quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Capítulo 14 - Uma bola de biquínis

Capítulo 14
Uma bola de biquínis
- Blair Montello

Infelizmente a semana se passou bem rápido.
Muito mesmo, quando me dei conta já era sexta-feira, dia de educação física. Dia de vôlei, sempre gostei de esportes! Já pratiquei vôlei, natação e tênis. Mas eu ODEIO com todas as minhas forças fazer esporte na escola, e hoje era o dia, como eu odeio a sexta.
O bom era que eu fazia com Stella e Amélia. O ruim era que dividíamos a quadra com os meninos. E a porcaria do short de vôlei era curto, isso era um saco.
- Como o campeonato de basquete está próximo nós vamos dividir a quadra com os meninos, então um grupo não vai poder jogar. Sendo assim...
- Eu estou me candidatando a ser a capitã do pessoal da arquibancada - Stella diz interrompendo o professor.
- Stella, você conseguiu fugir de quase todas as aulas esse ano, mas não dessa vez! Você irá jogar e ponto final, e você também Blair - o professor falou quando eu já estava me direcionando para arquibancada -, quando está valendo ponto vocês são ótimas jogadoras, mas quando não eu só vejo vocês na arquibancada.
- Professorzinho do coração, por favor, me deixa fora dessa vez - pedi quase me ajoelhando.
- Não, agora para quadra. – ele mandou e fui me arrastando.
- Qual é, gente? Vamos lá, vôlei é maneiro e eu quero acabar com o outro time - Amélia falou tentado encorajar a mim e Stella.
O professor dividiu a metade da metade da quadra com a rede e começamos a jogar, eu Stella e Amélia no mesmo time junto com mais três garotas. E no outro time a mesma quantidade.
Elas começaram a jogar e toda vez que a bola ia para mim eu a deixava passar, já era o 4° ponto que marcavam em cima de mim. E na Stella já tinha sido 2 pontos.
Estava 6 a 2.
- Ai - Amélia gritou caindo no chão. Fomos correndo até onde ela estava, Carter que estava do outro lado da quadra jogando veio também correndo.
- O que houve? – o professor perguntou quando chegou.
- Meu dedo - Amélia mostrou seu polegar e ele estava torto.
- Deve ter rebatido de mau jeito - a garota que tinha jogado para Amélia, uma tal de Miley, disse com uma cara de deboche.
- Vou te levar pra enfermaria - Carter falou a pegando no colo.
- Obrigado Carter, meninas terminem o jogo - o professor disse -, eu vou acompanhar Amélia até a enfermaria.
- Blair, a Amélia é uma ótima jogadora, ela não teria rebatido errado. -Stella falou perto de mim.
- Eu sei, essa garota deveria estar planejando isso, só podia ser do grupinho da Lucy.
- Ela merece um presentinho em troca - Stella disse sorridente.
- Jogando pra valer? – perguntei.
- Com certeza – afirmou.
Uma garota entrou no lugar da Amélia, ela ia sacar.
- Eu posso sacar? - perguntei.
- Tanto faz - ela disse me jogando a bola.
Fui para a linha de fundo e saquei logo marcando um ponto.
Os garotos do basquete aplaudiram e eu escutei um assovio, olhei para o lado e era Max rindo.
Saquei novamente e a Miley conseguiu rebater, mas Stella era perfeita na defesa, e mais 1 ponto para o nosso time, dessa vez quem assoviou foi David. Os jogadores pararam de treinar depois que Carter saiu e ficaram assistindo nosso joguinho ‘’amigável’’. Dessa vez quem sacou foi Stella, uma outra garota rebateu, Lina do meu time jogou pra cima e eu devolvi a bola com força batendo na coxa de Miley e marcando um ponto.
- Au - ela gritou.
- Opa - falei -, machucou?
- Nada - ela falou com a cara fechada.
- Que pena! - falei para ela que estava bem próxima a rede assim como eu -, não mexa com meus amigos, ouviu bem?
- UH - os garotos do basquete soltaram ao ouvir minha ameaça.
