quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Capítulo 16 - Odiando o azul

Capítulo 16
Odiando o AZUL
- Blair Montello

-Meu cabelo tá duro - reclamou Amélia enquanto penteava o cabelo.
Por incrível que pareça só tinha nós cinco dentro do banheiro. Amélia já tinha arrumado Lily que estava sentada no banquinho que tinha no centro do banheiro esfregando os olhos quase dormindo sentada.
Amélia tentava arrumar o cabelo, Stella ajeitava seu coturno, Sofia passava uma leve maquiagem e eu queria sair dali. Já estava com meu cabelo em rabo de cavalo( pentear pra quê? Vou ter que lavar quando chegar em casa), passei um perfume, coloquei uma camiseta laranja clara e meu short um pouco acima do joelho.
- Vamos logo - falei quase chorando.
- Só vou passar um creme nos braços - Stella disse se levantando.
- Eu também - Sofh falou guardando a maquiagem.
- Eu também - Amélia falou -, depois de conseguir pentear isso - ela balançava histericamente o cabelo.
- Então eu vou embora - falei - Vamos Lily?
- Vou ficar - ela disse -, eu gosto do cheiro de creme de morango.
- Ok - falei e sai do banheiro, no corredor achei Dan e Max.
- Cadê as meninas? - Dan me perguntou.
- Fazendo do banheiro um salão de beleza - expliquei enquanto fazia uma careta - Cadê o David e o Carter?
- Foram fazer os pedidos - Max explicou.
- Eu estou indo para a mesa então! – afirmei.
- Eu vou com você - Max falou se desencostando da parede.
- Vou esperar as outras - Dan afirmou.
- Tá ok - falei e comecei a andar.
- Espera, Blair - ele falou e eu parei, ele chegou perto de mim e me deu um beijo na bochecha - Obrigado por ter me apresentado a Sofia - ele sussurrou em meu ouvido.
Eu sorri enquanto ele se afastava.
- Foi um prazer - disse e voltei a caminhar, quando olhei para frente vi Max me encarando. Nem no primeiro dia em que nos encontramos ele me encarava com tanta rispidez.
- O que foi? - eu perguntei ao alcança-lo.
- Nada - ele me respondeu e voltou a andar, um pouco rápido demais para o meu gosto.
- Espera aí - falei o andando mais rápido e o alcançando, puxei seu braço o forçando a olhar para mim - Na sexta foi a mesma coisa, você ficou sério de repente após eu...
Eu parei de falar e fiquei muito chocada, meio tonta e muito apavorada.
- Eu disse que eu era egoísta - ele falou.
- Você tá com ciúmes de mim? - eu perguntei
- Sim - ele falou com naturalidade -, qual o problema?
- Mas por quê?
- Por que ele tem a oportunidade de ver seu sorriso mais que eu, sendo que foi eu que disse que seu sorriso é lindo. Acho isso meio injusto.
Sorri involuntariamente.
- Aí - ele apontou para meu rosto - não consigo ver isso o tempo todo, já o Dan vê só ao dar bom dia.
- Você nunca pediu para ver - falei com meu coração acelerado. Só faltava ele sair pela minha boca e se arrastar para um terapeuta para desabafar.
- Então é só eu pedir? - ele me olhou com uma sobrancelha arqueada e um sorrisinho de canto.
- Dependendo do meu humor, sim - confirmei sorrindo.
- Vou cobrar - ele falou e sorriu.
Eu me desviei e comecei a caminhar para as mesas, me sentei naquelas em que um lado da mesa fica para uns tipos de sofás duros e o outro para cadeira, me sentei no sofá duro e Max sentou na minha frente.
- Que foi? - perguntei depois de um tempo, ele estava me encarando sério, mas agora ele estava relaxado.
- Nada - ele falou e continuou a me encarar, aqueles olhos estavam me matando.
- Ãrrã - concordei e vi atrás dele David vindo.
- Ainda estão se embelezando? - me perguntou se sentando ao meu lado.
- Estão - concordei com a cabeça.
- Aí - Carter gritou -, façam alguma coisa - ele colocou a notinha do pedido na mesa – Tá lotado no Subway, então tem que esperar a fila. Só que eu estou cansado, façam isso vocês. - ele disse sentando na cadeira ao lado de Max.
- Ok, eu vou - Max falou rindo.
- Te ajudo - me levantei e segurei em seu braço -, cuidem da minha bolsa - mandei aos dois preguiçosos.
- Vou jogar no lixo - Carter gritou
- Vou guardar e queimar em homenagem as bruxas mortas em Salem - David falou.
- Cara, tu tem vários problemas - escutei Carter começar a falar, mas onde eu estava já não dava para escutar mais nada.

(...)

