quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Capítulo 13 - Brigas e pontos

Capítulo 13
Brigas e pontos

- Blair Montello


Segundo dia de aula e eu já estava morrendo, eu acordei sozinha, coisa que não é nada comum. Hoje eu tenho uma aula com a Amélia, Carter e o Max, então decidi que hoje não era um dia ruim para viver.
- Querida - minha mãe entrou em meu quarto cantarolando -, acorde.
- Já acordei - disse me levantando, ela levou um susto me olhando de olhos arregalados.
- Você está bem, filha? - me perguntou enquanto colocava a mão em minha testa, verificando minha temperatura.
- Tô sim, mãe, eu tô...
- Querido, vem cá, a Blair não está nada bem - minha mãe gritou me interrompendo.
Meu pai subiu ás escadas correndo e eu entrei no banheiro pra escovar os dentes.
- O que foi querida? – meu pai perguntou entrando no quarto.
- Sua filha acordou sozinha – minha mãe explicou.
Eu sai do banheiro cheia de baba branca na boca e sorri para o meu pai.
- Também, olha lá – ele apontou pra mim e minha mãe me olhou –, tá com raiva, tadinha. Que cachorro que te mordeu meu amor? – ele perguntou vindo até mim e apertando minhas bochechas.
- Valeu – falei dando uma risada sarcástica e mostrando o polegar pra ele, enquanto ele e minha mãe riam da minha cara.
Fui ao banheiro e cuspi tudo.
- Vocês são comediantes, sabiam?
- Sim sabíamos! – afirmou minha mãe – O café tá na mesa.
- Ok – falei trancando a porta do banheiro indo me arrumar.
Depois de me arrumar desci e fui tomar meu café. Quando já estava terminando meu celular começou a tocar, era o Carter. Atendi logo.
- Oi, Carter, eu já estou pronta e...
- Eu não vou poder ir hoje pra escola, desculpa.
- O que houve, Carter?
- Nada não, eu só nã...
- Estou indo pra sua casa, tchau.
Desliguei o celular, eu já sabia o que tinha acontecido. Carter nunca faltava à escola, era um garoto muito responsável, se ele faltava era algo muito sério. E a única coisa que o fazia faltar era problemas em casa.
- Gente, estou indo pra casa do Carter – falei colocando meu tênis.
- Quer que eu te leve, querida? – meu pai me perguntou.
- Não, tá tranquilo!
- Se acontecer algo vo...
- Eu te telefono, pode deixar.
Mandei um beijo pra cada e sai de casa, andei o mais rápido possível. A casa do Carter ficava na rua de trás, era só andar bem rápido e se chegava rápido.
Cheguei a frente de sua casa e só havia o carro do Carter, então a precursora do acontecimento já tinha ido embora, como sempre.
Bati na porta, e Carter logo a abriu.
- Oi – ele disse, eu reparei que o lado esquerdo de seu rosto estava vermelho.
- Por que seu rosto está vermelho, Carter?- perguntei com raiva.
- Você sabe o porquê – ele respondeu com o olhar triste, eu o abracei forte – Você pode falar com a Lily? Ela não me deixa entrar no quarto!
Lily, a irmã mais nova do Carter, eu a adorava, na verdade todos a adoravam. Ela só se trancava no quarto quando aconteciam as brigas entre seu irmão e sua mãe.
- Tudo bem. Vou ligar para Amélia antes.
- Não, Blair – ele falou tomando o celular da minha mão –, ela não precisa ficar se preocupando com isso.
- ISSO É SUA VIDA – gritei – Carter por que você namora com a Amélia?
- Blair, não começa você sabe que eu...
- Que você a namora por que ela se preocupa com você – o interrompi – Muito mais que eu, por que ela te protege como você a protege. Por que ela não se importa de ficar uma noite inteira acordada se for para o seu bem, ela se preocupa e te ama. Agora você vai me devolver o celular e eu vou ligar pra ela. Por que não e só a Lily que precisa de alguém para conversar.
Ele hesitou no começo, mas me devolveu o celular.
Comecei a subir as escadas para ir ao quarto de Lily e já ligando para Amélia.