Jessi do meu time foi a próxima a sacar, Nanda do time adversário se jogou no chão e levantou à bola, Miley rebateu a bola tentando marcar ponto em cima de mim, mas devolvi de manchete, ela rebateu e Stella deu um basta defendendo e quase acertando o rostinho de Miley, mancha feia iria ficar se tivesse acertado.
- Cuidado - Miley gritou.
- Com o que? - Stella perguntou se controlando - Com o soco que ...
- Calma - disse a afastando da rede - Eu saco - falei para Jessi que iria sacar novamente, mas ela percebeu que pra mim e Stella aquilo tinha ficado pessoal.
Saquei e elas conseguiram defender quase marcando ponto, mas quase pois a defesa de Stella era realmente imbatível, defendeu bem marcando mais um ponto no exato momento em que o sinal para o fim da aula bateu, tínhamos ganhado.
O time de basquete aplaudiu e comemorou junto com as meninas do nosso time.
- Acabaram com ela - falou David indo beijar Stella.
- Obrigada – agradeci.
- Que jogo - Max disse se aproximando de mim -, parabéns!
- Nós funcionamos bem quando queremos.
- Sim, eu reparei! Antes vocês estavam péssimas.
- Vamos logo tomar banho e ir ate a enfermaria ver Amélia.
Todos concordaram, fomos tomar um banho, eu peguei a mochila de Amélia e me encontrei na porta da quadra com eles e partimos para enfermaria. Entramos e encontramos uma Amélia chorando de rir e um Carter idiota com mascara de cirurgia (perguntinha: por que tem uma mascara dessas aqui? E uma enfermaria de escola!) com uma tesoura na mão fazendo palhaçada.
- Oi, gente - falei entrando.
- Oi, Blair - Amélia falou tentando controlar a respiração. Cheguei próximo dela e coloquei sua mochila na maca que estava sentada.
- Olá, senhorita - Carter falou em meu ouvido com a voz abafada pela mascara -, gostaria de uma cirurgia no seu cabelo? - ele abriu e fechou a tesoura na minha frente.
- Chega perto do meu cabelo e eu vou fazer uma cirurgia em você - disse com um sorrisinho na cara, ele se afastou devagar e foi para o outro lado da maca ficando atrás de Amélia.
- E aí, tudo bem com você? - Max perguntou.
- Tudo sim, só foi um pequeno problema no polegar, mais nada.
- Não se preocupe, Miley já teve seu castigo - Stella disse feliz.
- O que vocês fizeram? - Carter perguntou tirando a mascara.
- Digamos que foi um jogo de tapas e nenhum beijo.
Amélia começou a rir.
- Eu queria tanto ter visto - Amélia disse puxando eu e Stella para um abraço - minhas fofinhas! Lutando por mim - ela falou com aquela voz de bebê.
- Tá bom! Agora chega de tanto amor - Stella se afastou ajeitando sua costumeira blusa preta.
- Blair até ameaçou a garota - David disse sentando do lado da Amélia.
- Onwwwwwww - Amélia e Carter começaram com a palhaçada.
- Tchau pra vocês, eu vou almoçar.
- Volta aqui sua fofa!- Amélia gritou enquanto eu saia em direção ao refeitório.
- Eles são uma comédia! - Max disse rindo quando me alcançou.
- São sim - disse rindo.
Fomos em direção às bandejas e passamos pelas tias da cozinha, eu acho que elas devem ser os adultos mais legais dessa escola, e nos dirigimos pra nossa mesa onde Max sentou ao meu lado.
- Oi, gente - Dan que estava com uma bandeja na mão, passou pela mesa e piscou pra mim.
- Oi - falei sorrindo, quando me virei para Max ele estava sério - O que foi? - perguntei franzindo a testa.
- Nada - ele disse e começou a comer.
- Houve alguma coisa sim, você ficou sério de repente!
- Não foi nada.
- Tem certeza?! - perguntei tentando olhar para ele, mas parecia que ele não queria me encarar.
Ele virou pra mim, ele abriu a boca para falar algo o pessoal chegou e ele voltou a comer.