Nosso almoço foi bem rápido, mas a conversa rolou solta. Depois Max me deixou em casa às 16h, depois do ocorrido sobre o sorriso e tal, continuamos conversando normalmente. Normalmente em nos termos de normalidade com ele por que eu não consigo ser normal com ele? Por que não consigo?
Só de pensar nisso começo a sentir náusea.
Abri a porta de casa e entrei jogando minha bolsa na entrada.
- Cheguei – gritei.
- Oi, meu amor - ouvi meu pai falando da sala, me direcionei até lá. Passei por cima do encosto do sofá e deitei com a cabeça nas pernas dele -, como foi?
- Foi legal – sorri.
- Você falando que a praia foi legal? - minha mãe fala chegando à sala.
- Sim, foi legal - falei voltando a sorrir involuntariamente, me lembrando de Max. Cara, por que ele tinha que me deixar sorrindo assim?
- Você tá sorrindo demais! - meu pai falou me encarando - O que aconteceu?
- Nada demais - falei me levantando - Só sai com meus amigos, na verdade parece que saiu casais para uma viagem! Na moral, eu tenho que parar de sair com eles, parece que são casais tudo junto, chega a ser estranho!
- Ou você arranja um namorado! - minha mãe sugeriu, quando ela falou isso eu estava começando a subir as escadas. Eu travei na hora.
- Quê isso? - meu pai falou
- O que? - minha mãe perguntou - Ano que vem ela faz 18, vai ter um dia em que ela vai começar a namorar, querido. E eu quero um genro bem bonitão! - ela gritou a última parte.
Eu ainda estava travada na escada, comecei a subir lentamente. Tomei um banho bem demorado, fiquei minutos na minha Linda, pensando nas bostas que eu fiz hoje.
Desde quando eu digo para um garoto que você não pediu meu sorriso?
CARAMBA, DESDE QUANDO ALGUÉM IRIA SENTIR CIÚMES DE MIM?
Sim eu estou gritando em meus pensamentos
- AAAAAAAAAAAAAAAAAH - comecei a gritar ainda dentro da banheira e a sacudir meus pés tacando a espuma para fora.
- Ei - minha mãe exclama entrando no banheiro -, já coloquei seu biquíni pra lavar, sua bolsa esta na sua cama.
- Valeu - falei e me afundei na banheira.

(...)

Estava jogada na cama olhando para meu teto.
Virei-me e vi a bolsa que eu tinha ido para praia, me joguei no chão e me arrastei até ela. Sentei-me e a abri, tirei meus óculos de sol de lá, quando tirei o óculos a pedrinha da gruta caiu no chão.
O segurei e me lembrei de Max, e meu coração acelerou.
Peguei a pedrinha e fui até uma gaveta do meu armário, onde eu guardava minhas joias, e peguei um cordão de ouro.
O peguei e desci as escadas.
- Vai querer jantar querida? - minha mãe me perguntou enquanto eu ia em direção ao porão.
- Claro - respondi descendo as escadas.
Cheguei ao porão e procurei a caixa de ferramentas do meu pai, achei dentro o que eu queria, um alicate de ponta e outro de corte.
Eu cortei a parte do cordão que tinha o fecho, peguei o alicate de corte e fiquei tentando fazer um furo na pedra com um dos lados, fiquei um tempo ate conseguir fazer um furo imperceptível, e depois fiquei mais um tempo com o alicate de ponta colocando o cordão no buraco da pedra.
Quando consegui dei um grito de alegria, encaixei novamente o fecho do cordão. O coloquei em meu pescoço e ficou até que maneiro, a pedrinha parecia uma pérola, e o cordão de ouro ajudava na ilusão.
- Ficou bonito - me virei e era minha mãe encostada no batente da porta.
- Obrigada - falei olhando para o cordão.
- Quem lhe deu a pedra?
- O Max - respondi enquanto guardava as ferramentas do meu pai.
- O que aconteceu nessa praia - ela andava em minha direção –, exatamente?
- Ele me levou a uma gruta - ela me encarava - e depois fomos para praia jogar vôlei, onde uma ruiva falsificada deu em cima dele, e eu fingi ser namorada dele.
Minha mãe levantou as sobrancelhas e entortou a boca
- O que?
- Nada - ela me respondeu -, nadinha! A comida já esta na mesa, senhorita.
- Sim senhora – respondi.

(...)