- Fala aí – ela atendeu alegre.
- Casa do Carter – falei rápido.
- Estou indo – ela respondeu, sua voz já preocupada.
Desliguei o celular e me direcionei ao quarto de Lily, tentei abrir, mas estava trancada. Bati na porta e ninguém respondeu.
- Lily, sou eu, a Blair, eu pos... – antes de terminar de falar ela abriu a porta e me abraçou. – Oi, querida! – falei acariciando sua cabeça.
- Oi, Blair – ela falou, senti minha blusa ficando molhada.
- Vamos entrar?
- Ãrrã.
Entramos no quarto dela, seu quarto era colorido e cheio de coisas rosa. O único lugar da casa realmente arrumado. Carter trabalhava duro para poder dar o máximo de conforto para Lily.
- Quer conversar? – perguntei quando nos sentamos em sua cama.
- Ela bebeu de novo e depois tentou brigar comigo. É aí o Carter começou a brigar com ela e então eu subi correndo para o meu quarto.
Deveria ser horrível aguentar o que ela aguentava apenas com 10 anos, e eu tentava entender ao máximo.
- Tudo bem, querida, é sério agora está tudo bem. Se você quiser pode ficar em casa. Eu, o Carter e a Amélia ficamos aqui.
- A Amélia está aqui? - ela perguntou com os olhos brilhando. Ela realmente gostava da Amélia, senti vontade de sorrir, mas tinha que usar isso a meu favor.
- Que olhinhos brilhantes são esses? Você por acaso gosta mais dela do que de mim? – falei me levantando – Agora você me paga – fui pra cima dela e comecei a fazer cócegas nela, ela gargalhou e começou a chorar de tanto rir, quando vi que ela não conseguiria ficar mais vermelha parei.
Ela ficou rindo por alguns momentos ainda, mas isso não iria melhorar seu dia. Então me lembrei de uma coisa, crianças adoram um segredo e ficam felizes quando nós confiamos algo íntimo e secreto para elas, o mais importante, se fizermos elas prometerem elas guardaram esse segredo até o fim de suas vidas.
- Lily, você pode guardar um segredo pra mim? – perguntei abaixando a cabeça para ver seus olhos.
Ela levantou a cabeça toda feliz, se sentou de frente para mim.
- Posso sim Blair, pode confiar – ela disse sorrindo.
- Promete que não vai contar para ninguém na face da Terra?
- Tá prometido.
- Então tá – falei, já estava mais feliz de vê-la sorridente –, você sabe o garoto novo que chegou à cidade?
- Sim, o Carter me contou, é um novo amigo, não é?!
- Sim, o nome dele é Max. Er... bem, eu fico nervosa toda vez que ele aparece.
- Sério? – ela falou assustada – Você gosta dele? – ela perguntou todo sorridente.
- Eu não sei – respondi com sinceridade.
- Prometo que não vou contar para ninguém, mas você promete que quando descobrir me conta?
- Prometo – falei e a abracei bem forte –, e então você não me respondeu, vai ficar em casa ou não?
- Não, quero ir para escola, hoje a minha amiga Katy vai levar seu novo brinquedo pra gente ver.
- Sua interesseira – falei e começamos a rir.
- Sou nada, tá bom.
- Ãrrã sei, então vai se arrumar.
- Tá – ela falou e foi correndo trocar de roupa. Depois penteei seu cabelo e descemos as escadas para encontrar Amélia e Carter se beijando.
Olhei para Lily, ela já sabia o que eu estava pensando, ela só assentiu.
- ECA, QUE NOJO – gritamos juntas.
Eles pararam de se beijar, Amélia enterrou sua cara no peito de Carter enquanto ele olhava para gente rindo.
- Muito engraçadinhas vocês – ele resmungou.
- Sempre!
- Amélia – falou Lily já pulando em cima dela.
Amélia se virou logo que ouviu seu nome.
- Oi, Lily – Amélia respondeu toda feliz, se abaixou e a abraçou –, você está bem?
- Sim, a Blair me animou.