- Blair, nossa próxima aula é de Francês, né?! - Carter me perguntou, eu ainda olhava para Max sem entender nada. Olhei para Carter e demorei um pouco a respondê-lo.
- Er... sim, e depois vamos pra casa.
- Na verdade eu queria pedir um favor - David falou.
- Que favor? - Stella perguntou curiosa como todos nós- Eu vou fazer uma apresentação para a Juilliard no fim desse mês e eu já estou treinando faz tempo! Então estou querendo que vocês vejam a apresentação
- Eu vou adorar! Amo ouvir você tocar - Stella falou sorrindo.
- O que você toca? - Max perguntou.
- Violino - ele falou mastigando um pedaço de picles que Amélia tinha acabado de retirar da sua salada.
- Maneiro.
- Eu topo totalmente – falei.
- Cara, você sabe que topo, mas tem que ser rápido! Tenho trabalho hoje – disse Carter.
- Vai ser rápido.
- Eu já sou obcecada por violinos e arpas é claro que topo - Amélia falou retirando outro picles da sua salada.
- Então a gente vai pra minha casa depois da escola.
- Ótimo, o bom é que é mais próximo da pizzaria.
- Você continua trabalhando lá na pizzaria Max? - Amélia perguntou enquanto levava uma garfada a boca, e eu comendo aqui quietinha.
- Sim, mas mês que vem eu saio - ele respondeu -, normalmente fico quatro meses trabalhando, mas como me mudei só vou ficar dois meses.
- Entendi.
Comemos e logo depois tocou o sinal pra guilhotina francesa. Eu cheguei à sala antes, pois Carter iria acompanhar a Amélia até a quadra, hoje era o dia de treino dela, e ela insiste que o dedo já está melhor.
- Bonjour Mlle.(Boa tarde, senhorita) - Carter me disse tentando mostrar seu péssimo francês
- Bonjour, mon bon seigneur, mon cher ami est arrivé en toute sécurité à la cour?(Boa tarde meu bom senhor, minha querida amiga chegou em segurança até a quadra?)
- Para de palhaçada! Eu lá sei falar francês, garota!
- Você faz aula de francês desde o primeiro ano eu achei que você deveria saber - falei enquanto ele sentava ao meu lado.
- Uma coisa é assistir a aula e passar de série se arrastando no chão e nas paredes e uma coisa e outra coisa e eu saber francês.
- Parton. (Perdão).
- Ãrrã - ele falou com uma cara de idiota.
- Bonjour mes amours. (Boa tarde, meus amores) - a professora disse ao entrar - Como estão?
- Parfait. (Perfeitos) - a turma falou em coro.
- Aí Meu Deus, como meu coração salta quando vocês respondem em francês - ela disse colocando as costas da mão na testa e fingindo estar desmaiada em modo teatral.
Nossa professora Meg de francês era divertida e calma ao mesmo tempo, com toda certeza a melhor professora do colégio.
Pena que as aulas boas acabam rápido então logo estávamos todos reunidos no estacionamento para irmos à casa de David, menos o Dan por causa de uma pesquisa ele teve que ficar mais um tempo na escola. O estranho é que era uma pesquisa em dupla, e advinha qual era a dupla dele?
SOFIA
Ri na cara dele, e o zoei muito, mas enfim nós fomos para casa do David.

(...)

- Então aguardem aqui, por favor - David falou quando nos deixou em uma parte de seu jardim que tinha uns bancos em pedra. O jardim era lindo.
- É lindo, né?! - Stella perguntou depois de David se afastar.
- Sim, muito - concordei.
- A mãe dele é paisagista, ela faz um belíssimo trabalho.
- Eu lembro que você nos contou, foi assim que vocês se conheceram, né?!
- Ãrrã - ela concordou.
- Sei dessa história não - Carter acusou - Só contou para as meninas.
- Carter está ofendido! Coitadinho - Stella fez carinha de triste - Mas vai continuar desenformado.
- Valeu, hein!
