quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Capítulo 17 - Pensamentos conflitantes

Capítulo 17
Pensamentos conflitantes
- Blair Montello


Acordei na terça com uma grande vontade de não me mexer, gostaria de ficar apenas com meus pensamentos. Ainda estava em êxtase com pelo Max, eu queria tanto falar com alguém.
Lembrei-me de que falaria com a Lily quando tivesse certeza de meus sentimentos. Que ódio de ter certeza.
- Querida hora de... - minha mãe parou na porta a me ver levantando - ... Isso está ficando muito estranho, você acordando sozinha todos os dias, muito estranho.
Deve ser tanta perturbação dos meus pensamentos, pensei.
- Sei lá - falei e fui para o banheiro me arrumar.
Depois de pronta, com uma sapatilha vermelha, uma calça jeans preta e uma blusa azul escura com os dizeres "I love Cupcake". Sentei na cama e liguei para o Carter.
- Oi - ele atendeu -, estou só esperando a Lily terminar de se arrumar, deixo ela na escola e vou para sua casa. Acordei atrasado hoje.
- Tudo bem - falei bem calma - Eu quero falar com a Lily.
- Pra quê?
- Meio que NÃO É DA SUA CONTA! - gritei no ouvido dele.
- Louca - o ouvi chamando a Lily e depois alguns passos na direção do celular.
- Olá - ouvi a voz sorridente da Lily, sim eu disse sorridente.
O quê? Tem gente que sorri com a voz.
- Oi, Lily, bom dia!
- Bom dia!
- Eu quero te contar uma coisa, tem haver com o nosso segredo.- comecei a balançar as pernas, eu parecia uma criança nervosa.
- Pode falar - ela deveria estar pulando pelo barulho.
- Eu acho que...gosto do Max. - falei apertando os olhos e me jogando para trás na cama.



- O Carter já chegou? - minha mãe perguntou chegando ao meu lado enquanto eu arrumava o meu tênis.
- Não, só quero pegar um ar, tô meio sufocada. - dei um beijo na bochecha dela e mandei um para meu pai - tchau gente.
- Tchau querida - ouvi meu pai falando e fechei a porta.
Andei ate o meio fio da calçada e sentei colocando minha mochila nas pernas.
Por que era tão difícil respirar sem pensar no Max? Eu realmente queria parar de pensar nele, eu quero pensar nas cartas de admissão da faculdade que eu enviei no começo das ferias, quero pensar nas minhas provas, nos meus amigos, de como eu vou ficar depois que for para faculdade. E não de como os olhos do Max são lindos, de como ele é bonito, inteligente, atraente e mesmo assim tem seu lado carinhoso e brincalhão de um modo que eu gosto. De um modo legal, mas que me deixa perturbada.
Enterrei minha cabeça em minhas mãos e comecei a respirar fundo.
- Eu quero respirar - falei para mim mesma - e quero respirar sem o Max.

(...)

Depois que o Carter foi me buscar minhas aulas foram relativamente normais. Combinamos como sempre de nos encontrarmos no intervalo.
- Olá, Carmélia, Blair e DNA perfeito - Stella disse chegando junto conosco e se sentando ao lado de David que já estava na mesa.
- Oi - falei meio desanimada.
Passei o dia todo assim, ainda mais quando Max estava ao meu lado. Ele me deixava mais nervosa ainda.
Ele perguntou varias vezes no dia se eu estava bem, eu estava bem, ele que não me deixava bem. Ele me deixava nervosa, tá bom que eu gostava desse nervosismo. Mas chegou uma hora que me incomodou, isso é um saco.
Não e possível que eu goste dele, não e possível.
- Posso almoçar com vocês? - olhei para direita, já sentada ao lado de Stella com Max a minha frente. Era a Diana, ela já estava estudando aqui desde o retorno das férias, mas eu mesma ainda não tinha a visto.
- Ô inferno, como você me achou? - Carter perguntou inconformado.
- O inferno sempre acha o pecador - Diana respondeu.
- Gostei dela - Stella disse -, pode sentar.
- Obrigada - ela agradeceu e se sentou ao lado de Max, aquilo me incomodou um pouco. Por que ela não sentou ao meu lado?
- David, vai comer essa maçã? - perguntei, ele era o único que tinha pegado alguma fruta na bandeja, nem bandeja eu tinha pegado.
- Pretendo, é que...
- Valeu - o interrompi pegando a maçã e saindo da mesa.
- Ei - Amélia exclamou -. onde você pensa que vai?
- Não estou com fome! - me virei para responder.
- Desde quanto você não tem fome? - Carter me perguntou.
- Só estou enjoada - falei comendo um pedaço da maçã -, vou pegar os livros da próxima aula.
Fui para o corredor que estava completamente vazio, cheguei de frente para o meu armário e me sentei encostada nele.
- Por que eu tô assim? - me perguntei.
- Também queremos saber - ouvi Stella falando e sentando ao meu lado.
- Vocês deveriam estar comendo - falei fechando os olhos.
- Eu prefiro me preocupar com a minha amiga - Amélia falou se sentando de frente para mim.
- Eu acho que gosto do Max - falei apertando meus olhos fechados -, e isso esta me sufocando.
- Agora tudo faz sentido - Stella falou.
- Faz o que?
- Os olhos dele brilharem ao te ver - ela disse com um sorrisinho malicioso.
- Impossível - falei com os olhos arregalados.
- Por que seria? - Amélia me perguntou - Você é linda, pare de se menosprezar! Sua beleza exterior é tão linda como a interior, pare com isso ouviu?
- Tá bom - falei para encerrar o assunto.
Olhos brilhando, aí eu fiquei imaginando como deve ser aqueles olhos azuis brilhando.

