quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Capítulo 21 - Mãos entrelaçadas

Capítulo 21
Mãos entrelaçadas
- Blair Montello

Querida - minha mãe começou a me balançar -, acorde, hora da escola.
- Não quero - reclamei puxando o edredom para cima da cabeça.
- Nem para ver o Max? - ela me perguntou rindo.
- Mãe - falei rindo, e depois tirei o edredom da cara -, se a senhora acha que vai me convencer usando o Max, está enganada. Se ele quiser me ver ele vem aqui.
Falei voltando a tampar minha cara.
- Que menina chata, não dá nem para chantagear! Com quem você aprendeu a controlar tão bem as emoções?
- Papai - falei tentando voltar a dormir.
- Mas essa vai funcionar - ela voltou a rir.
Fiquei curiosa dessa vez.
- O Max está na sala te esperando, enquanto isso conversa com seu pai.
- Mentira?! - tirei o edredom da cara me levantando.
- Sabia - ela comemorou dando pulinhos.
- Só pode ser brincadeira - falei abrindo a porta do quarto.
- Vai descer de pijama? - ela me perguntou.

Eu esta com um shortinho qualquer e uma blusinha vermelha, não tinha nada demais.
- Não tem ninguém lá embaixo - dei de ombros já descendo a escada com minha mãe atrás -, a senhora deve estar me...zoando - falei devagar ao ver Max e meu pai conversando na sala.
Meu pai estava de costas para mim enquanto Max de frente. Ele desviou o olhar por um segundo e me viu ao pé da escada. Ele sorriu, apenas sorriu.
Eu não consegui evitar sorrir também e meu coração começou a acelerar.
Meu pai tinha se abaixado para pegar algo na mesa, quando levantou encontrou Max sorrindo, ele se virou em minha direção.
- A senhorita poderia se vestir? - meu pai me perguntou me fazendo olha-lo - Poderia?
Virei-me para Max que estava com um sorrisinho divertido no rosto, com toda certeza fiquei mais vermelha que minha blusa.
Subi rápido a escada e encontrei minha mãe encostada no batente da minha porta, rindo.
- Eu te disse - ela falou entre risos.
- Valeu pelo apoio emocional, mãe! - falei entrando no quarto para me arrumar.
Fui para o banheiro e tomei meu típico banho, ou seja, dormi dentro da banheira por alguns minutos.
Coloquei uma calça jeans preta, quando estava procurando uma blusa senti o cordão em minha pele. O desgrudei e sorri o segurando.
- Querida - minha mãe abriu a porta -, o café já está pronto.
- Ok - falei soltando o cordão e voltando a procurar uma blusa.
- Realmente, o cordão ficou bonito - ela falou, sorri com seu comentário.
Peguei uma blusa preta dizendo "M&M’S é vida". É sim, eu tenho muitas blusas dizendo que amo algum tipo de comida.
- Estou pronta - falei pegando minha bolsa e a vestindo, logo sendo impedida de sair do quarto.
- Onde pensa que vai? - minha mãe me perguntou.
- Ir tomar café. - falei como se fosse óbvio
- Você não vai passar nem um batom? Ou um lápis de olho? Você fica tão linda usando lápis de olho - ela falou sorrindo.
- Não, valeu - falei tentando sair, novamente, sem sucesso.
- Por favor - ela falou com biquinho.
- Para, mãe – implorei.
- Vai lá, por favor.
- Argh.
- Vai lá! - ela mandou.
Voltei ao banheiro com minha maleta de maquiagem, peguei um lápis de olho qualquer e passei nos olhos, por eles estarem – eles normalmente variam do claro para o escuro - castanhos claros ficavam bem ressaltados.
- Pronto - fui até minha mãe –, viu.
- Amanhã você passa batom - ela mandou.
- Ãrrã - falei saindo -, até parece – sussurrei.
- Eu ouvi isso - ela gritou enquanto eu ia para a cozinha.