Eu lembrava da história, o pai da Stella contratou uma paisagista para construir um lugar tranquilo no jardim, só tinha um problema, o filho dela estava passando por uma fase de depressão, ele se sentia desanimado e ela tinha que ficar o tempo todo de olho nele. Mas mesmo assim o pai de Stella concordou, e foi ai que Stella conheceu David. Ela meio que foi a primeira pessoa a não ser compreensiva com o David e deu um tapa na cara dele.
Por incrível que pareça o David admirou isso nela e se tornou o melhor amigo dela, e ela dele. Isso foi quando eles tinham 14 anos (a Stella é violenta desde sempre), depois ela o incentivou a se importar com uma coisa que seria só dele, foi quando nasceu a sua paixão por violino, eu só o escutei uma vez, mas foi o suficiente para saber que ele seria o melhor.
Quando eles entraram para o ensino médio o David disse para Stella que tinha outra coisa que ele queria só para ele, ela perguntou o que era e ele respondeu com um beijo em seus lábios. Stella demorou um pouco pra assimilar que era ela, mas está meio óbvio que ela não recusou ser importante para ele. Pensei isso tudo sorrindo e olhando para Stella, e resumindo tudo isso, as pessoas realmente marcam nossas vidas.
- O que foi, Blair? - Stella me perguntou reparando eu a encarando.
Ri baixinho disso.
- Nada - desviei o olhar para as árvores e vi Carter conversando com Max e Amélia. MAS O DOENTE BONITO OLHAVA PARA MIM.
- Desculpa a demora - David chegou carregando sua maleta.
- Relaxa, ainda tenho - Carter olhou para o relógio - 1h, então manda vê.
Ele tirou o violino de dentro da maleta, ajeitou em seu pescoço e começou a tocar uma música que eu amava ‘Beauty and the Beast’, ele tocava leve e tão perfeitamente bem. Ele tem muito talento mesmo, só por que era bom acabou rápido.
Todos nós batemos palmas logo que ele acabou.
- Está perfeito! - falou Max.
- Muito perfeito – completei Enquanto David guardava seu violino.
- Como sempre - Stella falou se levantando e ficando de frente para David - Não tenha dúvidas do seu potencial. Você vai entrar para Juilliard, e vai ser famoso, pode acreditar.
- Obrigado - David agradeceu a abraçando e enterrando seu rosto em meio ao cabelo de Stella.
- O papo tá bom, mas eu tenho que ir trabalhar.
- Ok, valeu mesmo por virem! - David agradeceu.
- Não precisa agradecer - eu falei indo abraça-lo -, meu bebê cresceu - disse chorosa - que lindo, já vai para Juilliard.
- Eu tenho que ser aceito primeiro, Blair - ele me disse se separando de mim, dei um tapa em seu ombro.
- Você não precisa ter duvidas sobre isso, ouviu?
- Eu ouvi senhorita! Pode deixar.
- Acho bom! – sorri.
- Então, com quem eu vou? - me virei para Carter e vi ele fora do jardim já dentro do carro.
- A gente ainda vai combinar umas paradas para amanhã, desculpa - Amélia gritou de dentro do carro enquanto ele se distanciava.
- Seus ridículos, - gritei da calçada - você estão me abandonando!
Sentei na calçada e coloquei minha mochila em minhas pernas, agora entendi por que eles tinham insistido que eu ficasse com a mochila.
- Quer que eu te leve para casa - David me perguntou de trás da cerca de seu jardim, onde estava abraçado com Stella.
- Eu a levo - Max disse se "infiltrando" na conversa - Claro, se você não se importar!
- Er... - eu não podia pedir para David e Stella se separarem, só para me levar em casa. Podia sim, na verdade e o que eu faria - Claro que não.
Claro que SIM
Na moral, tô com vontade de chorar! Mamãe me ensinou a não mentir, e eu aqui mentido!
Que coisa feia.
- Então vamos! - Max disse tirando as chaves do bolso e indo em direção ao carro, e eu o segui.
- Tchau pessoas que passaram o DNA perfeito - Stella gritou.
- Ha-ha-há – ri e fechei a cara- tchau sua bonitona - gritei sorrindo de olhos fechados.
Os dois doentes mentais de preto começaram a rir de mim. Isso é tão feio.