- Você vai ficar ai, AGORA! - E finalmente consegui - 1 a 0 para mim, colchão maldito.
Sim, eu estou em pleno domingo trocando os lençóis da minha cama. E levando uma surra para isso.
- Finalmente conseguiu - meu pai dizia após eu ter conseguido colocar o lençol no colchão - Já faz o quê? Uma hora que esta tentando colocar.
- Não exagera querido - minha mãe fala passando no corredor carregando uma cesta com as roupas sujas - só faz 59 minutos e 59 segundos.
- Vocês são tão engraçados - falei jogando meus travesseiros na cama.
- Pelo menos os travesseiros ela conseguiu trocar rápido - meu pai disse e saiu rindo com minha mãe.
Fui pegar os lençóis sujos que estavam jogados na porta do banheiro e sem querer me olhei no espelho. Estou desde ontem usando a pedrinha que Max me deu na gruta no pescoço. Mas ainda não tinha me olhado no espelho. E realmente tinha ficado bonito e combinava comigo.
Peguei os lençóis e desci para a lavanderia, chegando lá vejo meu pai se pegando com a minha mãe, os dois estavam no maior love encostados na máquina de lavar, deixei os lençóis na escada e subi rindo. Quando eu ia subir a escada para o meu quarto a campainha tocou.
Girei meu calcanhar e marchei - sério, eu marchei - em direção a porta. Abri e encontro o típico sorriso, Dan.
- Oi, Blair - Dan me cumprimenta.
- Olá sorriso - digo o abraçando - o que te traz a minha humilde casinha? - perguntei me afastando dele.
- Vim trazer sua...
- Querida, quem é? - meu pai me perguntou subindo da lavanderia
- Pai, esse é o Dan, o irmão mais novo do Max - apresentei.
- Muito prazer, senhor Montello - ele disse sorrindo e apertando a mão do meu pai. Engraçado como Dan e Max eram tão diferentes, Dan ao contrario de Max se apresenta sorrindo. Já o Max é completamente sério.
- Prazer - meu pai responde.
- Pode entrar, Dan - eu falo e ele entra.
- Licença - ele pede e entra.
- Vamos para meu quarto - eu falo.
- Opa - exclama meu pai. Ele começa a encarar Dan que estava completamente calmo - Ok, pode ir.
Arrastei Dan para o andar de cima e fomos para o meu quarto.
- Por que seu pai ficou me encarando?
- Ele diz que antes de entrar em meu quarto tem que passar pelos olhos de águia dele - respondi me sentando no tapete - Você passou no teste, então fique à vontade.
Ele tirou sua jaqueta e a colocou em cima da minha cama e depois se sentou ao meu lado.
- Aqui está como prometido - ele me entregou uma sacola que estava carregando.
Eu a peguei, dentro estava a blusa que ele tinha prometido me dar.
- Obrigada - falei o abraçando.
- Foi nada - ele disse sorrindo.
- Vou experimentar - falei me levantando -, fica à vontade, ok!
Ele olhou para o meu laptop .
- Posso usar? - ele apontou para meu laptop - É bem rápido.
- Claro - falei e fechei a porta do banheiro. Troquei-me e ficou uma blusa meio que grande em mim, deveria dar certinho em Dan, sendo assim em mim ficou grande. Mas eu gostei desse jeito.
Sai do banheiro e vi ele escrevendo algo no laptop.
- E aí, legal? - perguntei, ele levantou a cabeça e sorriu.
- Muito maneiro - falou - Você gostou mesmo?
- Ãrrã - falei sorrindo – Valeu.
- Nada - ele disse - Eu transferi alguns animes para você.
Sentei-me ao lado dele e vi, eram animes bem maneiros.
- Valeu - falei com os olhinhos brilhando.
Quando ele estava tirando seu pen drive apareceu um aviso de uma notificação em meu Facebook. Era de amizade.
- Abre aí, por favor - falei me levantando novamente - Vou me trocar.
- Tá bom - ele disse já mexendo.
Eu sei que o Facebook é uma coisa bem privada, só nossa. Mas sabe quando você sente que pode realmente falar com aquela pessoa, que vocês têm certa facilidade em se comunicar com ela, era isso que eu sentia com o Dan.
Fechei a porta do banheiro e tirei a blusa.
- É uma solicitação de amizade - ele gritou - minha mesma. Posso aceitar?
- Não - respondi rindo.
- Já era - ele respondeu.
- Ah - falei chorosa.
- Achei o Max aqui! Posso adicionar?
- Pode - respondi enquanto colocava minha blusa. Aí eu me toquei, se o Max tiver meu Facebook ele vai:
1°Ver minhas fotos;
2°Vai ver o que eu compartilho;
3°Vai ver minhas fotos antigas e
4°VAI VER MINHAS FOTOS!
- ESPERA AÍ - gritei correndo em sua direção, ele se assustou e levantou as mãos no ar.
- O que foi? - ele perguntou assustado.
Peguei o laptop de seu colo e me sentei na cama, estava no Facebook do Max, a foto da capa dele era ele com vários amigos, provavelmente. Dan estava no meio deles, todos sorrindo e tinha uma única garota loira abraçada ao Max. E em sua foto de perfil era ele com um casaco de moletom sentado ao chão sorrindo com um livro em suas mãos.
Olhei para aquele botãozinho de amigos e estava àquela frase legal "solicitação de amizade enviada".
Fechei meus olhos devagarzinho.
- Fiz algo errado? - Dan me perguntou.
- Não - abri os olhos e o observei - Posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Você promete ficar só entre a gente?!
- Nossa, tô começando a ficar com medo! Mas tô curioso, então prometo.
Respirei fundo e escorreguei para o chão, deixando meu laptop na cama.
- Seu irmão é meio esquisitinho, né?!
- Por quê? - ele perguntou rindo.
- Nada, não deveria ter perguntado nada.
- Ele foi estranho com você?
- Sei lá! Ele foi como ninguém nunca foi, isso eu tenho certeza.
- A Sofia também é como ninguém nunca foi.
Eu me virei o encarando.
- Faz só uma semana que a conheço, mas ela é tão espontânea, risonha, alegre e linda - ele se virou para mim e sorriu.
- Sério?
- Sério! Eu espero que isso dure bastante, sabe, essa relação que eu e ela temos, pelo menos até eu ter coragem de reagir a presença dela.
Eu sorri e o abracei.
- Muita boa sorte - falei enquanto ele me abraçava.
- Isso vai ficar só entre nós!
- Só entre nós! – prometi.
- É melhor eu ir, tenho que chegar em casa antes do almoço. - ele disse se levantando - Mas eu adorei conversar com você, mesmo que tenha sido bem rápido, eu gostei. É fácil falar com você.
- Também achei legal - sorri me levantando também.
Descemos as escadas e eu abri a porta para ele, nos despedimos e ele foi embora.
Será que eu também estou na mesma situação que o Dan? Não conseguir responder a presença de Max. Não conseguir reagir direito, nem pensar.
Eu o conheço há tão pouco tempo mas não consigo reagir direito, ele não me deixa desconfortável nem nada disso, porém me deixa sem reação. Fico sem vontade de me mexer com medo de estragar o momento ou fazer algo que atrapalhe o momento que eu fico com ele.
- Ai, que droga - sussurrei para mim mesma.
- Querida, já vou colocar o almoço - minha mãe avisou da cozinha.
- Ok - falei indo até a cozinha ajuda-la.

(...)

