quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Capítulo 19 - Minha não tão estranha assim

Capítulo 19
Minha não tão estranha assim
- Blair Montello


Acordei com uma enorme dor na coluna, lembrei que estava dormindo no chão em cima do meu tapete e enrolada no meu edredom reserva, já que uma menininha que dormia que nem anjo estava enrolado no meu.
Eu sentei devagar, tentando não quebrar a coluna, e consegui. Virei-me e vi Sofh ainda dormindo.
Ontem, depois que o Dan saiu eu arrumei o banheiro e coloquei as roupas dela para lavar, quando cheguei ao quarto ela ainda estava acordada. Ela me contou tudo sobre a chantagem de Jake e de como estava sofrendo guardando isso para si.
- Ei - chamei a sacudido de leve -, acorde!
Ela coçou os olhos e os abriu devagar.
- Bom dia - ela disse sorrindo -, você poderia me dizer se o Dan me beijando foi um sonho?
- Não foi, não - falei rindo.
- Obrigada - ela agradeceu se levantando sorrindo mais ainda.
- Bom dia, amore - minha mãe disse entrando no quarto, ela levou um susto ao não me ver na cama e ver outra garota na cama. - Você é a Sofia Bloom, né?!
- Sim, senhora - ela falou.
- Mãe, essa é sim a Sofia Bloom, a irmã do Jake, mas ela é maneira. Só que rolou uns problemas ontem, ela terminou ficando aqui.
- Oh, entendo - ela falou se recuperando do susto - Então, bem-vinda querida.
- Obrigada - ela agradeceu com um sorriso fofo no rosto.
- Bem, o café está na mesa - minha mãe disse fechando a porta.
- Você vai com o Dan falar com seus pais, né?!

- Sim - ela me respondeu -, estou meio nervosa, mas - ela voltou a sorrir - o Dan me passa toda a segurança que nunca teria.
- Fico feliz - disse sorrindo - e melhor irmos nos arrumar, daqui a pouco ele esta aqui para te buscar.
- Sim!
Eu peguei meu celular e tinha uma mensagem, era do Dan. Eu não me lembro de ter dado o meu telefone para ele, mas ok.

"Eu e Max iremos buscar a Sofh daqui a pouco, Max disse que vai nos esperar do lado de fora da casa para depois irmos para escola. Obrigado Blair, beijos.
- Dan"

- Sofh, acabei de receber uma mensagem do Dan. - quando falei isso ela veio correndo.
- O que foi? - ela se apoiou em meu ombro para ler a mensagem.
- Ele disse que daqui a pouco esta aqui.
- Ok, mas eu vou vestir o quê?
- Pega uma roupa minha - falei entrando no banheiro -, fique à vontade.

(...)

Depois de algum tempo o Dan e Max vieram buscar a Sofh, eu não sai de casa para falar com eles, estava nervosa de encontrar Max. Muito nervosa, com frio nos braços e um pouco de faltar de ar, nem quando eu ia apresentar algum trabalho eu ficava assim.
Logo o Carter veio me buscar, Amélia entrou no carro falando de algo que eu não conseguia prestar atenção de jeito nenhum.
- Até que fiquei animado, e você Blair? - Carter me perguntou.
- Desculpa, mas o que?
- A festa de Halloween da escola - Amélia explicou se virando para mim - eu estou querendo ir de Mortícia e o Carter vai como meu par, Gomez. Legal?
- Sim, mas você realmente quer ir nessa festa?
- Como eu disse, eu quero aproveitar tudo esse ano, até as festas ridículas. Só para zoar um pouco.
- Entendi – falei.
- Você daria uma ótima Carrie a Estranha, né?! - Carter falou.
- Vou poder matar que nem ela? - perguntei empolgada.
- Não, sinto muito - Amélia falou tirando o começo da minha animação.

(...)

Max não foi para a primeira aula do dia, o que me trouxe certo alivio. Eu não tive a segunda aula, a professora parece que quebro a perna ou algo assim, não consegui prestar muita atenção na explicação e como estava com boas notas na matéria dela, não liguei muito para a situação.
Um pouco antes do intervalo fui guardar os livros no meu armário, que ficava perto da central de esportes onde acontecem as reuniões e toda a organização.