(...)

- PREPARADA, QUERIDA? - meu pai gritou do carro.
- PREPARADA - gritei indo para o carro. Finalmente o sábado havia chegado, o dia do jogo de beisebol. Durante a semana eu fiquei me animando, não posso ficar triste ou desanimada daquele jeito, se eu gosto dele legal, isso é super maneiro. Mas não irei ficar triste se ele não gostar, vai ser um sentimento importante para mim, e eu vou guarda-lo muito bem. E eu não acredito que minha primeira paixão foi por um garoto meses mais velho que eu e que eu nem conheço direito.
BOSTA GIGANTE, mais nada a comentar!
Fui para o carro e comecei a me preparar psicologicamente para o jogo.
- Querida, eu te contei que o Max e o Dan também vão jogar? - minha mãe me perguntou.
- Como? - perguntei embasbacada.
- Eles vão jogar no meu lugar e no da Sarah - ela afirmou.
- Traidora - meu pai resmungou enquanto dirigia
- Querido, eu apoio você em muitas coisas, mas ficar correndo de uma base para a outra não dá.
- Então por que veio com o uniforme do time? - perguntei apontando para a calça listrada e a blusa com o símbolo da empresa do meu pai que se chamava Cosmetics Montello.
- Gosto de entrar no espírito para poder torcer por vocês.
- Pai, concordo com o senhor, ela é uma traidora. Ainda tem a cara de pau de falar que só vai torcer.
- Mas só vou mesmo, não tenho vergonha de dizer - ela deu de ombros.
- TRAIDORA - eu e meu pai gritamos juntos.
Não demorou muito para chegar ao campo de beisebol, vi que o carro de Max já estava estacionado, eu vi um cara que reconheci como o tio Ron e a mulher que eu gostava de chamar de tia Margaret conversando com a dona Sarah e os garotos.
- Como vão pessoas? - minha mãe perguntou saindo do carro.
- Olá - dona Sarah disse indo abraçar minha mãe, ela me disse que nessas semanas que se passaram dona Sarah virou uma ótima amiga e companheira de trabalho.
- Como vai? - minha mãe perguntou.
- Estou ótima e você?
- Perfeita - minha mãe respondeu sorrindo.
- Jena - minha tia exclamou indo abraça-la -, que saudade!
- Também senti saudades, Margaret.
- Tia - falei saindo do carro com a minha bolsa, a larguei no chão e corri para abraça-la.
- Oi, meu amor - ela me abraço rindo -, imagino que já saiba da novidade de Caio.
- Sim, já sei! - falei rindo e me afastando um pouco.
- Imaginei - ela falou rindo.
Enquanto elas continuavam a conversar caminhei em direção aos meninos.
- Boa tarde - falei para os dois que estavam conversando.
- Boa - Dan falou sorrindo.
- Oi - Max falou sorrindo para mim.
Dan estava com um boné dos Philadelphia Phillies, o time de beisebol assim como eu, só que meu time era outro, o de San Francisco Giants. Já Max não estava com boné, ele estava com o cabelo um pouco maior, mas mesmo assim bonito, e parecia que ele não passava nada no cabelo, acho que nem pente para ser bem sincera.
- Esta preparada? - Dan me perguntou.
- Eu tenho que perguntar isso para vocês, estão prontos?
- Eu nasci pronto - Max falou sorrindo.
- Essa parada - disse rindo.
Meu pai nos chamou e começou a reunir todos, quem iria jogar era eu, Dan, Max, tia Margaret, tio Ron, meu pai e mais 17 funcionários da empresa. Não era uma coisa obrigatória, mas bastante gente gostava de jogar, e quem não gostava torcia. E a arquibancada estava bem cheia.
- Quem vai primeiro? - meu pai perguntou.
- Eu - falei e peguei o taco.
- Toma cuidado - Max falou baixo encostado na grade.
- Relaxa, eu tomo cuidado - falei e fui rebater. A primeira bola eu perdi, mas a segunda não. Rebati e corri o mais rápido que pude, passei na primeira base, segunda e me joguei na terceira.
- Ponto para os Montello’s.
- Aeeeeee - a nossa torcida comemorou.
Eu me levantei do chão e arrumei meu boné.
- Vê se arrasam também, tá - falei passando pelo pessoal.
- Essa é MINHA filha - meu pai disse me abraçando e deixando bem claro o 'minha'.

