia
- Entendi, então eu também quero um sanduiche tá - disse me afastando e piscando o olho pra ele.
- Ninguém te ofereceu - ele respondeu cantarolando.
- Eu sei - respondi cantarolando também.
Fui para o subsolo, o nosso subsolo é uma lavanderia, e lá ficam algumas caixas que guardamos coisas que só usamos uma vez no ano, como a árvore de Natal.
Cheguei minha mãe estava resmungando algo.
- Oi, mãe - a cumprimentei e dei um beijo em seu rosto.
- Oi, meu amor, tudo bom?
- Tudo sim, então o que houve com a senhora? - perguntei me sentando de frente para maquina de lavar que estava mais para um Decepticon nascendo, que troço estranho!
- Sabe quando você acha o alface perfeito? -ela me perguntou enquanto dobrava as roupas.
- Não!
- Sabe, aquele alface que vai ficar perfeito na salada, você olha pra ele e ele olha pra você ,e vocês pensam é você.
- Teve realmente muitos ‘você’ nessa frase.
- Aí você se distrai por um momento, um milésimo de segundo pra pegar a sacola, e aí BUM - ela bateu as mãos e fez um som bem alto com a boca o que me fez pular de susto - A mulher que estava do meu lado - ela continuou rangendo os dentes - pega o alface que você teve um relacionamento.
- O nascimento da ladra de alfaces.
- Exato.
- História triste.
- E verídica - ela afirma voltando a dobrar as roupas -, mas então como foi à escola
- O mesmo coco pisoteado de sempre.
- Alguém te importunou?
- Não.
- Acho bom, mas não rolou nada de engraçado tipo, nada? -ela me perguntou carente de informação. Eu comecei a rir, desde pequena sempre contei tudo para meus pais, nunca tive segredinhos ou coisas que precisasse esconder, minha mãe e meu pai sempre foram meus melhores amigos, e minha mãe adorava ouvir sobre meu dia.
- Não teve nada, só as garotas da torcida querendo se amostrar - fiz cara de vomito.
- Para quem?
- Para o Max e o Dan, lembra, os garotos novos.
- Há sim, sim. Estou lembrada, mas gente que meninos bonitos eles são - ela afirmou – Sinceramente, que olhos bonitos eles tem!
- É pra te enxergar melhor - falei abrindo mais os olhos -, desculpa não resisti.
- Boba - ela disse rindo.
- Mas onde que a senhora os viu?
- A mãe deles, a Sarah, eu encontrei ela no mercado. Ela só começa a trabalhar amanhã e aí trocamos telefones, ela me deu o celular dela e eu o meu para ela ,quando terminei de colocar o número no celular dela, o papel de parede era uma foto dos dois, eu achei eles muito bonitos.
- Entendi, e eles são bonitos mesmo.
- O mais velho ou o mais novo?
- O mais...-me interrompi e a encarei – Sua engraçadinha.
- O quê? Só fiz uma pergunta - ela levantou as mãos demonstrando inocência, entortei o olhar- Ok, admito que queria saber qual você achou mas bonito, que coisa!
- Tá bom, mas então deixa eu te contar tudo mesmo, sobre os dias que vocês passaram fora.
- Como assim, andou me escondendo coisas?
- Não, só que eu não disse sobre mim - expliquei que tinha ficado nervosa quando ele me abraçou e se despediu me dando um beijo no rosto. E que ele sempre fica me encarando, também contei da teoria do DNA perfeito, nessa parte ela riu – E é isso, viu não escondi nada, só não contei para o papai.
- Entendo - ela disse com um sorriso gentil - Bem, parece que ele gostou de você, não é?!
- O que? Como assim? Ele gostou de mim? Mãe, ele nem me conhece?
- Meu amor, se uma pessoa tem uma boa impressão sobre a outra ela vai procurar saber como ela é, depois começam a gostar, é assim que funciona. Você não gosta do Carter e da Amélia?
- Claro.
- Então pronto, ele tem o direito de gostar de você, mas - ela fez uma cara séria - se ele gostar demais aí vai ter que passar por mim e pelo seu pai.
- Ok - respondi rindo.
- As pessoas pedem pra eu fazer um sanduíche e não voltam pra buscar-falou meu pai descendo as escadas chegando onde estávamos.
- Mas eu não pedi pra você fazer sanduiche
- Fui eu-falei me levantando
- Vocês não são moles, né, eu tenho que colocar uma cerca elétrica ao redor da geladeira.
- Ãrrã, tontodo um pai, né morre naum - falei com a boca cheia e não saiu o que eu queria, era pra ser ''concordo, o pai não é mole não'' mas é a vida.
- É o que, sua prima de leprechaun?- falou meu pai, comecei a rir histericamente junto com o minha mãe.
- Desculpa, mas o que seria um leprechaun? –perguntei.
- São tipo os duendes do mal, eles que cuidam do pote de ouro no final do arco íris - ele piscou os olhinhos rápido quando falou íris -, eles adoram cereal.
- E eles dançam assim - minha mãe fez uma dança macabra, que eu fiquei horrorizada.
- O que foi isso, meu Deus? - meu pai e eu perguntamos.
- Foi o leprechaun dançando.
- Não, isso foi um camelo morrendo - meu pai falou.
- Isso foi qualquer ser morrendo, menos um leprechaun dançando - falei.
- Ah para, nem foi tão ruim assim.
- Nada, imagina - meu pai disse -, tá na categoria de dança do Michael Jackson, querida, você manda muito bem - ele fez o sinal de positivo com as mãos.
- Seus chatos, vão ficar sem janta e depois não reclamem - ela disse se retirando, começando a subir as escadas.
- Viu, esse é o mal, o coração das pessoas guarda muito rancor - meu pai disse já começando a subir as escadas.

No final de tudo nós conseguimos nossa janta, e nada como um conversa de mãe e filha pra colocar as ideias no lugar.

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