O Carter e a Amélia estavam em uma reunião e eu não sabia se Stella e David já tinham chegado à escola. Então o jeito era ficar meditando em frente ao meu armário enquanto eles estavam na reunião, mas primeiro eu tinha que conseguir encaixar todos os livros dentro do meu armário.
- Oi - Max falou perto do meu ouvido, mas o filhinho de uma mãe quando falou o "oi" dele terminou assoprando no meu pescoço, o que me causou a porcaria do arrepio que estou sentindo agora.
- Caramba - gritei dando um pulo e me virando pra ele –, tá maluco? - falei alisando meus braços tentando diminuir o nervoso.
- O que? - ele perguntou.
- Isso me dá nervoso! - exclamei - Nunca mais faça isso - apontei pra cara dele -, nunca!
- Eu não fiz... Espera, você tem nervoso no pescoço?
Arregalei os olhos, ele não sabia o que era! MAS AGORA ELE SABE! D-R-O-G-A!
- Não! Agora cala a boca.
- Você tem nervoso! - ele afirmou rindo.
- Não tenho, não.
- Ãrrã, vem cá então.
- Vem cá onde, seu maluco? - meus braços que ainda estavam encolhidos ele puxou me virando de costas pra ele, me segurou e começou a assoprar devagar meu pescoço.
- PARA, MAX - gritei - É SÉRIO, ISSO NÃO É LEGAL, PARA - gritei rindo.
- Mas você está rindo - ele disse sério colocando a bochecha dele encostada a minha para eu poder ver seus olhos - não está?
- Mas não é um riso de divertimento!
- Então existe riso de tristeza agora?
- Sim! - afirmei com convicção -, existe sim
- Ok, então vou fazer isso até escutar um riso de divertimento.
- Não faça - comecei a rir - isso, é sério PARA - falei entre risos e um grande nervoso - Ok estou rindo de divertimento, viu!
Ele parou e voltou à posição anterior, com a bochecha encostada na minha.
- Não fiquei satisfeito.
- Não, e eu tô falando sério PARA - comecei a gritar de novo.
- Blair eu ... Tô interrompendo? - Amélia perguntou ao sair da central de esportes.
- Está - ouvi Max falar bem baixo no meu ouvido.
- Não, Amélia - falei tirando os braços de Max que estavam enrolados no meu corpo, um na minha cintura e o outro nos meus ombros.
- Eu só estava zoando com a Blair – ele falou.
- Zoando? - Amélia perguntou - Ok, bem, eu vou ali chamar o Carter, já volto, tá - falou e entrou na sala.
Max me segurou novamente, mas dessa vez consegui me virar antes e fiquei de frente pra ele.
- Não! Nem pensar, seu psicopata!
- Nossa, já cheguei nessa categoria? - perguntou com o olhar divertido.
- Chegou, seu doente! - afirmei e me soltei dele enquanto o mesmo ria da minha cara emburrada.
- O Dan conseguiu resolver tudo com a Sofh e os pais dela? – perguntei.
- Sim, deu tudo certo. Eles aprovaram ela fazer ballet. Quando a gente saiu parece que eles começaram uma grande briga com o Jake - Max me explicou.
- Acho que ele merece um pouquinho - eu disse rindo.
- Merece bastante - ele disse rindo comigo.
Era bom ouvir sua risada, era tão contagiante.
- A gente precisa conversar - Max falou sério.
- Sim - eu disse concordando com a cabeça.
- Eu queria te dizer que...
- Fala aí, Max - Carter disse saindo da sala e Amélia logo atrás.
- Desculpa - ela disse ao chegar do meu lado -, ele tá com fome, não consegui segura-lo.
- Tudo bem - disse rindo.
- Vamos comer que estou com fome - Carter disse seguindo para o refeitório.
Eu segui de braços dados com Amélia. Chegamos lá e encontramos David sozinho comendo.
- Onde está a Stella? - perguntei enquanto me sentava .
- Aqui - Stella levantou a mão.
Eu abaixei a cabeça para de baixo da mesa e vi Stella com a cabeça em uma perna de David e com o resto do corpo deitado no banco.
- Achei - falei sorrindo para ela.
- Não vai comer? - Carter me perguntou.