(...)

O jogo estava até que bem estávamos à frente dos Grenn's. Meu pai ficou bem satisfeito com o desempenho de Dan e Max, acho que eles já tinham sido até convidados para a comemoração particular da minha família.
Só estava me estressando o filho ou sobrinho do dono do Green's ficar me olhando. Na moral, não deve ter mais garota bonita por aí, só pode.
- Querida, você joga e o Max pega a bola.
- Tá bom - falei me levantando.
Max iria pegar a bola, eu iria lançar e o idiota do filho ou sobrinho do dono do Green iria rebater.
Quando eu estava me preparando para jogar a bola, a confusão começou.
- Que isso, hein, a maior saúde - o filho/sobrinho falou me olhando com aquele olhar de malicia ridícula.
Aí a confusão piorou por que o Max se levantou e tirou a máscara e a luva e começou a empurrar o idiota e eles começaram a rolar no chão desferindo socos um no outro.
Eu corri até onde eles estavam. Precisou do meu tio e do Dan para retirar o Max de cima do garoto, Max estava com um arranham no rosto, na parte esquerda e o garoto estava com o nariz sangrando e com o olho já meio roxo.
- CHEGA - meu pai gritou se colocando entre eles.
- Ele começou - o garoto falou apontando para Max
- Você começou fazendo piadinhas para minha filha - meu pai se virou para o garoto.
- Pode deixar, Joy, eu resolvo - o dono da Green's falou - Acho que ninguém tem mais clima para jogar.
- Sim - meu pai concordou.
Ouvi um barulho, olhei para trás e vi Max se desprendendo dos braços de Dan e indo em direção à saída do campo.
Vi a dona Sarah olhar para ele, ela fez algum movimento com os lábios para ele, Max apenas concordou com a cabeça e continuou a sair do campo.
Fui andando devagar atrás dele, quando cheguei fora do campo ele estava sentado no chão olhando para o céu.
- Por que fez aquilo? - perguntei me sentando ao lado dele.
- Queria que eu parasse para conversar? - ele perguntou se virando para mim.
- Nem tudo se resolve batendo, sabia?! - falei o encarando.
- Eu não sabia, me desculpe - ele falou com ironia e se levantou.
- Então vamos cair na porrada aqui também, Max? - perguntei me levantando e ficando de frente para ele.
- Você é... - ele se interrompeu, fechou os olhos e respirou fundo, seus ombros relaxaram e voltou a me mirar - ...diferente – completou.
- Diferente como? - perguntei nervosa.
Ele colocou a mão em minha nuca e me puxou um pouco mais para perto.
- A gente tá indo embora - escutei meu tio gritando em nossa direção. Max fechou os olhos e forçou o maxilar.
- Já estamos indo! - Max gritou - É melhor a gente ir, depois terminamos essa conversa.
Ele pegou minha mão e me arrastou em direção aos carros.
- Nos encontramos na minha casa - dona Sarah falou para meus pais - Vem querido, a festa vai ser em nossa casa - ela disse, ela viu nossas mãos juntas, ele estava me segurando e eu correspondi sem querer. Ela olhou para gente e sorriu, garanto que fiquei vermelha.
Max se virou para mim e segurou minhas duas mãos.
- Eu prometo na segunda explicar tudo para você. - ele falou me encarando - Tudo - garantiu.
- Ok - falei depois de respirar fundo.
Ele balançou a cabeça, me deu um abraço apertado segurou meu rosto e me deu um beijo na testa bem demorado.
- Obrigado - falou e foi para o carro.
Enquanto eu fui andando devagar e com uma mão massageando a região do meu coração, ele estava muito acelerado.
- Tudo bem, querida? - minha tia me perguntou quando me aproximei.
- Tudo - respondi sem encara-la.
- Tá bo-om - ela falou meio arrastado e entrou no carro.
Eu fiz o mesmo, entrei no carro do meu pai.
Fomos em silêncio para a casa da dona Sarah, quando chegamos quem abriu a porta foi o Dan, sorrindo como sempre.
- Oi - ele falou quando eu entrei, fui a última.
- Oi - respondi dando um sorriso fraco.
- Quero te mostrar umas blusas, - ele falou fechando a porta - estão em meu quarto, vem - ele falou já me puxando - Vamos lá em cima rapidinho - Dan gritou informando aos outros.
Chegamos lá em cima tinham três portas, uma porta no final do corredor e duas no meio dele. Entramos na primeira, o quarto era pintado com um azul bem escuro, duas camas de cada lado da mesa do computador, um armário grande no canto do quarto e uma cômoda pequena do outro lado. Ainda tinham algumas caixas no quarto, provavelmente não haviam terminado de arrumar tudo depois da mudança.
- Posso deitar? Estou cansada - falei apontado para as camas.
- Claro, vou procurar as blusas - ele falou se afastando.
- Qual é a sua?
- Isso importa? - ele perguntou se virando para me encarar confuso.
- Um pouco – admiti dando de ombros.
- É a da direita - ele falou e se virou para ir até o armário.
Fui em direção à direita e me deitei de bruços, enfiei legal minha cabeça no travesseiro e fiquei com as pernas balançando no ar.
- Que cheiro bom - falei abraçando o travesseiro que estava cheiroso -, que perfume gostoso.
- Que bom que gostou - arregalei os olhos ainda deitada ao ouvir a voz do Max, tinha esquecido que vindo para casa dele não iria dar para só encontra-lo na segunda.
Virei-me ainda agarrada ao travesseiro, só empurrei ele um pouco para baixo para eu poder enxergar o Max.
- Gostou? –ele perguntou com as sobrancelhas questionadoras.
- Ãrrã - deixei escapar.
- Por que essa é minha cama - ele disse sorrindo enquanto eu congelava e arregalava mais ainda os olhos -, mas pode continuar aí.
Ele pegou uma blusa que estava perto do meu joelho, a colocou no ombro e saiu do quarto. Levantei-me e fui para trás do Dan.
- Dan – o chamei carinhosamente.
- O quê? - ele perguntou ainda mexendo no armário
- Eu vou te matar - falei segurando seu pescoço.