- Como sempre – Amélia e Carter falaram juntos enquanto eu e Lily riamos.
- É o meu dom – me gabei andando em direção a eles.
Carter abraçou a mim, Amélia e Lily.
- Eu amo vocês, sabiam? – ele perguntou.
- Sabíamos – respondemos juntas devolvendo o abraço.
- Carter, assim você parece até pai de família - falei e começamos a rir.
Escutamos uma buzina, Carter foi até a porta.
- Só um momento Sra. Dolts – ele gritou e voltou até onde estávamos e se abaixou em frente à Lily –, hoje quem vai te levar é a Sra. Dolts ok?! Eu pedi para ela te levar hoje se não eu vou chegar atrasado na escola.
- Tudo bem – ela respondeu com o olhar meio triste.
- Mas hoje à tarde você vai me ajudar na locadora – Amélia se abaixou também, fazendo Lily sorrir.
- A Blair também vai? – ela perguntou e se virou para mim
- Tá brincando, não perderia por nada – falei sorrindo.
Ela se despediu de nós e foi para o carro correndo.
- Então... – eu comecei – vamos para escola?
- Vamos sim – Carter confirmou abraçando Amélia de lado.
- Então vamos.
- Cara, eu esqueci de falar com o Max, que vacilo. Eu iria buscar eles hoje também.
- Relaxa a gente explica pra eles – Amélia disse enquanto o Carter fechava a porta.
Virei-me pra rua e vi um carro chegando, ele estacionou de frente para casa do Carter, de onde saiu Dan e seu irmão.
- Acho que a gente pode falar agora – os informei.
- Oi, gente – falou Dan.
- Eu tentei ligar pra você para avisar que estava tudo certo com o meu carro. Mas você não atendia. E bom dia gente – falou Max.
Carter pegou o celular do bolso.
- Cara, tá descarregado, eu nem percebi – ele explicou tentando ligar o celular – Mas valeu, é que aconteceram umas paradas aqui em casa.
- Relaxa, cara, só estava vindo mesmo para avisar.
Pensei rápido, eu deveria ter pensado mais devagar para não ter feito BESTEIRA.
- Bom, então vamos para a escola, né! – eu falei super animada – Eu vou com o Max e o Dan e vocês vão juntos, então vamos – nem deixei eles responderem e fui para o carro do Max.
- Blair – Carter me chamou, mas daquele modo tipo “você tá fazendo besteira” –, não precisa disso, eu estou bem.
- Eu sei, por isso você precisa de um tempo a mais para conversar com a Amélia, aproveita.
- Você também pode conversar, tá. Se quiser! Já que agora são nossos amigos, eles podem saber.
- Ok – falei sorrindo –, vamos logo meu povo!
Eles entraram nos seus respectivos carros, só que o Dan entrou na porta de trás, então seria estranho se eu sentasse atrás junto com ele. Então eu tive que sentar ao lado do motorista, o que foi muito triste, pois o motorista era o MAX.
- O Carter tá legal mesmo? – Dan me perguntou.
- No primeiro ano nessa cidade, como vocês sabem as pessoas invadiam com mais frequência a minha casa, por culpa do Jake. Carter foi um deles, mas ele acreditou em mim como você, Max – olhei para ele no exato momento em que ele olhou rapidamente para mim –, claro que depois dele levar uma porrada minha, óbvio. - ri um pouco - Mas depois disso nos tornamos amigos bem rápido mesmo, eu e Carter nos grudamos. Um dia eu estava voltando pra casa do mercado e decidi passar pela rua de trás, a rua da casa do Carter, no momento em que passei em frente a casa dele escutei ele brigando com uma mulher, depois de uns dois minutos a mulher saiu, entro no carro e foi embora. Carter logo saiu, ele levou um susto a me ver ali, eu fui e perguntei se ele estava bem. Ele desabou em cima de mim, começou a chorar e a me contar tudo. Sua mãe foi casada e teve ele dois anos após o casamento, depois de 8 anos ela teve outra filha, a Lily, após 6 meses do nascimento de sua irmã o pai deles foi embora de casa, disse que tinha encontrado uma vida melhor em outro lugar. A mãe dele virou alcoólica logo após isso, trabalha e só utiliza seu dinheiro para isso, beber. Carter começou aos 13 anos a trabalhar para conseguir sustentar a casa, para sustentar sua irmã, o Charlie foi um pai para ele, ajudou e ajuda ele até hoje. E toda vez que ele tá mal, por que brigou com sua mãe, eu e Amélia sempre percebemos e vamos ajuda-lo com o que conseguimos, principalmente com a Lily que só tem 10 anos.