- Estou sem fome.
David largou seus talheres.
- Tu tá com o quê? - ele me perguntou - Estou ficando preocupado!
- Relaxa - eu falei rindo –, só estou sem fome.
- Pra tu - Stella colocou um chaveiro em cima da mesa. Era uma caveira de prata.
- Valeu, vou colocar na minha chave.
Comecei a procura-la na minha bolsa e não achei.
- Acho que devo ter deixado no armário. Eu já volto.
Sai da mesa e fui em direção ao meu armário, mas não consegui chegar até ele. Fui puxada pela cintura e posta contra um armário qualquer.
- QUÊ ISSO? - dei um grito - Jake? – perguntei assustada.
- Oi, Blair - ele falou perto do meu rosto com aquele cheiro de álcool impregnado na pele -, como vai?
- Muito mal - falei e tentei empurra-lo, mas não adiantou muito. Ele segurou meus braços e colocou todo o peso do corpo contra mim.
- Me larga, seu imbecil!
- Eu não estou em um dia muito bom, então que tal você me dar logo o que eu quero.
- Como é?
- O beijo que você nunca me deu – ele se aproximou mais de mim, e foi aí que eu presenciei a segunda briga do Max na semana.
Ele apareceu do nada e deu um soco no abdome do Jake, mas ele não caiu e sim revidou o soco. Eles começaram a brigar e eu fiquei sem reação.
- PAREM - gritei - MAX POR FAVOR, PARA. – eles não paravam, estavam rolando no chão trocando socos desesperados. Eu gritava, mas não fazia efeito.
- CHEGA - a diretora gritou chegando com dois professores. Eles separaram os dois.
- O que foi isso? - a diretora perguntou mostrando toda a calma dela - Para a minha sala, agora.
Fomos direto para lá sem dar um pio, os professores também foram nos acompanhando.
- Eu quero saber o que aconteceu, por que não e nada comum ter Blair em minha sala - ela falou me indicando para Max e Jake.
Eu fiquei sentada na cadeira e Max em um canto e Jake em outro.
- Diretora - eu comecei -, foi apenas um mal entendido...
- Mal entendidos não acabam em brigas onde um deles sai todo ensanguentado - a diretora me cortou apontando para Jake que estava com o nariz sangrando.
- Ele estava tentando beijar a Blair à força e eu me alterei um pouco.
- Então você entra na minha escola com um cheiro de álcool e ainda tenta agarrar uma das alunas mais dedicadas da minha escola? – a diretora perguntou a Jake que se manteve em silêncio - Você está querendo ser expulso por acaso? Não esqueça que estamos no final do ano letivo e de todos, aqui presente, você é o que mais precisa de notas.
Ela respirou fundo e passou a mão na testa.
- Mas não fique pensando que eu achei sua atitude boa, Max Jerson. Eu só não te darei uma suspensão por sua ficha ser totalmente limpa. Já você Blair parece que foi arrastada para uma briga RIDÍCULA. Não irei avisar aos pais de você, mas Jake – ela se sentou – seus pais iram comparecer a escola, ainda hoje.
Eu me levantei e comecei a caminhar para fora do território proibido.
Encontrei minha mochila na recepção, a peguei sem olhar para ninguém. Estava me sentindo meio exposta, não sei. Estava me sentindo péssima.
- Blair - Max correu até onde eu estava e segurou meu braço, eu me mantive de costas para ele - Ei - ele falou de um modo carinhoso.
Ele veio para minha frente e levantou devagar meu rosto, o segurando com as duas mãos.
- Tudo bem?
- Acho que sim - falei sem encara-lo -, eu quero ir para casa!
- Eu te levo.
- Antes tenho que pegar meu material e minha chave - disse rindo fraco -, esse era meu objetivo.
Ele me acompanhou até o armário onde se encostou perto do meu, ao abrir meu armário o rosto dele ficava tampado pela porta, o que no momento ajudou um pouco.