Sabe aquele dia que você acorda cheia de dor, com o corpo gritando "eu estou com dor", então foi assim que eu acordei. Ontem à noite eu e meus pais ficamos jogando Just Dance. E eu estou acabada!
Joguei-me no chão e me arrastei até o banheiro, tomei um banho - acho que dormi durante ele - e depois me arrumei de qualquer jeito. A primeira blusa que vi foi a que o Dan me deu ontem, e coloquei uma calça comprida jeans, meu tênis All Star e amarrei meu cabelo.
Desci as escadas e encontrei meus pais rindo de algo.
- Animada para esse fim de semana, querida? - meu pai perguntou sorridente.
- Por que eu estaria? - perguntei me sentando ao lado dele na mesa.
- Esse fim de semana vai ter o campeonato das empresas, querida. O tão esperado jogo de beisebol do ano. - ele falou empolgado.
- Sério que é esse fim de semana? - perguntei já me levantando - Que isso, hein? Vamos acabar com os Green’s igual ano passado - eu e meu pai batemos as mãos em um high five.
- Vocês são fogo - minha mãe falou rindo.
Começamos a rir, recebi a mensagem de Carter e fui para fora encontrar o louco.
- Bom dia - ele disse quando entrei em seu carro.
- Bom dia - falou alegre.
- Você pode vir hoje com o Max? – ele me perguntou.
- Por quê? - perguntei curiosa e ficando nervosa. Eu não tinha problema em ficar com ele, mas me trazia tanto nervosismo que eu preferia me manter distante, eu admito que o sábado fosse muito bom ao lado dele, mas o nervosismo continuava a me dominar.
- Hoje vai ter uma reunião na escola da Lily, vou sair um tempo antes da escola para chegar a tempo na escola dela.
- E a Amélia?
- Hoje o pai dela vai busca-la por que ele vai visitar a tia dela hoje à tarde, na cidade vizinha.
- Entendi - falei -, tudo bem, eu volto com ele.
Logo paramos na casa de Amélia e depois partimos para a escola.
Chegamos lá e encontramos Stella e David conversando com Max.
- Olá - Amélia chegou cumprimentando a todos.
- Oi - Max respondeu.
- Radiante dia - Stella respondeu com um sorriso forçado.
- Cadê o bom? - Carter perguntou.
- Se eu falar bom eu vou mentir - Stella respondeu e David riu.
O sinal logo bateu e fomos para as salas.
- Max - o chamei enquanto íamos para sala -, você pode me levar hoje para casa?
Ele olhou de canto para mim com um pequeno sorriso nos lábios.
- Claro - ele me respondeu.
Continuamos andando, mas eu não consigo guardar as coisas, então...
- Você não vai perguntar o porquê?
- Por que eu perguntaria? - ele me respondeu com outra pergunta.
- Por curiosidade?!
- Não estou curioso!
- Você fica de boa eu indo com você?
- Fico! - ele me respondeu parando de andar e me encarando - Você que parece incomodada.
- Não estou incomodada - afirmei.
- Que bom!
Continuamos nosso caminho ate a sala do Manson, para mais uma aula infernal.

(...)