O carro parou e eu senti uma mão começar a limpar meu roso, limpar minhas lágrimas. Toda vez que me lembro do esforço, da luta e do sofrimento que Carter passa eu sinto vontade de chorar, mas dessa vez não percebi que tinha começado a chorar. Virei à cabeça e Max estava limpando minhas lágrimas com seus polegares.
- Não fique assim – ele disse dando um sorriso triste.
- Agora ele pode contar com a gente também, deixe avisado – Dan falou chegando para frente, para eu poder ver seu rosto.
- Ok – falei rindo e terminando de secar as lágrimas.
Max deu partida no carro e voltamos ao caminho da escola, ao qual logo chegamos. Me recompus e sai do carro com uma felicidade na cara que não estava dentro de mim.
- E vamos lá, mais um dia nessa coisa – falei sorrindo apontando para a escola.
Dan saiu do carro e se encostou a ele e ficou observando o estacionamento.
- Dan, a Sofh só estaciona do outro lado – falei e comecei a rir.
Max saiu do carro e se encostou a ele perto de mim, eu ficando no meio dos dois, e ele também riu.
- Obrigado pela informação, mas não precisava Blair – ele falou me encarando.
- Desculpa, não sabia que ela já tinha te contado – ele estava observando o estacionamento, quando falei isso ele pareceu levar um susto, eu e Max começamos a gargalhar. Foi aí que o carro de Carter chegou. Fui até o carro dele e me debrucei na janela de Amélia
- Amiga, seu cabelo tá bagunçado – falei, ela começou a arrumar o cabelo desesperadamente enquanto eu morria de rir.
- Amélia não tem nada bagunçado, ela tá zoando com a sua cara. – Carter esclareceu enquanto eu morria de rir da reação da garota.
- Sua idiota – Amélia falou estreitando os olhos.
- A idiota que te deixou desesperada.
Eles saíram do carro e decidimos ir logo para a aula, já que estávamos quase que atrasados. Minha primeira aula era com Stella. Max também teria aula de química, só que com outro professor, assim ele me acompanhou até o meu laboratório.
- Então a gente se vê na próxima aula, né?!
- Álgebra avançada, eu acho que sim.
- Ok, até. – ele disse me deixando na porta.
Entrei e achei minha dupla na penúltima bancada da sala.
- Bom dia, amor – falei sorrindo.
- O que houve para você estar tão feliz? – Stella perguntou fechando o livro que estava lendo.
- Tô tão feliz não, mas tem que tentar, né!
- O que houve?
- Carter.
- Aquela mulher bebeu de novo?
- Sim.
- Eu já indiquei uma ótima saída para essa mulher – ela disse abrindo novamente seu livro.
- Não, Stella, nós não vamos fazer vudu para ela.
- Ah droga, você estraga a graça de tudo.
O professor de química, Rubens, começou a explicar a experiência que faríamos hoje.
- Stella – sussurrei-, você já reparou que velho tem nome de velho? – falei indicando com a cabeça o professor.
- Sim, parece que os pais deles não percebiam que eles eram novos, mas queriam que quando velhos o nome combinasse.
- Sim, isso é muito estranho.
- Igual nome de mulher que combina com Dona, tipo Dona Gladys. Isso é super esquisito.
- Sim – afirmei e voltamos a prestar atenção no professor.
A experiência não era tão difícil, mas nem todos achavam como o Ben, ele ficou meio esverdeado. Passou pelo chuveiro de química, o bom que não aconteceu nada de tão grave. E como todos são ótimos companheiros de classe todos gravaram um vídeo e postaram no youtube.