Max e meu pai estavam tomando café na cozinha, fui até meu pai e dei um beijo em sua bochecha.
- Bom dia.
- Bom dia, filha.
- Bom dia, Max - falei sorrindo e me sentando ao seu lado.
- Bom dia - ele falou sorrindo.
Ficamos nos encarando até meu pai pigarrear fazendo nos virarmos para ele.
- Melhor você comer logo, querida, se não vai se atrasar.
- Claro – concordei.
Por baixo da mesa Max achou minha mão e entrelaçou seus dedos nos meus.
Eu o olhei de canto, ele apenas continuava a conversar com meu pai sobre trabalho e essas coisas que pais conversam com os namorados para ver se eles prestam.
Digo isso por que toda vez que vejo o pai da Amélia falar com Carter, é sobre trabalho.
- Você pretende fazer o que na faculdade, Max? - meu pai perguntou.
- Arquitetura - ele falou com seus olhos se iluminando -, tenho realmente uma grande paixão por isso!
- Interessante - meu pai falou voltando a tomar seu café.
Eu comi meu pão bem rápido e logo minha mãe apareceu no corredor, ela já estava arrumada para o trabalho.
- Querida, provavelmente chegaremos tarde hoje - ela disse me dando um beijo na testa- Vamos, meu amor, já estamos atrasados.
- Mas eu estou conver...
- Venha logo - ela falou o puxando pela orelha - Tchau crianças, juízo - ela falou e fechou a porta de casa.
- Seu pai é bem engraçado - Max falou.
- Sério?
- Sim, ele ficou me fazendo perguntas como "Você bebe?", "Já bebeu?" ou "Você já dirigiu bêbado?"
Eu comecei a rir.
- Sendo - ele continuou - que eu disse que não bebia.
Eu comecei a gargalhar.
- Mas valeu a pena - ele disse se aproximando de mim -, muito a pena.
E meu primeiro beijo do dia começou bem ali, perfeito como todas às outras vezes.
Os lábios dele eram macios e quentes deixando os meus lábios fervendo.
Eu coloquei a mão em seu peito e o afastei um pouco.
- Vamos nos atrasar - falei tentando voltar a mim.
- Sim, claro - ele falou puxando minha nuca e voltando a me beijar.
- Você... - ele me interrompeu com o beijo. Ele me beijou até não termos mais ar nos pulmões. - ...tem que parar com isso - falei rindo ofegante.
- Ãrrã - ele falou beijando minha bochecha e quase descendo para o meu pescoço quando o interrompi me levantando rápido - vamos nos atrasar.
- Ok - ele se levantou -, você é chata - ele disse rindo.
- Sou - falei colocando as mãos na cintura -, agora vamos!
- Tá - ele falou com impaciência.
Foi eu me virar e ele me puxou pelo braço voltando a me beijar.
O QUE ELE TEM?
Admito que não consegui resistir, coloquei meus braços em volta do seu pescoço, enquanto ele me puxava para cima eu o puxava para baixo. Parecia que não conseguiria sobreviver se estivesse a um centímetro de distância dele.
- Agora posso ir! - ele falou parando de me beijar e me encarando - Na escola não temos muitos momentos a sós.
- Depois da escola temos.
- Verdade - ele disse me dando um beijo rápido –, vamos.
- Vamos.

(...)

- Então, o Carmélia já sabe - falei para Max que tinha acabado de estacionar o carro.
Ontem à noite contamos para o Carmélia nossa situação atual, por isso Max apareceu na minha casa. Já que agora Dan iria dirigindo o carro de Sofia, só iria eu e Max, juntos.
- Sim, só falta a Stella, David e Dan.
- Você não contou para o Dan? - perguntei após sairmos do carro.
- Terminei esquecendo - ele disse coçando a nuca -, ontem ele chegou tarde em casa, eu já estava dormindo. Só contei para minha mãe que ficou muito feliz, a propósito ela te convidou para ir lá em casa hoje.