- Podemos ir? - Max me perguntou quando eu estava saindo da escola e ele encostando-se a seu carro.
- Sim - falei soltando o cabelo -, onde está o Dan?
- Ele vai sair com alguns amigos - ele me explicou enquanto eu arrumava meu cabelo e fazia um rabo de cavalo. Ele olhou para mim e começou a andar lentamente ate mim.
- O que foi? - perguntei quando ele já estava bem a minha frente.
- Sua pedra - ele apontou para meu pescoço.
- Sim, eu fiz um cordão. Gostou?
- Gostei - ele falou abrindo um sorriso. Ao ver o sorriso dele não deu tempo de mandar uma mensagem para o meu cérebro proibir da minha boca se abrir e mostrar os dentes.
Sim, eu sorri involuntariamente! De novo.
Fomos para o carro e eu não conseguia parar de olhar o Max.
Eu o fitava de canto, mas eu não conseguia manter meus olhos longe dele, eu queria tanto parar de acelerar meu coração. Até que eu me lembrei de um desenho e comecei a rir.
- O que foi? - Max me perguntou.
- Você se parece com um personagem de desenho que eu era apaixonada - comecei a gargalhar
- Quem? – ele perguntou.
- Young Justice, o Super Boy - falei ainda rindo -, você é igualzinho ele, pelo menos na aparência sim. A personalidade eu não sei.
- E você era apaixonada por ele?
- Claro que era, ele era o maior gato.
- É?
- Sim - o encarei e vi o sorriso em seu lábio, foi ai que a tapada entendeu. Eu disse indiretamente que ele era gato. - Ah
- Bom saber dessas coisas!
- Por quê?
- Por nada - ele falou enquanto dirigia - Quer ir ao shopping?
- Você não tem que trabalhar?
- Já sai do emprego - ele me respondeu - Quer ir? Não estou afim de ficar em casa.
- Tá - respondi - Minha casa vai estar vazia mesmo.
- Ok.
- A gente pode comprar uma blusa pra você do Super Boy - falei empolgada e ele começou a gargalhar.
Chegamos bem rápido ao shopping, deixei minha mochila no carro e entramos. Meu braço foi automaticamente para o braço dele.
Ele nem se queixou, o puxei para o subsolo onde ficavam as galerias do shopping, as lojas menos visitadas, tinha uma loja de artigos de gibi e mangás, então provavelmente também vendia blusas.
Entramos e eu achei a ala de blusas.
- Aqui - o puxei para a parte de blusas e comecei a procurar.
- É serio que você esta procurando uma blusa do Super Boy?
- Sim, e você vai usar!
- É mesmo?!
- Sim - parei de procurar e o encarei - Ou você não vai querer usar um presente meu?
Ele ficou rindo e eu voltei a procurar a blusa. Depois de passar por varias blusas do Lanterna Verde -  por que tem tantas? - finalmente achei a do Super Boy.
Ele se dirigiu o trocador pra experimentar a blusa.
- Eu quero ver - gritei.
Ele abriu o trocador e lá estava ele com a blusa combinando perfeitamente nele.
- Tá muito maneiro - falei sorrindo.
- Ficou muito maneiro - uma mulher falou ao meu lado - Boa tarde - ela nos cumprimentou -, eu sou a Lana e qualquer dúvida é só falar comigo - ela se apresentou e depois ficou distraída olhando Max e mordendo os lábios.
- A gente não esta com nenhuma dúvida - falei rápido - Max, vamos.
Max deu um sorrisinho e fechou a cortina. A mulher ficou se esticando para olhar ele até o ultimo segundo.
- Ele é um gato, nossa - falou se abanando - Ele é muito lindo - ela olhou pra mim -, tem aquele cara que é bonito, mas esse é um deus grego.
- Ãrrã – concordei.
Max abriu a cortina, eu corri ate sua mão e o puxei.
- Menino - falei ao se lado andando ate o balcão -, você é um chamariz para mulheres. - eu disse – Mas, cara, a gente nem pode andar com você que fica escutando como você é um deus grego. Isso é muito chato. – reclamei.
- E como você me definiria se me visse na rua? - ele me perguntou quando entramos na fila.
- Atraente - falei -, mas não ficaria me abanando e falando "Aí meu Deus, o que é aquilo? Ele saiu de um olimpo?”.
- Eu não acho que elas tenham neurônios o suficiente para fazer uma frase assim.
Tapei minha boca chocada
- Quê isso, Max, o deus grego está menosprezando suas fãs - eu abri a boca chocada - isso não se faz.
Comecei a gargalhar.
- Fiquei curiosa - falei parando de rir.
- Do que? - ele me perguntou dando um passo a frente, pois a fila tinha andado.
- O que você diria sobre mim?
- Misteriosa.
- Misteriosa? - perguntei confusa e com uma careta.
- Sim - ele disse dando mais um passo -, você não é uma garota que é decifrada tão fácil assim, até mesmo pelo seu modo de se vestir.
- Várias meninas se vestem assim! – afirmei.
- Sem maquiagem? - ele me encarou - Com o cabelo normal? Ãrrã, claro! Todas as meninas fazem isso.
Eu ri do comentário dele, eu era normal! Ok, eu não gastava meu tempo me maquiando. Eu amo maquiagem e tenho uma maleta completa, mas a preguiça me vence a cada segundo da minha existência.
- Próximo - o homem que estava no caixa gritou.
- Menos mal - sussurrei enquanto íamos em direção ao caixa, fiquei na ponta dos pés e me apoiei em seu braço para alcançar o ouvido dele -, é homem - falei rindo.
- Boa tarde - o homem nos cumprimentou.
- Boa tarde – respondemos.
- A blusa fica por... - ele passou aquela maquininha, que parece de raio X, no código de barra da notinha da blusa -... 15 dólares.
- Ok - falei e comecei a procurar em meu bolso da calça o dinheiro.