Logo depois veio a aula de álgebra, entrei e fui logo sentar no meu cantinho escuro.
- Fiquei sabendo da pequena explosão que teve no seu laboratório – Max me falou quando sentou ao meu lado.
- Nossa! Você já viu o vídeo?
- O pessoal me mostrou, ele ficou bem verde!
- Sim, ficou! – falei rindo.
- Mas você está bem, né?!
- Estou – falei um pouco assustada com sua preocupação.
A professora começou a colocar matéria no quadro e depois saiu, isso era bem normal para a professora Carmen, ela sempre fazia isso, se retirava pra tomar um cafezinho e ver Animal Planet - o canal da descoberta - na sala dos professores.
- Você entendeu alguma coisa? – Max me perguntou, só que ele não estava com cara de que não tinha entendido a matéria do quadro e nem tinha ficado surpreso com a saída repentina da professora.
- Você não parece ser alguém que não entende as coisas!
Ele sorriu para mim.
- Ponto pra você.
- Como assim ponto pra mim?
- Você marcou mais um ponto comigo.
- Ah é? - falei cruzando os braços – Eu tenho pontos com você? Nossa, como eu sou sortuda, né! Quantos pontos eu tenho com você?
- 5
- Uau, isso tudo, que orgulho de mim mesma.
- Isso mesmo – ele falou encostando-se à cadeira e me encarando – E eu, quantos pontos tenho com você?
Parei para pensar por um segundo.
- 3
- E foi pelo que?
- Por você ter se desculpado, ter acreditado em mim e por ter feito um belo curativo em mim – falei sorrindo.
- Ok, então – ele se virou e continuou a copiar a matéria, parecia que ele tinha ficado triste com a quantidade de pontos que tinha ou teria sido com como ele fez os pontos? Mas eu tinha acabado de contabilizar os pontos. Eu queria era saber a quanto tempo ele estava contabilizando os pontos! E que bostas de pontos eram esses?
- E eu?
- Você o que?
- Como eu consegui meus pontos?
Ele se aproximou do meu ouvido.
- Segredo – ele sussurrou, depois dessa fico quieta.
Carmem voltou depois de um tempo para liberar a turma.
- É sem..
- Sim, ela sempre libera a gente cedo - completei sua fala a afirmando enquanto saiamos de sala.
- Max - alguém gritou, viramos no corredor e Ben estava vindo correndo.
- Cara - Max falou quando Ben se aproximou -, você tá verde mesmo, eu pensei que fosse efeito do vídeo - e começou a gargalhar e Ben o acompanhou. Amélia tinha razão, homens fazem amizade fácil! Eles tinham acabado de se conhecer, e já estavam assim, zoando como se fossem antigos amigos.
- Foi cara, mas aí eu fui liberado das aulas e como não tenho nada pra fazer, quer treinar um pouco?
- Claro - Max respondeu.
- Eu vou ficar no refeitório, tá! - falei e me direcionei para o mesmo.
- Ei, espera aí! - Max segurou minha mão - Ela pode vir junto, né, Ben?!
Ben me olhou com os olhos estreitos
- Claro, pode sim!
Caraca, eu não acredito, eu jurava que ele iria me matar! Fomos pra quadra, eles foram se trocar e eu fui pra arquibancada com a mochila do Max.
Eles logo saíram e começaram a jogar e eu não conseguia parar de olhar para o Max. Ele era um jogador muito habilidoso, rápido e marcava três pontos fácil. Mas o Ben também era um bom jogador, só que não conseguia prender minha atenção por tempo indeterminado como o Max, não como ele fazia.
Desisti de tentar parar de olhar para Max e peguei um livro em minha mochila. Era a primeira vez que eu não prestei atenção no nome do livro, no capítulo, na página e nem nas palavras. Eu lia e relia e não conseguia entender, minha mente estava em outra parte, em outra pessoa. Espiei por cima do livro e no exato momento em que eu olhei o Ben roubou a bola de Max e estava indo fazer uma cesta, ao invés de impedir Ben ele olhou pra mim. De baixo a cima, quando chegou em meus olhos ele não se surpreendeu comigo, ele apenas sorriu.