- Vamos lá - falei logo que entrei no carro.
- Pode deixar - ele falou e virou a chave do carro e começou a sei lá, ir!
Meu telefone tocou e tinha duas mensagens, uma de Amélia e outra da dona mãe.
Abri a de Amélia primeiro.

"Eu sei que você deve estar chateada comigo, eu mesma ficaria, mas eu e Carter tínhamos que sair logo. Tínhamos que buscar Lily na escola e depois eu iria para casa arrumar um biquíni para ela. Eu sei que você deve estar pensando" por que não me levou? "Eu só queria ter um tempinho com ela, sério mesmo! Pode parecer besteira, mas eu adoro ficar um tempinho com a Lily, e você sempre fica com ela por que tem facilidade em lidar com crianças. Na verdade com todos, e sinceramente sinto inveja de seu potencial às vezes, mas enfim me desculpe, por favor.
Me desculpa?
                                                                -Amélia"

"Estou pensando no seu caso!
                                                                -Blair"
Respondi com um sorriso no rosto.
- Bobona – murmurei.
- Oi? - Max perguntou.
- Nada não.
Abri a mensagem da minha mãe.

"Se você vai à praia amanhã, e você vai por que vou te expulsar de casa, e melhor ir comprar um biquíni. Já que você só compra um biquíni quando vai à praia, e a ultima vez que foi você tinha 15 anos, então o biquíni que tem aqui não cabe mais em você, então vá comprar outro. Beijinhos filha.
- Jane”
- Qual é? Até minha mãe! - falei - A vida é tão injusta.
- O que foi?
- Você pode me deixar no shopping?
- É só você me dizer o caminho - ele me respondeu rindo - ainda não sei onde é tudo por aqui.
- Digo sim - indiquei o caminho, e passei o endereço.
Fomos em silêncio até o shopping, quando chegamos eu agradeci e sai do carro.
- Você vai ficar aqui sozinha? - ele me perguntou saindo do carro.
- Vou - confirmei ajeitando minha mochila nas costas.
- Quer que eu te espere? - ele perguntou se apoiando no teto do carro.
- Você tem nada para fazer não? - perguntei me apoiando também no teto do carro e o encarando.
- Melhor? Não - ele disse com um sorrisinho –, hoje eu tô de folga da pizzaria.
- Ok, eu vou aceitar sua companhia - aceitei sorrindo, mas eu estava é admirada com sua personalidade estranha. Sei lá, ele era diferente, se eu era “a” estranha ele era "o" estranho.
Eu coloquei minha mochila dentro do carro e fomos em direção ao shopping, enrolei meu braço no dele e o puxei para a seção de lojas de praia.
- Você está procurando o quê?
- Loja de biquíni - ele parou me fazendo parar junto
- Ah - ele soltou e me olhou, soltou um risinho e o prendeu rápido quando o olhei torto.
- Vamos logo - voltei a puxar.
- Você está procurando o que?
- Loja de biquíni - ele parou me fazendo parar junto.
- Ah - ele soltou e me olhou, soltou um risinho e o prendeu rápido quando o olhei torto.
- Vamos logo - voltei a puxa-lo em direção a uma loja de roupa de banho, quando entramos vi uma parte de bancos perto da entrada.
- Fica aí - o empurrei para o banco - fica - falei apontando o dedo pra ele - bom garoto.
Ele riu pra mim e eu fui em direção à parte de biquínis.
- Posso lhe ajudar? - uma mulher que apareceu no corredor me perguntou, ela usava uma blusa vermelha com o símbolo da loja no centro dela, o símbolo parecia ser um chinelo batendo em alguém ou pelo menos parecia.
- Estou procurando um biquíni descente, mas que não pareça que e da minha bisa - falei sincera.
Ela arregalou os olhos.
- Você tá querendo um descente? - concordei com a cabeça - Com um namorado daquele eu também iria vestir o que ele quisesse! - ela disse e começou a procurar um biquíni.
- Ele não é meu namorado! - afirmei começando a ficar com raiva - E até parece que eu iria usar só o que meu namorado quisesse.