- Obrigado - o homem disse.
Eu virei para frente e vi o Max pagando.
- Ei - exclamei -, era um presente!
- Me dê um presente melhor!
- Tipo?
- Que tal ir ao cinema?
- Só vou aceitar por que eu não tenho nada pra fazer.
- Ok - ele disse rindo.
- Aqui está - o homem disse entregando a sacola - e tenham um bom cinema - o homem disse rindo.
- Obrigado - Max agradeceu e fomos em direção à saída.
- Que filme iremos assistir? - perguntei pegando a sacola da mão dele e vendo a camisa.
- Que tal Transformers? Eu ainda não vi.
- Também não! Só que eu não estava muito empolgada, mas vamos sim!
Começamos a caminhar em direção ao cinema, a fila das sessões estava pequena já que hoje é segunda, e ninguém em sã consciência pensa em ir ao cinema, mas ok.
- Isso tá nojento - falei indicando o casal que estava se engolindo na nossa frente, eles estavam na fila também e com toda certeza eram mais novos que eu.
- Demais - Max concordou com uma cara muito engraçado olhando para o casal, aquelas caras de horrorizado ao mesmo tempo enojado - dá pra escutar o barulho da saliva.
- Para, Max - exclamei desviando o olhar para o chão -, que nojo!
Ele começou a rir da minha careta. Foi indicado na tela que ficava passando os trailers dos filmes que o caixa 2 estava vazio, e o casal nojento não se mexeu. Foi indicado novamente e eles não se mexeram.
- Como é que é? - falei quase gritando - Andem logo!
Eles se viraram pra mim e depois olharam a tela.
- Desculpe - a garota pediu com uma cara de ignorância extrema.
Eles foram para o caixa.
A tela indicou o caixa 5 livre e fomos para ele.
- Boa tarde, o que desejam assistir? - uma mulher que deveria ter seus 30 anos nos perguntou.
- Dois ingressos para assistir Transformers, por favor - Max pediu enquanto eu ficava distraída olhando os pôsteres dos filmes.
- Qual lugar? - ela perguntou.
- Tem preferência, Blair? - Max me perguntou
- Que tal - olhei para o monitor que mostrava os lugares - fileira I cadeiras 7 e 8?
- Tá ótimo - ele concordou -, essas mesmo!
A mulher digitou algumas coisas, o Max pagou e ela nos entregou os ingressos.
- Tenham um bom filme - ela desejou e saímos do caixa de atendimento.
- O que você quer comer?
- Max, não precisa! Sério, você já esta pagando o cinema. Não quero comer nada.
- Ok, então a gente vai de pipoca - ele disse e foi em direção à lanchonete.
- Você não tem jeito, né?!
- Não - ele respondeu chegando na lanchonete - Eu quero o pipoca Mega, 2 copos de 300ml e um pacote de chiclete, por favor.
- Ok - a atendente disse e foi preparar os pedidos.
- Eu disse que não queria nada.
- Vai recusar o refrigerante?
- Muito bobo, na moral! - falei sorrindo.
- Obrigado - ele disse, pagou as paradinhas e fomos para sala onde assistiríamos ao filme - Engraçado - ele disse comendo um pouco da pipoca que eu estava segurando -, toda vez que a gente for ver um filme vai ser Transformers?
- Então que tal o próximo ser - parei para pensar -, já sei! - falei toda empolgada - Podemos assistir um da Marvel, eu imagino que você goste.
- Gosto sim!
- Perfeito
- Ingressos, por favor, senhorita - o cara que estava na entrada da sala pediu.
Equilibrei a pipoca entre o braço e meu corpo e peguei os ingressos em meu bolso, sim estavam comigo.
- Aqui – entreguei.
Ele sorriu pra mim, marcou nossos ingressos e me entregou.
- Obrigado - ele falou e piscou.
- Tá né - falei e entrei na sala com um Max bolado atrás de mim. - Que foi? – perguntei.
- Aquele cara pensa que estava falando com quem? - ele falou enquanto subíamos as escadas procurando nossas cadeiras.
- Deixa pra lá! - falei - Achei - indiquei e nos sentamos.
Ele sentou no corredor e eu ao lado esquerdo dele, logo que sentamos os trailers começaram. O filme começou logo depois, estava até que maneiro, já deveria ter se passado uns 20 minutos pelo menos.
- Achei, amor - eu escutei uma garota falando e apontando a cadeira a nossa frente.
Um garoto veio e eles sentaram em nossa frente, adivinhem que era o casal!
Se você chutou o casal saliva, acertou. Cara, tanto filme para eles verem e eles escolhem esse? É muita sorte.
- Que sorte - Max sussurra.
- Né! – concordo.
Passou-se uns 5 minutos ou algo assim e começou o som de saliva, olhei pra frente e estava lá os saliventos dividindo a saliva e o barulho.
- Eles não sabem se beijar sem fazer barulho, não? - Max perguntou.
- Eu queria que eles soubessem - falei já ficando com raiva. Sem problemas eles se beijarem no cinema, mas tem que fazer tanto barulho assim?
Max começou a chutar a cadeira dele.
- Dá pra parar com esse barulho todo! - Max gritou.
- Cara, você não tá vendo que eu tô namorando, não? - o garoto falou.
- Cala a boca - falei jogando pipoca na cabeça dele.
- Ô garota você está falando com o meu namorado - a garota levantou.
- Que sorte a minha - falei e taquei meu refrigerante na cara dela.
Ela ficou toda chocada e saiu correndo.
- Vocês nos pagam - o garoto falou e correu atrás da namorada.
- Aeeeee - o pessoal começou a comemorar atrás da gente - Vocês são o casal ouro - eles gritaram pra gente
- Valeu - Max se virou e agradeceu
A gente se sentou e retomamos a ver o filme.