- 6 a 4.
- O quê? - Ben perguntou confuso.
- É melhor a gente ir tomar banho, já deve estar na hora do intervalo.
- Ok, vamos lá.
Guardei meu livro, peguei a mochila de Max e esperei na porta que dava para o corredor das salas de música. Ben saiu pela porta que dava para o outro corredor, Max me procurou na arquibancada.
- Eu quero saber - ele se virou pra mim - o que te leva a pensar que conseguiu mais um ponto comigo? - perguntei jogando a mochila nele.
- Você me pegou no flagra, enquanto eu te observava - ele explicou rindo, eu acho que aquela frase estava invertida, mas deixa pra lá.
- Ah bom! - afirmei meio desconfortável.
- Ficou com raiva só por que eu marquei um ponto pra mim na sua contagem de pontos? – ele perguntou - Eu achei que não se importasse!
- E não me importo - falei me virando para o outro corredor.
Que porcaria essa, primeiro eu acho uma coisa idiota essa parada de pontos e depois fico com raiva por que ele marcou um ponto! Argh, que idiotice Blair!
- Espera! - ele segurou meu braço e eu me virei - Você está com raiva?
- Er... bem, acho que não - falei abaixando a cabeça e tentando fazer com que meu cabelo cobrisse meu rosto. Mas não funcionou, pois Max retirou o cabelo de meu rosto e levantou ele pelo queixo.
- Mesmo? - ele me perguntou - Por favor, não fique com raiva, prometo nunca mais me meter na sua contagem! - ele falou rindo e eu ri junto.
- Combinado. - falei - É melhor irmos logo, estou morta de fome!
- Ok, então vamos - ele se virou e eu enrolei meu braço no seu, sempre fazia isso nas pessoas que eu confiava, principalmente nos meninos. Mas eu não tinha certeza se confiava no Max, só que eu queria tanto estar a pelo menos um centímetro mais perto dele que não me importei de não confiar tanto assim nele. Mas eu realmente tinha um pressentimento de que ele seria uma das pessoas que eu mais confiaria no mundo, mas eu queria ter certeza, logo.
Chegamos à mesa e todos já estavam sentados.
- Oi, gente - falei me sentando ao lado de David e Max na minha frente ao lado de Amélia.
- Olá pessoas que apareceram juntas - falou Stella rindo.
- Oi, Stella - Max a cumprimentou.
- Oi, DNA perfeito - ela disse sorrindo.
- Gente, atenção - Amélia falou batendo as mãos -, eu tive uma ideia para esse fim de semana!
- Vamos sacrificar a Luce Pennet no monte Vesúvio? - David perguntou mastigando um canudinho de cenoura.
- Foi tão ruim assim a aula com ela? – perguntei.
- Não foi ruim - ele falou se virando pra mim -, só foi varias palavras que seus tímpanos não merecem ouvir.
- Entendido.
- Mas qual é a ideia Amélia? - Carter perguntou.
- Que tal irmos à praia? Podemos aproveitar sua folga no sábado e até levar a Lily já que nas férias ela teve que ficar com a Sra. Dolts por causa do seu trabalho.
- Claro, eu topo - ele disse alegre.
- E vocês? – Amélia perguntou.
Assim como Stella eu estava de boca aberta.
- De jeito nenhum! – afirmei.
- Claro que não! - Stella disse.
- Nem pensar, Amélia, sabe que eu odeio o Sol - falei.
- Ele é quente e insuportável - Stella falou.
- Parem com isso vocês duas - Amélia falou determinada - Essas férias a Blair ficou trancada dentro de casa, Stella e David viajaram e eu e Carter trabalhamos, esse é nosso ultimo ano aqui! Vamos aproveitar sim, ok!
- Não - eu e Stella falamos juntas.
- Vamos fazer uma votação - Carter sugeriu - Eu voto em sim, Amélia também. E você Max?
- Eu? – ele perguntou confuso.
- Sim, você agora faz parte disso aqui cara, até das discussões políticas. E aí?
- Sim, sem problemas.
- Ótimo, está 3 a 2. David?