Eu pensei em tanta coisa, como o porquê aquele imbecil tinha que tentar me beijar? Por que o Max sempre se metia com um garoto que dava em cima de mim? Ok, eu não via problema nenhum em alguém ir tirar satisfação com um garoto que esta me perturbando. Mas se o garoto não estivesse me perturbando? E por que o Max que tinha que fazer o papel de defensor? O pior de tudo e que eu queria que ele fizesse esse papel, eu queria que ele fosse à pessoa que tirasse satisfação com os idiotas da vida. Isso era ruim? Era ruim a ponto de eu ficar feliz? Isso me confundia tanto a chegar me deixa sem ar, chegava a me deixar desanimada. Era tão ruim não saber se decidir, era uma sensação tão humilhante.
Eu tentei parar de pensar um pouco nisso e pensar no agora, aí só lembrei do nervoso que senti quando Jake me agarrou, eu cheguei a rir dessa situação.
- O que foi? - Max me perguntou após ouvir minha risada
- É que meu primeiro beijo quase foi com o imbecil do Jake - falei enquanto pegava minha chave e colocava na bolsa.
- Quer resolver logo isso?
- Resolver o que? - perguntei fechando a porta do meu armário.
Quando eu fechei a porta me permitiu ver o Max, ele já estava próximo demais. Não só o rosto ou o corpo, mas os lábios também. Seus lábios estavam colados com o meu, estavam perto o suficiente para eu saber que eram calorosos.
Eu queria ate que empurra-lo, mas meu corpo não queria, ele queria Max mais próximo e foi isso que ele fez. Eu coloquei minhas mãos em seu pescoço enquanto ele colocava uma de suas mãos em minha nuca e a outra envolvendo minha cintura. O beijo foi ficando mais intenso, parecia que nossos lábios não conseguiriam ficar mais distante do que já tinham ficado. Ele escorregou seus lábios para o canto dos meus.
- Era isso que eu tinha para te dizer - ele falou, a cada movimento seus lábios roçavam nos meus, eu me mantive de olhos fechados - mas não sou bom com palavras.
Eu abri os olhos e o encontrei me encarando. Ele deslizou a mão que estava em minha nuca para a minha bochecha, onde ficou acariciando com o polegar.
- Você é diferente de todas e de tudo que eu conheço e eu realmente tentei ser apenas seu amigo, mas não consegui. - ele encostou sua testa na minha, eu sentia a respiração dele na minha pele me refrescando do calor que corria por onde ele tocava - Me apaixonei pela garota mais incrível que já conheci.
Ele voltou a me beijar, e novamente eu não consegui impedir. Eu não queria impedir, eu queria que aquele beijo continuasse.
Os lábios se encaixavam perfeitamente, eu não sabia como corresponder aquilo, eu nunca tinha beijado ninguém. Mas parecia que ele entendeu tudo que eu queria passar quando segurei seu pescoço e o puxei para mais perto.
Como ele fazia isso comigo? Eu quase matei o Jake agora pouco por tentar me beijar, mas com ele não, com ele era perfeito. Que droga de garoto perfeito que me deixa confusa.
Ele se separou devagar, depositando beijos leves em meus lábios, ate conseguir se afastar completamente. Só fui perceber que esta encostada no meu armário quando ele se afastou, na verdade só afastou os lábios.
- Quer namorar comigo? - ele me perguntou sério.
Eu ri com essa pergunta.
- Você acha o que? Que eu fico beijando qualquer um por aí e o garoto não vai ter que me pedir em namoro, se voc... - ele calou minha boca totalmente, ele voltou a me beijar mais intensamente do que da primeira vez. Que doença esse menino tem com os meus lábios, hein? O problema de tudo é que eu quero que ele continue com essa doença pelos meus lábios, por que eu estou começando a ter certa doença pelos dele.
- Isso quer dizer um sim, né?! – Max perguntou parando de me beijar
- Sim – falei rindo.
- Então a senhorita gosta de mim?
- Não – falei séria –, eu só te acho estranho o suficiente para ser perfeito.
- Então eu sou perfeito?
- Não, você é estranho – afirmei.
- Não consegue admitir que você gosta de mim.
- Eu gosto de você, tá bom! – admiti – Gosto do seu jeito estranho em fazer tudo, e você com toda certeza é bipolar, mas eu gosto disso, tá!
- Não sou bipolar – ele protestou.
- Tá bom, você não é bipolar – falei rindo – Só é estranho
- E você é minha estranha.