- Ok - falei meio envergonhada.
- O que foi?
- Nada.
- Você ficou com vergonha, então tem alguma coisa.
Eu meio que estagnei.
- Como você sabe? – o questionei.
- Blair - ele me abraçou pelos ombros -, eu já te observo há um mês, eu sou rápido em reconhecer as pessoas.
- Desculpa - coloquei minhas mãos para o ar.
- O que foi?
- Sei lá - dei de ombros -, eu gosto da sua mãe, mas agora sou sua namorada. É estranho me apresentar como sua namorada.
- Não tem nada de estranho, Blair - ele disse colocando a mão na minha cintura, me deixando ao lado dele.
- Por que não é você! Eu acho muito estranho conhecer uma pessoa e depois me apresentar como namorada do filho dela.
- Para com isso - ele disse beijando o topo da minha cabeça - É só relaxar!
- Sei, só relaxar – resmunguei.
- Quê isso? - eu escutei alguém quase gritando na nossa frente.
Era a Stella de boca aberta e David com os olhos arregalados.
- Oi, gente - Max disse naturalmente.
- Oi, gente? - falei entre dentes - Você não está vendo como a gente está?! - falei sussurrando com raiva.
Ele pareceu se dar conta aonde suas mãos estavam, bem pregadas em minha cintura.
- Ah - ele falou, ele já estava com a mão fora da minha cintura quando a colocou de novo. - a gente fala agora, logo.
- Falar o quê? - Stella perguntou batendo o pé.
- Er...
- Eles estão juntos - Amélia falou pulando ao meu lado.
- Sempre a última a ficar sabendo de tudo - Stella bufou e veio em direção ao Max
- Se você fizer algo contra a Blair, eu sinto lhe dizer que você sofrerá uma pequena cirurgia - Stella falou sorrindo e mostrando seus dedos formando uma tesoura.
- Pode deixar - ele respondeu.
Não consegui ouvir o restante da conversa por que Amélia segurou meu rosto para ela e começou a conversar comigo, mas eu consegui ainda ouvir uma última frase, que me deixou radiante.
- Vou protegê-la com a minha vida.

(...)

As aulas se passaram rápido, não vi o Jake durante todas as aulas, mas todos me viram. Todas as pessoas olhavam para mim e Max, ele insistia em andar de mãos entrelaçadas com a minha.
Eu não me importava, nem um pouco. Imagina, se importar com isso.
Encontramo-nos no refeitório como sempre, hoje o Dan e a Sofh iriam almoçar junto conosco, já que o Max ainda não tinha contado para o próprio irmão sobre o nosso namoro.
- Oi, Blair - Dan chegou ao meu lado e deu um beijo no topo da minha cabeça, eu sorri. Quando ia retribuir o beijando na bochecha fui puxada para trás com força. Max me abraçou por trás e apoiou o queixo no meu ombro.
- Essa é minha - Max falou.
Dan ficou meio/totalmente paralisado.
- Como as...
- Ela é MINHA - ele deu bastante ênfase em sua frase - namorada - ele terminou sorrindo.
- Caramba - ele disse colocando as mãos na cabeça -, que maneiro - ele disse rindo - Sabia que você pretendia entrar para minha família, Blair.
Eu fiquei completamente vermelha no exato momento que ele disse "família".
- Foi isso mesmo que ouvi? - Sofia chegou por trás do Dan o abraçando - A Blair está namorando o Max? Não creio - ela falou chocada.
- Pode acreditar - Max disse me abraçando mais e afundando seu rosto eu meio aos meus cabelos, ele beijou minha bochecha sorrindo.
- Parabéns - Sofh disse rindo enquanto escondia a metade do rosto no braço de Dan.
- Eu tenho que contar uma coisa pra vocês - ela disse séria -, mas quero contar para todos.
- Ok - falei -, então vamos nos sentar.