(...)

Ontem o jantar não foi nada chato, teve bastante comida boa e muito conversa. O que eu estranhei foi Max não me encarar nenhuma vez durante a comemoração inteira, isso fez eu me sentir meio isolada. Parecia que era ele que estava me evitando até segunda ao invés do inverso.
Mas eu ignorei, um pouco, essa questão e tentei me concentrar no livro que eu estava lendo. Passei meu domingo todo lendo ‘O assassinato de Laura Palmer’ apenas para ficar traumatizada durante a leitura. Meus pais tiveram que viajar ontem junto com meu tio para uma reunião da empresa, é bem raro eles viajarem para reuniões, normalmente só acontece uma vez ao ano, e tinha chegado à vez. Já que fiquei sozinha decidi ficar no sofá, sentada, lendo. Já deveriam ser umas 22horas quando a campainha tocou.
O livro que eu estava lendo não era um dos melhores para se ler quando você está sozinha e no escuro, logo eu levei um susto com a campainha. Apoiei-me no sofá para olhar primeiro para a porta, só para ter certeza de que não estava escuro naquela direção.
A campainha tocou novamente e eu levei outro susto.
- Deixa de ser ridícula, Blair - falei em voz alta só para perceber que a minha voz estava fazendo eco na casa vazia.
Levantei-me e abri de uma vez a porta.
- Oi, Blairzinha - uma Sofia com cara de drogada me disse do colo de um Dan com cara de preocupado.

- Me ajuda? - Dan me perguntou.

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