- Sou neutro - David respondeu.
- Vencemos - Amélia comemorou.
- Nada disso, - Stella falou - o neutro vai para os que estão perdendo. Ficou empatado.
- A gente desempata isso agora - Amélia olhou ao redor e deu muita sorte, pois Dan estava passando naquele momento - Dan, quer ir a praia esse fim de semana?
- Claro - ele afirmou sorridente como sempre – Tchau, gente - e continuou seu caminho.
- Injustiça - Stella reclamou.
- Pode ser considerada uma abominação – falei.
- Uma injustiça - Stella continuou.
- Uma...
- Eu entendi, vocês não gostaram, mas vão mesmo assim. Nem que eu tenha que buscar vocês em casa.
- Vocês não sabem onde fica minha casa - Stella falou sorridente.
- O David me ajuda, ele é neutro - Amélia falou mais sorridente que Stella.
- Não vai, não! - Stella falou desesperada – Né, David?!
- Hum? - David pergunta.
- David - Stella chamou.
- David - Amélia chamou também.
Stella arrancou o canudinho de cenoura que estava na boca de David.
- Você não vai ajudar a Amélia, né?!
- Vai sim, né, David?! - perguntou Amélia.
- Parem com isso - exclamei, agarrei a cabeça de David e coloquei em meu ombro o abraçando - ele é só uma criança, não podem colocar pressão nele.
- Concordo com a Blair - ele disse.
- Nisso você não fica neutro, né seu filho da mãe! - Stella resmungou comendo a cenoura de David.
- Minha cenoura - ele choramingou.
- Já era - Stella respondeu com raiva.

(...)

Quando saímos da escola fomos direto para locadora da avó de Amélia, onde Sra. Dolts iria deixar Lily.
- Chegamos – Amélia disse logo ao entrar na locadora, onde encontramos Lily sentada no balcão sendo mimada pela Dona Alexis, a avó da Amélia.
- Vocês chegaram – Lily gritou pulando do balcão e indo abraçar, como Stella diria, Carmélia.
- Oi, Dona Alexis – falei indo abraça-la –, como a senhora está?
- Ótima, querida – ela disse rindo – AMÉLIA, CUIDE BEM DA MINHA LOCADORA – ela gritou indo para porta.
- Sim, vovó - ela disse sem nenhum entusiasmo.
- Tchau queridos e Lily se precisar de qualquer coisa vá até minha casa, isso vale para você também Carter.
- Obrigado, Dona Alexis – Carter agradeceu.
- Ok – ela disse rindo – Tchau – e foi embora.
- Então, a locadora é toda NOSSA – Amélia gritou deixando Lily super animada.
- Mas eu tenho que ir trabalhar – Lily parou de pular no mesmo instante que Carter disse isso.
- Mas já? – ela perguntou triste.
- Eu sinto muito, mas eu tenho que trabalhar.
- Eu sei.
- Se divirta com elas - ele deu um beijo na testa da Lily, deu um beijo em Amélia e veio até mim – Cuida delas tá, sei que é a única responsável aqui – ele falou no meu ouvido enquanto me abraçava.
- Pode deixar – falei rindo –, tome cuidado.
E assim ele foi embora.
- E agora? – Lily perguntou.
- Podemos ver o filme que você quiser e comer o que quiser! – Amélia falou.
- Só nos três?
- Podemos chamar a Stella, que tal? – sugeri.
- A Stella é super maneira – ela começou a gritar – chamem ela, por favo-or – ela disse de joelhos com as mãos entrelaçadas e com um sorriso.
- Ok, vou ligar pra ela – disse.
Liguei para Stella que concordou na hora em vir, depois arrastamos a televisão que fica nos fundos da loja para trás do balcão e colocamos o desenho A Origem dos Guardiões. Stella chegou no momento em que terminamos de arrumar tudo.
- Stella – Lily gritou correndo até ela.
- Lily – Stella a pegou no colo e saiu rodando.
- Por isso que a Lily gosta dela – Amélia falou terminando de ajeitar os fios da tv.
- Não fique com ciúmes Amélia. – falei rindo.