- Foi mal - ela disse me entregando três biquínis - Desculpa mesmo.
- Tudo bem - falei pegando os biquínis e indo para o provador.
Quando cheguei lá descartei logo o rosa, eu às vezes uso rosa, mas não significa que eu não o odeie sendo assim evito ao máximo. Peguei o preto ele ficou perfeito em cima, descente e bonito, mas a parte de baixo ficava apertada no meu quadril. Peguei um que era verde água e ficou perfeito tanto em cima quanto em baixo. Ele amarrava no pescoço, mas eu poderia fazer duas alças já que sua corda era grande, e a parte de baixo tinha uma faixa parecendo um cinto da mesma cor só que em um tom um pouco mais escuro.
Peguei os biquínis e sai do provador, da onde eu estava era só eu me esticar e conseguia ver onde Max estava sentado. Ele estava sentado no mesmo local, sem se encostar-se à cadeira, apoiando os cotovelos no joelho e mexendo em seus dedos. Sorri ao ver isso, realmente quem via de longe parecia que ele esperava a namorada, sinceramente ele estava com a face tão calma e bonita.
Eu me direcionei até a vendedora que me atendeu e ela parecia estar nas pontas dos pes.
- Aqui - eu falei ao chegar próximo dela, ela pareceu levar um susto, olhou para mim abaixando seu calcanhar até o chão -, vou levar só esse - falei apontando para o verde água.
- Ok, é só se direcionar para o balcão. E muito obrigada por comprar na Slippers Sand - e saiu sorridente, mas ela não foi em direção ao corredor de biquínis.
Mas eu fui até o lugar certo, paguei rapidamente e fui em direção a Saída/Entrada buscar o Max. Chegando lá eu achei a vendedora que me atendeu e mais outra conversando com Max, ela estavam sorridentes e quase babando enquanto Max levava a conversa como se estivesse conversando com o seu pé.
- Podemos ir - falei ao alcançar eles.
- Claro, vamos logo - ele passou o braço pelas minhas costas me segurando pelo outro braço e me colando a ele - Tchau Liza, tchau Beth.
Nos afastamos bem rápido da loja até estarmos no andar de cima.
- Você descobriu o nome delas? - perguntei ao me sentar em uma mesa do Burger King, nem queria ser arrastada pra cá mesmo.
- Descobri não, ela que quiseram que eu soubesse - ele respondeu olhando para os lados.
- Calma, ela não iram te seguir.
- Sei lá, tem cada maluca psicopata por aí.
Eu comecei a rir
- Meu Deus, você já é sequelado. O que já aconteceu contigo?
- Teve uma vez que uma mulher me viu dentro do elevador quando a porta se abriu no andar que ela estava, ela viu o andar que parou o elevador e subiu correndo as escadas e alcançou meu andar quando eu ainda estava saindo do elevador.
- Não posso crer! - falei rindo, mas ao mesmo tempo embasbacada.
- É verdade - ele afirmou com a cara bem séria, parecia que estava falando sobre a politica do nosso país - Teve uma vez que uma enfermeira quase furou meu braço todo por que ao invés de olhar minha veia estava olhando para o meu rosto.
- Meu Deus - exclamei rindo mais ainda.
- Estou falando a verdade, pode perguntar a minha mãe, ela deu um grito na enfermeira que a mulher deve ter ficado até traumatizada.
- Coitadinha, só queria fazer curativos no Maxizinho - falei fazendo biquinho e a clássica voz de bebê.
- Isso não é engraçado!
- É sim! - afirmei rindo de sua cara.
- Não é...
- Com licença - uma mulher usando o uniforme do Burger King apareceu interrompendo Max -, vocês iram pedir algo?
Nós tínhamos esquecido que estávamos sentados em um dos bancos do Burger King, e só pode ficar sentado se comprar algo.
- Sim - Max respondeu rápido -, vamos querer dois milk-shake de... - ele se virou pra mim.
- Morango – respondi.
- ...de morango, por favor. – ele pediu a atendente.
- Ok, daqui a pouco eu volto com seus milk-shakes.