- Não, ‘estranha’ é chato – falei mostrando a língua.
- Verdade – ele falou encostando a testa na minha – Você não é tão estranha assim!

(...)

- Pronto? – perguntei.
- Nasci pronto - Max me respondeu, estamos no carro dele em frente a minha casa, decidimos falar ainda hoje com meus pais sobre o nosso namoro, amanhã falaríamos com nossos amigos – Então vamos.
- Ok - eu abri a porta do carro, antes de conseguir sair fui puxada pelo cotovelo - Ei - exclamei, Max me beijo rápido.
- Agora eu estou mais que pronto - falou dando um sorrisinho e saiu do carro me deixando com uma cara de baiacu morto lá dentro. Sai do carro com raiva.
- Você pensa que pode me beijar, assim, de surpresa o tempo todo e me deixar sozinha para eu refletir?
- É tipo isso - ele olhou rindo.
- Ridículo.
- Olha só - ele se aproximou de mim e sussurrou ao meu ouvido - só não te beijo de novo por que estamos na frente da sua casa e eu ainda não falei com seu pai.
- Tá se achando - sussurrei de volta.
- Vou me achar mais ainda após ter permissão oficial para beijar a garota que gosto quando eu quiser.
- Quem mentiu para você ao dizer que vai ser quando você quiser?
Ele sorriu pra mim, se aproximou mais e sussurrou que quase não ouvi o ''Te adoro'' e beijou minha bochecha, não consegui evitar o sorriso bobo em meu rosto.
Começamos a caminhar em direção a minha porta, peguei a chave e a abri devagar, quando a porta estava quase completamente aberta Max parou minha mão.
- O que foi? - perguntei confusa.
- Bem, é que - ele passou a mão nos cabelos, parecia estar nervoso e era a primeira vez que via Max nervoso de uma forma mais calma - eu sei que se seus pais não permitirem você não irá namorar comigo, sei que respeita muito a opinião deles. Mas eu quero deixar bem claro que eu vou continuar gostando muito de você.
- Max - dei um sorriso fraco para ele, coloquei minha mão em seu rosto e no outro lado lhe dei um beijo demorado na bochecha -, tenho certeza que eu vou adorar provar desse sentimento, vai dar tudo certo - disse encostando minha testa na sua, ele sorriu.
Eu terminei de abrir a porta, minha mãe estava na cozinha, eu e Max entramos e fomos em direção à cozinha. Eu nunca me senti tão nervosa em contar algo para os meus pais. Max já tinha tirado suas conclusões, eu sendo a garota que sou não iria desobedecer meus pais. Porém, agora já não tinha tanta certeza, eu gostava de Max, não sabia se conseguiria desistir assim tão fácil, de jeito nenhum queria desobedecer meus pais, mas não queria deixar Max. Então a parada era torcer com tudo para eles aprovarem o namoro.
Com esse pensamento continuei caminhando pelo corredor.
- Oi, mãe - falei ao chegar e vê-la abaixada espetando um frango no forno.
- Olá, querida - ela disse se levantando quando avistou Max – Oi, Max, tudo bem?
- Estou ótimo, senhora Montello.
- Vocês vão fazer algum trabalho?
- Na verdade não, o papai está em casa?
- Sim, no escritório, por quê?
- Poderia ir chama-lo?
- Claro - ela falou com a testa franzida.
Ela subiu as escadas e eu fiquei meio tensa, a maioria das garotas na minha idade já passou por isso uma ou duas vezes pelo menos ou esconderam dos pais, mas eu nunca passei por nenhum dos dois.
Senti os braços de Max envolverem meus ombros e me puxar para perto depositando um beijo no topo da minha cabeça.
- Vai dar tudo certo, lembra? - ele me disse.
Escutamos meus pais descendo as escadas, eu e Max fomos em direção à sala, eles também foram para lá.
- Então, o que foi querida? - meu pai me perguntou com a testa franzida, minha mãe já estava um pouco mais relaxada – Olá, Max.
- Olá, senhor Montello - os dois apertaram as mãos - Na verdade sou eu que quero falar com vocês dois.
Meu pai se sentou no sofá ficando na beirada sem se encostar assim como minha mãe ao seu lado, eu e Max nos sentamos da mesma forma no sofá ao lado.