Fomos caminhando até a mesa onde Stella, David e Carmélia estavam.
- Oi, gente - Dan cumprimentou sorrindo.
- Oi - Stella falou rápido e voltou a discutir algo com a Amélia.
- O que esta havendo? - perguntei enquanto me sentava ao lado de Carter e Max ao meu lado.
- A Amélia quer que eu vá para a festa do Halloween da escola e além de me forçar a ir ela quer que eu vá de fadinha.
- Você? De fadinha? - eu comecei a gargalhar - Que ridículo, meu Deus!
- A ideia foi minha, Blair - Amélia falou com raiva.
- Ok, mas a ideia continua sendo ridícula. Logo pra Stella, quê isso?
- Vamos admitir que a ideia foi meio de criança. - Carter falou com um carinha de” tô com medo de apanhar”.
- Viu, até o Carter concorda que a ideia foi idiota - Stella falou vitoriosa.
- Gente, eu lamento interromper a discussão, mas eu tenho contar uma coisa séria – Sofia disse.
- O que aconteceu? - Dan perguntou preocupado.
- Ontem, depois da briga aqui na escola, o Jake foi falar comigo. Ele me pediu desculpas, por tudo que ele fez comigo, todas as chantagens e brigas e já faz muito tempo que não o vejo ser tão sincero assim, faz muito tempo. E eu ainda não acredito bem no que aconteceu, mas aconteceu. Ele realmente me pediu desculpas.
- Falando nele - Carter começou -, pelo que parece ele não foi para nenhuma aula hoje, mas passou o dia todo com a Diana. Todos os olhares, inclusive os que estavam vidrados para Blair e Max, estavam direcionados para eles.
- Diana? - Max perguntou - O que ela esta fazendo com ele?
- Acho que ganhamos a chance de perguntar - Amélia falou me deixando confusa.
- Como assim? – perguntei.
- Eles dois estão vindo para cá - ela me respondeu.
Procurei por eles no refeitório e realmente eles estavam vindo para nossa mesa. A primeira coisa que fiz foi olhar para Max, que estava com o maxilar trincado e os punhos fechados.
Deslizei minha mão para sua o que fez ele olhar para mim.
- Blair, ele...
- Calma - o interrompi -, a gente não sabe de nada, não precisa ficar assim. Concordo que ele merece mais socos na cara, mas não é assim que tudo se resolve - falei apertando sua mão, ele abriu a mão e a entrelaçou com a minha.
Voltamos a olhar para a Diana, ela estava vindo arrastando Jake pela mão, ele olhava fixamente para mim. E como eu sou eu, não desviei o olhar.
- Oi, gente - Diana nos cumprimentou.
Ninguém respondeu, todos estavam olhando para o Jake, inclusive Sofia, que encarava cada um deles.
- Oi, Diana - respondi sorrindo.
- Er...bem, o Jake quer falar com vocês.
- Mas eu não quero - Max respondeu ao meu lado.
- Mas vou falar mesmo assim - Jake respondeu fazendo Max apertar minha mão.
- Ninguém disse que você pode falar - Max levantou fazendo Carter, David e Dan levantarem para segurar eles caso começasse uma briga.
- Max - me levantei e me coloquei na sua frente com as mãos em seu peito - calma, por favor.
Ele olhou pra mim sério e depois de alguns segundos desviou o olhar.
Virei-me para o Jake.
- O que você quer? - o perguntei.
- Pedir desculpa - ele disse - a todos vocês, mas principalmente a você.
Eu fiquei meio que estática.
- Você me desculpa? Eu sei que eu já espalhe muitos boatos sobre você, mas eu realmente quero - ele passou a mão na nuca e deu uma rápida olhada para Diana - mudar.
- Ok - eu disse e todos olharam para mim.
- Blair - Max me chamou -, você sabe que ele pode estar te enganando, né?!