- Obrigado - Max agradeceu sorrindo e a mulher ficou vermelha e saiu apressada.
- Ok, agora eu acredito nas suas histórias.
- Valeu - ele colocou as mãos pra cima agradecendo aos céus - E foi mal por te arrastar até aqui.
- Como assim? Adoro milk-shake, ainda mais de graça. Pelo menos vou tirar proveito disso - falei colocando a sacola em pé na mesa
- Conseguiu comprar o que queria?
- Infelizmente
- Que bom!
- Que bom por quê?
- Por que você vai à praia.
- Quem disse que eu vou à praia? Isso é só por que minha mãe vai querer me revistar antes de me deixar entrar em casa.
- É sério isso?
- Sim, é muito sério! Quando me deixar em casa, fique dentro do carro em frente a minha casa e você verá que ela pedirá a sacola primeiro para depois me deixar passar.
- Essa eu realmente quero ver - ele disse risonho.
- Você verá! – garanti.
Nossos milk-shakes chegaram até que rapidinho, a menina novamente sorriu quando Max agradeceu. E ela quase deixou o meu milk-shake cair em cima de mim, pois só olhava para Max.
- Vamos então? - ele me perguntou quando eu estava terminando meu milk-shakezinho.
- Vamos antes que aquela mulher me assassine pra conseguir ficar mais perto de você. Até já imaginei a cena ela me mata “acidentalmente” - fiz aspas no ar na palavra - e depois se joga em seus braços gritando“ o que eu fiz? ” é fingindo chorar - terminei com um sorriso.
- Ela não seria capaz de tanto.
- Ou seria? – questionei cerrando os olhos.
- Ok, você me convenceu. Vamos embora logo.
Fomos até o balcão onde Max pagou nossa conta e fomos direto para o estacionamento.
- Meu Deus já são 19:45 da noite - afirmei espantada ao entrar no carro.
- A hora passa rápido quando estamos nos divertindo - Max afirmou me olhando enquanto colocava a chave no carro.
- É - falei me virando pra janela, quando o motor ligou eu olhei discretamente para ele que estava com um sorrisinho no rosto.
- Coloca um CD aí pra gente escutar - ele disse apontando para onde ele guardava os cd's.
- Tá bom.
Peguei os CD's e vi Paramore.
- Você tem o CD Paramore.
- Claro que tenho - comecei a sorrir e coloquei na minha música. Quando ela iniciou eu comecei a cantar com ela que nem louca.

‘’I don't mind
Letting you down easy, but just give it time
If it don't hurt now, then just wait, just wait a while
You're not the big fish in the pond, no more
You are what they're feeding on.’’

Ele começou a rir.
- Você sabia que o Taylor York, guitarrista do Paramore, fez essa música pra mim?
- Nem imaginava isso - ele falou rindo.
- Mas imagine, foi assim que ele me pediu em casamento, só que eu recusei. Eu disse pra ele que só me casaria com ele se o Ian Somerhalder me recusasse. - falei gargalhando.
- Nossa! Você sonha alto.
- Mas é assim que tem que ser - olhei para ele ao pararmos em um sinal -, temos que pensar alto, temos que ter sonhos grandiosos, e assim acreditar que eles se realizaram.
Ele concordou com a cabeça.
- Você também tem sonhos grandiosos, não é?!
- Tenho - ele disse sorrindo pra mim -, eu estou a cada dia que passa acreditando que eles são muito grandiosos.
- Que bom - falei correspondendo o sorriso, me virei para frente e o sinal abriu, mas o carro não andou. Virei-me novamente para Max e ele ainda me olhava, ele percebeu o sinal aberto e começou a dirigir.
Fiquei meio nervosa e desconfortável com o olhar dele, me deixava confusa e sua face não mostrava reação nenhuma, era tão estranho.
Chegamos a minha casa e já era quase 20:30.
- Eu vou tentar entrar e a porta vai estar fechada, aí você vai ver a mãozinha da minha mãe me pedindo a sacola - falei antes de sair do carro - fique e verá. E valeu pela carona - disse já do lado de fora do carro me apoiando na janela.