- E o que seria? - meu pai perguntou levantando uma sobrancelha.
- Eu gostaria da permissão de vocês para namorar com a Blair - ele falou devagar e até calmo demais, coisa que eu não estava. Meu estômago estava começando a subir para sair pela minha boca, os órgãos internos estão fazendo festa dentro do meu corpo.
- Como é? - meu pai perguntou alterando a voz.
- Meu amor - minha mãe se pronunciou tocando o ombro do meu pai -, Max está aqui pedindo nossa filha em namoro.
- Mas, querida, ela...
- Ela tem 17 anos, uma menina responsável, muito inteligente e confiável. E Max é um garoto de 18 anos, um menino também muito esforçado e já vimos que ele também é confiável para proteger nossa filha. E ele está sendo educado o suficiente vindo aqui pedir permissão para namora-la - minha mãe disse isso tudo encarando meu pai. Ele relaxou os ombros e se levantou. Max e eu fizemos a mesma coisa, apenas minha mãe ficou sentada apoiando o cotovelo nas pernas e o queixo na mão com um sorriso desenhado nos lábios.
- A Blair é uma menina muito especial - ele falou e deu um longo suspiro -, ela deve chegar em casa no máximo às 22horas e é melhor você ter o bom senso de nunca deixa-la em casa às 22horas, ouviu?
- Sim, senhor - Max respondeu sério, mas eu percebia o sorrisinho em seus lábios.
- Tá - meu pai bufou- Eu preciso de algo doce – disse e saiu em direção à cozinha.
Minha mãe se levantou e ficou de frente para o Max.
- Eu sabia que por trás daquilo de ser sério e super protetor com a Blair tinha algo – ela disse rindo – Foi bem esperto da sua parte – ela falou e se retirou.
Eu fiquei meio boba depois daquela tensão e de repente a alegria extrema. Órgãos voltando ao normal, pressão ficando estável e a paixão subindo.
- É melhor eu ir indo - Max falou me retirando de meu transe -, seu pai não deve estar querendo ver minha cara, pelo menos não hoje.
- Tá bom - concordei.
Acompanhei Max até a porta, ouvi meu pai falar algo sobre "Tô louco pra matar alguém” e sai junto com o Max. Quando fechei a porta vi os ombros de Max relaxarem.
- WOW – exclamou Max -, faz tempo que eu não fico tão tenso - ele falou rindo.
- Eu nem acredito - eu falei rindo.
- No que? - ele me perguntou - Que sou seu namorado oficial? Então - ele me puxou pela cintura me colando a ele dando aquele sorriso que só ele sabe dar e me deixar nervosa, chegou bem próximo quase me beijando -, pode começar a acreditar por que eu não vou permitir que você esqueça - eu sorri e ele me beijou, um beijo bem mais calmo e mais seguro de si, ele me passava toda sua gentileza e paixão, eu me sentia a mulher mais amada do mundo. E sinceramente, eu também o amava muito, sim, era muito cedo para pronunciar as palavras ‘eu te amo’, mas eu já tinha essa certeza.
Não por que era meu primeiro namorado, mas por que era o Max, ele me faz sentir que sou especial, me protege, me deixa feliz e eu amo isso. Eu realmente AMO o Max. Depois que ele foi embora entrei em casa ainda sentindo aquele perfume bom, meus lábios ainda estavam formigando e quentes. Fechei a porta e fui até a cozinha, meus pais conversavam de algo que minha mãe gargalhava e meu pai se mantinha sério. Eu cheguei à cozinha e eles olharam pra mim, me sentei ficando entre eles.
- E aí, seu namorado já foi embora? - minha mãe perguntou, dando ênfase em ''namorado”.
- Por favor - meu pai exclamou -, podemos chamar o ser pelo nome que a mãe dele deu a ele? Caramba, o nome merece ser dito, a mãe dele esperou nove meses para depois o chamarem de...- ele engoliu em seco - ...namorado?
- Pai, eu te amo - falei rindo e dando um beijo estalado em sua bochecha.
- Então - minha mãe puxou assunto toda sorridente -, há quanto tempo vocês estão namorando?
- Vocês acham que eu o namoro há quanto tempo? - perguntei curiosa.