- Eu sei! Mas prefiro acreditar nas pessoas, não vou ficar duvidando de tudo e de todos só por que ele já fez muitas coisas erradas no passado, temos que dar um voto de confiança. Eu vou acreditar.
- Obrigado - ele agradeceu - E vocês? - ele perguntou se virando para meus amigos.
- Não sou tão boa quanto a Blair - Amélia respondeu.
- Nem eu - Carter respondeu - Você vai ter que nos fazer acreditar que essa sua mudança repentina vai durar.
- Ele vai - Diana respondeu.
- Então boa sorte - Stella respondeu, ela era a única que tinha ficado imóvel durante a conversa toda, com toda sua calma.
- Tchau - Diana disse e se afastou como veio, segurando a mão de Jake.
Quando eles se afastaram percebemos que todo o refeitório tinha parado para observar nossa conversa, gente fofoqueira é outro nível!
Sentamo-nos de novo, mas com uma enorme tensão no ar.
- Então - Stella começou -, como eu estava dizendo, eu não pretendo ir para essa porcaria de festa.
- Qual é? Vamos, por favor - Amélia começou a pedir.
Enquanto elas começaram a discutir novamente o Max ficou sério olhando para a janela.
Eu fiquei um pouco preocupada, mas era melhor eu não perguntar sobre nada agora.
- Quando vai ser essa coisa? - ouvi David perguntando.
- No final desse mês, o dia 31 vai cair em um sábado - Amélia respondeu.
- Tá de brincadeira que você já está toda empolgada com a festa do fim do mês?
- Sim - ela confirmou sorrindo – É para preparar as fantasias com tranquilidade.
- Não - Stella disse brava.
- Blair - Amélia se virou pra mim com um olhar de esperança.
- Não - falei já cortando qualquer esperança criada dentro dela.
- Max, ajuda aqui - ela pediu.
Virei-me para o Max que sorria.
- Me desculpe, mas não vou forçar ela a ir à festa alguma, ela vai se arrumar.
- E o que tem eu me arrumar?
- Vão ter muitos olhares para você, já tem vários olhares, imagina arrumada demais.
Sorri e me virei para Amélia que estava com um sorrisinho e uma sobrancelha levantada.
- Nossa! Que ciumento - ela disse o desafiando.
- Tenho que proteger o que é meu - ele disse rindo.
- Não sou propriedade de ninguém - eu falei me virando para ele novamente.
- Eu sei - ele disse sorrindo -, mas tenho que proteger, pois eu pretendo que um dia - ele foi chegando mais próximo de mim - você seja só minha.

(...)

- Então hoje você vai jantar lá em casa? - Dan me perguntou enquanto íamos em direção ao carro do Max.
- Sim – concordei.
- Que maneiro - ele falou sorrindo -, nos vemos mais tarde - ele disse quando chegamos até o carro.
- Não vai com a gente? - Max perguntou.
- Não, vou ir para o ensaio de ballet da Sofia, vai ser o último antes do espetáculo.
- Ela nem me convidou - falei chocada.
- Ela quer que você veja tudo no espetáculo, ela disse que quer você na primeira fileira.
- Anw, que fofa - falei fazendo biquinho.
- Então, vamos lá - Max falou abrindo a porta para mim.
- Tchau, Dan, até mais tarde - falei entrando no carro.
- Está menos nervosa? - Max me perguntou ao dar partida no carro.
- Não - falei sorrindo forçado.
- Não se preocupe, minha mãe ainda vai demorar um pouco a chegar em casa.
- Ok - falei colocando o cinto -, vamos a guerra.
Depois de um tempo dirigindo em silêncio eu me lembrei do que aconteceu no refeitório.
- Por que ficou tão sério depois que eu perdoei o Jake?
Ele ficou em silêncio e continuou sério.
- Max? – falei me desencostando e tentando olhar em seus olhos.
- Eu não gostei muito da sua decisão de perdoa-lo, mas respeito.