Sentamo-nos atrás do balcão, às vezes aparecia alguém e Amélia o atendia, Lily terminou dormindo na metade do filme.
- Eu vou telefonar para o David vir me buscar – Stella disse quando terminamos de ver o filme, já eram 20:30.
- Ok, Blair, você se importa de ficar comigo até o Carter chegar para nos buscar? – Amélia me perguntou.
- Claro que não.
Amélia foi ligar para Carter enquanto eu ajeitava Lily que estava dormindo em meu colo.
- Já liguei – Amélia voltou depois de um tempo – ele disse que vai trabalhar até mais tarde e não vai poder vir buscar a gente, então ele pediu para o Max vir nos buscar. A Lily vai dormir na minha casa hoje, até a poeira abaixar na casa deles.
- Entendi.
Stella voltou rindo, um riso que não era anormal nela, mas para pessoas normais sim.
- O David já está vindo – ela avisou.
- Por que você estava rindo daquele jeito? – perguntei.
- Por nada não – ela respondeu diabólica – o Carter já esta vindo?
- Não, ele vai trabalhar até mais tarde, quem vai nos buscar é o Max.
- O DNA perfeito? – ela perguntou e Amélia assentiu – Nossa, ele já esta assim, participando de tudo.
- Stella, você não sabe nem da metade! – Amélia disse rindo.
- Como assim?
- Pronto – falei –, outra pra ficar zoando de mim.
Amélia contou todos os detalhes pra Stella, tudo sobre as férias.
- Obrigada Blair por me deixar de fora, tipo, de tudo.
- Para com isso!- falei – Eu ia te contar.
- Quando vocês já estivessem noivos, né?! – Stella perguntou e Amélia caiu na gargalhada
- Que ridículo, só foi isso que rolou e mais nada e que parada é essa de ficar noivos, sua maluca?
- Do jeito que está – ela começou a rir.
Ouvimos uma buzina e Stella foi verificar.
- Minha carona, tchau pessoas! Até amanhã – ela disse e saiu.
- Vou fechar a loja, quando o Max chegar a gente vai embora direto – Amélia me explicou.
- Tá.
Ela fechou rapidinho a loja, arrumou toda a bagunça e pegou nossas mochilas e logo o Max apareceu.
- Oi, meninas – ele disse de dentro do carro – Querem ajuda?
- Eu quero – falei carregando a Lily que estava bem pesada.
Ele saiu do carro e pegou Lily do meu colo a colocando no banco de trás deitada, Amélia entrou e se sentou no banco de trás colocando a cabeça da pequena em seu colo.
- Valeu – agradeci e entrei no carro
- Não foi nada – ele disse ao entrar no carro e começou a dirigir. Ficamos em silêncio, chegamos rápido na casa de Amélia. Ela foi abrindo as portas enquanto eu entrava com sua mochila e a mochila de Lily e Max a carregando para o quarto de Amélia.
- Muito obrigada, Max – Amélia agradeceu.
- De nada – Max disse sorrindo.
- Agora, por favor, me leva logo pra casa – pedi – já é quase 22h,e meus pais vão me matar se eu não chegar antes das 22h.
- Tá claro, tchau Amélia – ele se despediu.
- Tchau Amélia – dei um abraço rápido nela e corri para o carro.
Logo que entrei Max deu partida no carro e foi em direção a minha casa.
- E aí, animada para o fim de semana? – Max me perguntou rindo.
- Nem me fale - me afundei no banco – Eu odeio o Sol, o calor, o verão e tudo a ver com isso, principalmente praias.
- Quanto ódio para uma pessoa só – ele riu –, praias são legais.
- Não são, e as pessoas lá também não são.
- Você nunca foi com a pessoa certa.
- E o senhor é a pessoa certa? – perguntei me virando para ele.
- Com certeza – ele disse estacionando –, vou te provar isso no sábado.
- Ok senhor ‘’pessoa certa’’ – disse rindo, me virei e peguei minha mochila no banco de trás – valeu pela carona.
- Quando quiser senhorita ódio.
- Obrigada – disse rindo –, até amanhã.

- Até. 

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