- Eu espero que só sejam dois dias - meu pai falou.
- Eu acho que é uma semana- minha mãe disse colocando uma colher de sorvete na boca. Quando meu pai disse que queria algo doce ele falou sério.
Mas depois deles falarem isso eu comecei a gargalhar muito, acho que até chorei.
- Gente - disse ainda me recuperando -, ele me pediu em namoro hoje - eu continuei a rir - Vocês acham que eu, a Blair aqui, iria esconder algo de vocês? Desculpa, mas não sou dessas.
- Querida, sabemos que você não é assim - minha mãe falou mostrando aquele sorriso fofo dela.
- Mas - meu pai continuou -, te ensinamos a decidir o que é certo e errado, se você já estivesse o namorando desde, sei lá... Ontem e só hoje decidiu que foi o momento certo, nós entenderíamos. Confiamos em você filha, sabe disso.
- Sei sim, obrigada pai e mãe. Muito obrigada mesmo - dei um abraço apertado neles - Mas agora eu poderia sair? Queria me encontrar com Amélia e Carter.
- Claro, só não voltei tarde - minha mãe falou.
- Quer que depois eu vá lhe buscar? - meu pai perguntou.
- Não, eu forço o Carter a me trazer, pode relaxar. - falei me levantando e indo pra porta.
- Leve um casaco - minha mãe gritou.
- Ok - gritei de volta, peguei o casaco que estava na minha mochila, que eu tinha deixado ao lado do sofá e parti para locadora.
Cheguei lá e dei a sorte de encontrar o Carter também. Já eram 17horas quando consegui chegar, então a loja estava vazia.
- Oi - falei entrando.
- Oi, Blair - Amélia abriu um sorriso, na verdade já estava rindo de algo que Carter contava.
- Olá - Carter me respondeu - O que lhe trás aqui há essa hora, Dona Blair que foi para diretoria?
- Bem - respirei fundo -, uma novidade, e eu espero que vocês não fiquem com raiva de mim.
Eles me olhavam curiosos e ao mesmo tempo preocupados.
- Euquebreiojuramento - falei rápido e com os olhos fechados. Quando abri vi caras de susto e bocas bem abertas.
- VOCÊ O QUÊ? -gritou Carter.
- COMO ASSIM? COM QUEM FOI? - Amélia gritou.
- Foi com o Max - falei dando um sorriso amarelo.
- Como ele pode? - falou Amélia com incredulidade.
- Ele está pensando o que da vida? - falou Carter muito sério.
- Gente, só foi um beijo, também não é o fim do mundo. – fiz uma pequena pausa - E agora a gente está namorando - falei envergonhada.
- COMO ASSIM... Espera - Amélia parou confusa -, você está falando do juramento, mas da parte do beijo?
- Sim, de que parte voc...- me interrompi - Vocês estavam pensando que eu tinha feito aquilo? É sério?
- Sim - responderam juntos.
- Que horror, até parece que não me conhecem.
- Sim, te conhecemos, por que você acha que eu estava me preparando pra ir dar uma porrada no Max agora mesmo?
- ESPERA - Amélia gritou - você disse que está NAMORANDO, E COM O MAX?
- Ãrrã - respondi agora com mais vergonha ainda.
- Isso é sério? -perguntou Carter.
- Sim, gente, é sério.
- AÍ MEU DEUS, MINHA AMIGA ESTÁ NAMORADO COM UM CARA MUITO GATO - Amélia gritou.
- Ei, eu estou aqui, valeu! – falou Carter.
- Cala boca, Carte, a gente está comemorando aqui – Amélia o repreendeu – Pode contar amiga, se sinta à vontade – ela disse apontando para si mesma.
Eu comecei a rir, escutamos o barulho da porta abrindo. Viramo-nos e vimos Max entrando
- Olá, gente – ele falou chegando perto de mim.
Carter e Amélia ficaram olhando de mim para ele o tempo todo.
- O que eles têm? – Max me perguntou
- Eles já sabem – eu expliquei.
- Já?
- Sim, não consegui esconder deles.
- Ah, tudo bem – Max falou se colocou na minha frente e me envolveu nos seus braços, novamente – assim eu não preciso me segurar até amanhã – ele disse sorrindo.

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