- Por que não gostou?
- Por que não confio nele.
- Eu também não confio, mas não posso duvidar. Seria guardar muito rancor.
- Você é muito bondosa mesmo – ele falou rindo.
Um tempinho depois chegamos a casa de Max. Entre as aulas eu já tinha avisado para meus pais que iria chegar um pouco mais tarde em casa já que iria jantar na casa do Max. Minha mãe concordou e disse para convidar todos, inclusive meus amigos, para a próxima festinha. Que provavelmente seria antes da festa de Halloween.
- Pode entrar - ele disse ao abrir a porta de sua casa.
- Licença - falei e entrei na casa, eu já tinha ido outras duas vezes para sua casa, mas agora ela estava com um ar bem diferente eu não seu por que.
- Quer comer alguma coisa?
- Não, obrigada - agradeci sorrindo.
- Ok, eu estou com algumas dúvidas em química. Você pode me ajudar?
- Você? Com dificuldade? Você não tem cara de ter dificuldade!
- Todo gênio tem que tirar suas duvidas quando pode, para assim ser um completo gênio.
- Filosofou agora, gênio - falei rindo.
- Obrigado, pode subir para o meu quarto. Eu só vou beber uma água e já subo.
- Tá bom - falei e segui pela escada para seu quarto, dessa vez estava sem nenhuma das caixas que eu tinha visto no dia do beisebol.
Virei-me para cama do Max e sorri, hoje eu sei que ele já gostava de mim quando eu estava confusa com os meus sentimentos.
- Então, a gente...o que foi? - ele me perguntou quando me viu parada sorrindo.
- Você realmente iria me beijar no jogo de beisebol? - o perguntei.
Ele sorriu vindo em minha direção.
- Sim, eu ia - ele disse -, mas que bom que aguardei.
- Por quê? - perguntei tirando minha mochila e a jogando no chão.
- Por que tudo que se consegue com esforço é melhor - ele me puxou e me envolvendo em seus braços -, porém, eu acho que você é suficientemente boa sem ou com esforço.
Eu sorri com esse comentário e o beijei desajeitada e completamente desastrada, mas o beijei com todo sentimento que estava em meu coração.
Ele se separou de mim sorrindo.
- Que beijo perfeito - ele falou ainda com os olhos fechados, eu agradeci a Deus por ele estar de olhos fechados, pois tenho certeza que estava muito vermelha.
Max abriu os olhos é me mirou e beijou o topo da minha cabeça.
- Vamos estudar - falei abaixando a cabeça e amarrando meu cabelo em coque.
Sentei no chão perto da onde eu tinha largado minha mochila, peguei meu caderno e coloquei na parte de química. Quando eu me arrastei para me encostar-se à cama eu encostei-me a algo mais macio que a cama.
Olhei para trás e vi Max, ele sentou atrás de mim, eu estava sentada no meio de suas pernas, que estavam esticadas ao meu redor. Ele colocou seus braços ao redor da minha cintura e me puxou para trás.
- Pode explicar - ele falou encaixando o queixo em meu ombro.
- Eu quero saber - comecei falando baixo e leve - COMO EU VOU ME CONCENTRAR EM ALGO ASSIM? - gritei apontando para os braços dele.
- Por quê? - ele fez cara de inocente - Eu te distraio?
- Sim - respondi com raiva - Agora pode parar!
- Não - ele falou beijando minha bochecha e se jogando de lado no chão, o que me fez cair junto.
- MAX - gritei -, eu pensei que iriamos estudar.
- Já estudamos - ele falou e eu levantei uma sobrancelha - na escola.
Revirei os olhos e me ajeitei no chão, ele colocou o braço esquerdo de baixo da minha cabeça e ficou de lado me olhando, enquanto eu fiquei de barriga pra cima olhando o teto.
- Aquela mancha parece um celular antigo - falei apontando para uma mancha no teto.