(...)

- Ok, eu adorei a parte em que o Optimus montou naquele dinossauro robô - falei toda empolgada e rindo.
- Foi mesmo muito bom - ele falou rindo.
- Que horas são? - perguntei curiosa.
- Quase 20h - ele me respondeu tranquilamente olhando no celular.
- Por que você está tão tranquilo assim? - perguntei desesperada - Meus pais vão me matar - falei quase gritando.
Puxei a gola da camisa dele e ele arregalou os olhos.
- Me leva pra casa, agora - falei histeria.
Larguei a gola dele comecei a puxa-lo pra porta por que ele ficou estático.
- Vamos, Max - falei quase chorando -, anda!
- Calma aí! - ele falou parando de andar e me puxando - Você me puxa daquele jeito e acha que eu vou ficar normal?
- Como assim?
- Tipo isso - ele me puxou pela cintura e ficou bem próximo do meu rosto, eu sentia a respiração quente dele em meu rosto - Quem puxa alguém assim para falar uma coisa tão simples como "me leva para casa, agora!", ninguém, Blair!
- Eu não te puxei assim! - falei ainda em seus braços.
Ok, isso ficou muito romântico.
- Sim, todas as garotas puxam um menino pela gola só para falar algo. Claro, eu sempre sou puxado pela gola, bem normal uma garota ficar me segurando.
- Tá, isso foi meio estranho, admito - concordei - Mas você pode me soltar agora?
- Ah tá - ele se tocou e me soltou, mas me soltou bem devagar. Tirando a mão de um lado da minha cintura e passando pelo outro, e esse toque dele me afetou e muito.
Sabe quando você lê em livros de romance como a garota se sente quando o mocinho da historia a toca e ela fica confusa, então foi assim que eu me senti, conturbada me definia bem no momento.
- Desculpa - ele falou se afastando um pouco -, foi só para demonstrar, meio que me exaltei - ele falou me encarando.
- Ok - falei o encarando mais com meu olhar ainda confuso, se exaltou? Eu não entendi! Alguém me explica?
- É melhor te levar pra casa. - ele afirmou e começou a caminhar em direção a saída e eu fui seguindo um pouco distante.
Entrei no carro, eu coloquei a sacola da blusa dele no banco de trás, coloquei o cinto, enquanto ele me observava. Ele acha que eu não tenho visão periférica e consigo vê-lo? Mas sabe o que é pior? Você acha que vai pegar a pessoa no flagra e ele vai levar um susto, mas com o Max não!
Ele é totalmente diferente de tudo que você imagina, tão diferente de tudo que você imagina que um garoto vai fazer ou pensar. Ele parece que não tem uma personalidade só, mas ao mesmo tempo ele tem sua própria personalidade. É tão, surpreendente e ao mesmo tempo angustiante, nunca sei o que fazer ou pensar.
Eu o olhei, e ele voltou a me encarar enquanto terminava de encaixar a chave do carro, olhando pra mim.
Bosta de momento que ele acerta o buraco da chave.
Ele deu partida e foi em direção a minha casa, fomos em silêncio o trajeto inteiro.
- Pronto, senhorita - ele disse desligando o motor do carro.
- Valeu - agradeci tirando o cinto e pegando minha mochila no banco de trás. -, eu gostei muito do passeio.
- Eu que tenho que agradecer pela companhia.
Eu sorri
- Obrigado - ele me disse com um olhar de satisfação
- Pelo quê? - perguntei curiosa.
- Por me dar um dia repleto de seus sorrisos.
Aí nasceu um sorriso involuntário, o beijei na bochecha rápido e sai do carro correndo para minha casa.
Acontece que você abre a porta e encontra dois senhores muito iguais de costas espiando pela janela.
- Tio? – pergunto.
Eles levam um susto e saem da janela.
- Querida - meu tio corre e me abraça.
- O que o senhor esta fazendo aqui? - pergunto toda feliz.
- Ele veio para o jogo do fim de semana - meu pai responde vindo da janela.
- Quem era o menino? - meu tio pergunta baixinho - Seu namorado? Pode contar para o titio aqui.
Meu tio é irmão gêmeo do meu pai, ele sempre esta com a gente. Sempre estava, até nos mudarmos. Ele é um dos sócios principais da empresa do meu pai, sendo assim ele pode participar do jogo de baseball.
- Tio, eu não tenho namorado - falei no mesmo tom de voz dele.
- Era o que sua mãe dizia para o pai dela, quando foram descobrir já fazia dois meses que estavam namorando.
- Ron - minha mãe chamou -, para de inventar coisas,
- Tô inventando nada, e fica quietinha aí por que eu que sei da história toda.
Minha mãe e meu tio são melhores amigos desde o quatorze anos de idade, mas ela não falava muito com o meu pai. Quando eles fizeram dezesseis anos meu tio apresentou definitivamente eles, daí em diante dá para imaginar o resto da história.
Meu tio diz que salvou a pátria, se não eu aqui não existiria então tudo é graças ao meu titio lindo.
- Cadê a tia Margaret? – perguntei.
- Ela vai vir só no fim de semana - ele me explicou -, eu vim adiantado por que vamos ter algumas reuniões na empresa - ele disse abraçando meu pai pelos ombros.
- O Caio vai vir? - perguntei. Caio era o filho do meu tio, eu e ele éramos muito colados na infância, à gente não se desgrudava, mesmo ele sendo dois anos mais velho que eu.
- Não, ele disse que a faculdade está o sugando, mas ele te mandou isso aqui. - meu tio tirou uma carta do bolso e me entregou - Ele disse que só você poderia ler, e que só você poderia ajuda-lo.
- Tá bom - falei pegando a carta. -, eu vou tomar um banho e já venho jantar.
- Não antes de explicar por que chegou tão tarde - meu pai falou.
- Eu estava com o Max – comecei.
- Ui, era um garoto mesmo - meu tio comentou.
- A gente foi ver um filme e terminamos perdendo a hora.
- Nossa, perderam a hora - meu tio novamente fez um comentário desnecessário.
- TIO - gritei -, dá pra parar?
- Tudo bem, mas da próxima vez avise! - minha mãe disse cruzando os braços.
- Pode deixar - falei dando o dedinho de positivo e subindo as escadas. Entrei em meu quarto e joguei tudo em cima da minha cama, inclusive a carta de Caio. Amarrei meu cabelo e fui tomar banho, relaxei bastante e fiquei pensando em meu dia por completo.
Ok, vamos admitir que foi até que legal sair com o Max, sério mesmo. O filme, a gente indo comprar a blusa dele e, por pior que seja admitir, a melhor parte foi quando ele me puxou. Fiquei relembrando essa parte várias vezes em minha cabeça. Fiquei repassando o sentimento de nervosismo muitas e muitas vezes. Era tão bom aquele sentimento, aquele que te dar vontade de querer mais, que deixa um gostinho de "quero mais".
Mergulhei na banheira e só conseguia pensar naquela droga de olhos azuis lindos, aquela coisa que parecia uma joia rara na minha vida.
- CHEGA - gritei levantando a cabeça - eu tenho que parar com isso, droga! Ele é só mais um amigo. – suspirei.
Por que eu não consigo o considerar como um amigo? Por que não consigo vê-lo como uma pessoa qualquer, por que eu o vejo de um modo TÃO diferente?
- Tanta pergunta esta me deixando estressada! - falei enquanto levantava e me enrolava na toalha.
Sai e me troquei, coloquei uma calça de moletom e uma blusa preta com a bandeira dos Estados Unidos, ser patriota é tudo.
Quando eu ia sair do quarto eu vi na cama a carta de Caio, voltei e me sentei na cama e comecei a abrir o envelope, ele estava lacrado, provavelmente com a baba do cachorro Beagle de Caio. Abri e comecei minha leitura.