- Disponha - ele me disse com um meio sorriso no rosto.
Virei-me e fui em direção a minha casa, cheguei e tentei abrir a porta e como esperado estava trancada.
- A sacola primeiro - minha mãe gritou de dentro, abriu um pouco a porta e pôs a mão pra fora balançando-a.
Olhei para o carro do Max e apontei pra mão com aquele olhar "eu te disse".
- Aqui - entreguei a sacola.
Ela colocou a mão para dentro segurando a sacola, eu só escutei um “ela comprou mesmo”. Despois disso ela abriu a porta, eu olhei para Max que estava rindo, ele deu tchau para mim e foi embora em seu carro.
Entrei em minha casa e minha mãe me abraçou.
- Oi, mãe
- Oi minha linda – ela pegou minhas mãos –, amanhã eu vou... – ela parou e olho para minhas unhas e sorriu.
- Nem pense nisso - puxei minhas mãos das dela. Subi correndo a escada e fui em direção ao escritório do meu pai. – PAI, MINHA MÃE QUER ME MATAR.
- Como? – ele se virou da mesa onde estava e abaixou os óculos.
- Eu só estou querendo pintar as unhas dela, querido – minha mãe chegou por trás de mim, eu me joguei para trás da cadeira do meu pai e fiquei encolhida ali.
- Viu! Ela quer acabar comigo, ela já me forçou a comprar um biquíni hoje.
- Por que você precisa comprar um biquíni?
- Por que ela vai para praia amanhã – minha mãe respondeu a meu pai.
- NÃO – gritei.
- SIM – minha mãe gritou de volta.
- POR QUÊ? – meu pai gritou também.
- Parem vocês dois, e nem venha defendê-la, Joy. Ela vai para a praia amanhã com os amigos e fim de papo. E ISSO É UMA ORDEM.
- Tá – falei me levantando, ela deu uns pulinhos e saiu correndo, provavelmente indo pegar a caixinha de esmaltes.
- Desculpa, querida, mas dessa vez não deu para te livrar – meu pai disse.
- Tudo bem, pai – sorri meio triste – Valeu por tentar.
- Curta um pouco – ele disse e se virou novamente para sua mesa, voltando a trabalhar.
Fui para meu quarto e esperei minha mãe, logo ela pintou minhas unhas de preto e logo depois eu dormi, eu queria dormir até domingo.
Mas isso não aconteceu.
- Querida, acorde – minha mãe disse me puxando da cama.
- Tá – falei quase gritando –, já levantei.
- Obrigada, seu café está na mesa – ela disse e saiu do quarto fechando a porta, eu me joguei novamente na cama.
- Blair Montello, levante AGORA – eu a ouvi gritando enquanto descia as escadas. Levantei-me jogando as cobertas no chão.
Fui para o banheiro e tomei um banho rápido, coloquei meu biquíni e minha bata branca com manga longa. Peguei uma bolsa transparente e coloquei uma canga, meu celular junto com o fone, protetor sola fator 50, uma roupa, toalha e um chinelo e mais algumas outras coisas.
Coloquei um óculos escuro na cara e desci as escadas batendo o pé, e fui até a cozinha.
- Bom dia – falei sorrindo – ou talvez não – disse fechando a cara.
- Bom ou talvez não para você também querida – meu pai disse beijando minha testa.
- Está aqui seu pão e o achocolatado – minha mãe colocou na minha frente.
Eu comi bem devagar, lentamente aproveitando meus últimos segundo de vida, até que algum ser apertou a campainha da minha casa. Minha mãe foi atender a porta, ouvia a abrir e depois fechar.
- Pode vir – minha mãe disse para o ser.
- Obrigado – escutei a voz e cuspi o meu precioso achocolatado
- Cuidado, querida – meu pai falou depois de eu ter cuspido e quase acertado seu pão.
- Desculpa – falei e me virei. E quem vinha no corredor? Não sabem quem? Eu digo quem! A PESSOA QUE ME TROUXE EM CASA ONTEM, ISSO MESMO MAX.

Meu dia já começou maneiro.

0 comentários:

Postar um comentário