- Sim, eu e Dan já fizemos um estudo sobre ela. Chegamos à conclusão de que a casa era louca para ter um celular antigo, já que nunca conseguiu pintou uma nela mesma.
Comecei a gargalhar, me virei para o Max e ele estava com um sorrisinho nos lábios o que me fez voltar à posição anterior.
- O que você pretende fazer, na faculdade? - ele me perguntou.
- História - respondi rápido -, definitivamente historia, sou louca por história, principalmente mitologia grega.
- Quer ser professora ou vai fazer pesquisas?
- Mas provável ser professora, gosto de ensinar.
- Legal - ele disse sorrindo.
- E você quer fazer arquitetura, né?!
- Sim, eu sou apaixonado por arquitetura.
- Que legal - falei empolgada.
- Quando eu era criança - ele riu um pouco - eu não queria ser arquiteto.
- Queria ser o quê? - perguntei curiosa.
- Dançarino de sapateado.
- Sério? - perguntei rindo.
- Fiz até algumas aulas.
- Meu Deus, eu não consigo te imaginar dançando.
- Eu danço bem - ele falou fingindo revolta.
- Ok - levantei as mãos -, não duvido.
Eu ri e ele me acompanhou, ele levou sua mão ate minha bochecha esquerda e ficou acariciando.
Depois de um tempo admirando seus olhos eu peguei sua mão e a levantei, ela realmente era grande. A entrelacei com a minha é fiquei a olhando.
- Seus olhos são tão - ele parou um pouco - diferentes. Eu jurava que eram castanhos escuros, mas hoje estão castanhos claros.
- Se eu falar que depende do meu humor você vai acreditar?
- E castanho claro significa o quê?
- Que eu estou me sentindo bem - me virei para ele -, no momento, segura.
Ele me beijou no momento em que eu disse isso, ele se apoiou em seu braço que estava de baixo da minha cabeça para se levantar um pouco, me fazendo voltar a minha posição anterior. Eu segurei seu rosto e ele só me beijava mais intensamente, eu estava tão envolvida no beijo que não ouvi a porta se abrindo.
- Me desculpe - eu escutei um gritinho. Paramos de nos beijar na hora, na verdade eu parei de beijar o Max, ele quase caiu em cima de mim. Eu olhei para porta e vi a Dona Sarah olhando meio envergonhada para a gente.
- Oi, mãe - Max cumprimentou ainda se apoiando é ficando com o rosto por cima do meu
Virei-me para ele rangendo os dentes.
- Levanta - rangi os dentes.
- Por quê? É só a minha mãe – ele falou pasmo.
- Por isso mesmo - falei o empurrando e o derrapando no chão, ouvi Dona Sarah rindo, me levantei e fui até ela.
- Olá, Dona Sarah, é um prazer revela.
- O prazer é todo meu - ela falou me abraçando - Estava torcendo para isso acontecer - ela disse no meu ouvido -, estou muito feliz por você. - ela se afastou - E pelo Max, ela continuou sussurrando - faz tempo que não o vejo tão feliz.
Com certeza eu corei mais do que gostaria.
- Bom - ela disse sorrindo e batendo a mão -, eu vou começar a preparar a janta.
- Eu lhe ajudo - me ofereci.
- Imagina, não precisa!
- Eu insisto - falei sorrindo.
- Então tudo bem. - ela disse saindo do quarto.
Eu me virei e Max ainda estava deitado no chão de bruços.
- Levanta – mandei.
- Sinto muito, mas minha namorada me deixou no chão.
Quando ele disse a palavra namorada eu tive vontade de explodir em milhões de carinhas sorridentes.
Eu me abaixei ficando de joelhos, fazendo o se virar e me encarar.
- Fala pra sua namorada que ela perdeu um ótimo partido - falei me apoiando em meu braço e o beijando.
- Ok - ele falou quando me levantei -, minha namorada me perdeu para uma garota linda.
Eu sorri saindo de seu quarto.


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