“Como te conheço bem você deve estar pensando ‘Por que Caio me envio uma carta ao invés de uma mensagem?’
Então minha querida prima, irei te explicar!
Estou realmente nesse momento sem bateria no meu celular e meu notebook quebrou semana passada, enfim vai por carta mesmo, ainda mais por que estava inspirado. Muito bem, serei direto, TÔ APAIXONADO.
Você deve estar com os olhos arregalados e pensando ' Como assim meu primo gostoso, inteligente, sarado do caramba esta apaixonado?'
Sim, eu estou! Louco por uma garota daqui da faculdade, o nome dela e Kristen, a beleza dela é apenas um bônus. Ela é alegre o tempo todo, esta sempre disposta a te ajudar e ela é... demais!
Não consigo explicar como ela é especial para mim, e eu pretendo pedi-la em namoro, o que você acha?
Eu sempre levei sua opinião muito a sério, sua palavra parece até de mãe, se você diz é melhor não, e mesmo assim sou contra e dá tudo errado. Por favor, me telefone quando terminar de ler.
Te amo!
                                        - Seu eterno primo lindo e gostoso.’’

Fiquei de boca aberta, formando um O perfeito.
- Ai Meu Deus - falei baixinho
Joguei-me na bolsa que estava na cama e peguei meu celular e comecei a procurar o número do Caio, desesperadamente.
- Hello my amore - ele atendeu.
- AI MEU DEUS – gritei.
- AI MEU DEUS QUEM DIZ É MEU OUVIDO.
- Você esta apaixonado - disse com a voz mais calma.
- Estou - ele disse rindo -, ela é demais, Blair! Você não tem noção de como ela é demais, tão especial e maravilhosa.
- Quanto tempo você a conhece?
- Já deve fazer uns cinco meses, e eu sinto uma parada muito forte quando estou com ela. É surreal! Mas e aí, você me apoia?
- Apoiado! - falei rindo - Quero conhece-la, para deixar meu primo nada gato e muito burro louco assim.
- Para de mentir para si mesma Blair, eu sou gostoso. E também, todas as garotas tinham inveja de você por que é a prima do garoto mais lindo de São Francisco ate hoje.
- Ãrrã, ok senhor bonitão! Vou jantar, ate logo idiota.
- Ok, se ela aceitar te envio um foto nossa.
- Já estou esperando, ela não é louca de recusar meu primo, ela morre.
- Valeu minha assassina preferida, beijos na barriga. –ele disse nossa despedida sempre muito inteligente e carinhosa.
- Beijos no cotovelo - falei e desliguei.
- Querida, queremos comer - meu tio invadiu meu quarto reclamando.
- Estava conversando com o Caio?
- Você leu a carta?
- Sim
- O que dizia?
- Logo vai descobrir. - falei sorrindo, me levantei e desci as escadas escutando meu tio reclamar.
- Como assim? Ai Meu Deus, ele se vendeu no mercado negro, né?!
- Que isso? - meu pai perguntou soltando minha mãe do abraço.
- Caio se vendeu no mercado negro para a Turquia, garota bonita – afirmei.
- Eita - minha mãe falou colocando os pratos na mesa.
Comemos e subi rápido para o quarto. Meu tio só ficou pra encher a barriga e depois foi embora.
Entrei no quarto e vi uma ligação perdida da Amélia, liguei de volta.
- Oi, Amélia, me ligou?
- Foi sim, desculpa ter saído sem falar com você! Fui visitar os parentes - ela falou com um barulho de água no fundo.
- Que barulho de água e esse? Tá cagando enquanto fala comigo?
- Até que tá dando vontade mesmo.
- Que nojo!
- Tô lavando a louça, idiota - ela falou - Enfim, tá tudo bem?
- Tá sim, voltei direitinho.
- Chegou que horas em casa?
Agora ferrou, ela vai me lascar de perguntas.
- Quase as 20h - falei fechando os bem devagar meus lindos olhinhos.
- POR QUÊ? - ela perguntou e escutei o barulho de água parando.
- Eu meio que fui ao cinema com o Max - respondi pegando meu edredom no armário e jogando na cama.
- E vocês acabaram perdendo a hora, aí chegaram tarde?!
- Acertou em cheio - eu afirmei me jogando na cama.
- Conversamos amanhã, aliás hoje não tivemos tempo de conversar sobre a praia, mas amanhã vamos conversar sobre tudo isso.
- Vou dormir Amélia, tá tarde - fingi um bocejo.
- Não desligue e ain...
Tarde demais, eu já tinha desligado, que pena.
Acomodei-me na cama e olhei para o teto.
- Por que o teto parece estar tão chato? - falei desanimada, aí eu pensei que seria legal ver azul. - Argh, eu odeio azul - falei enterrando minha cara no travesseiro.
Odeio odiar o azul, ele não tem culpa de nada, quem tem culpa são os olhos do Max.
DROGA, DROGA, DROGA!
Meu telefone tocou, pegue e era uma mensagem de Caio. Abri e vi o garoto de cabelos castanhos e olhos mel com o corpo super bem definido, meu primo nada gato, abraçando por trás uma loira com os olhos claros. Ela sorria e ajeitava o cabelo atrás da orelha, enquanto Caio sorria com o queixo apoiado no ombro da garota. A foto tinha uma legenda
"Deu certo!"
Sorri ao ver a foto. Bom, pelo menos a menina não era azul, por que eu estou começando a odiar os Smurfs, por culpa de quem? MAX.

DROGA!

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