domingo, 3 de janeiro de 2016

Capítulo 23 - Um pouco de nós

Capítulo 23
Um pouco de nós
- Blair Montello

- Quem era ao telefone? - perguntei para Stella logo que ela voltou.
- Minha mãe - ela disse mexendo em seu celular -, minha prima ficou suspensa na escola por três dias e minha tia acha que enviando Tania pra cá irá faze-la respirar novos ares.
- Só se for de poluição social!
- Né! Mas eu vou ter que ir agora – ela bufou.
- Pelo menos conseguiu comprar sua fantasia - falei apontando para sua sacola.
- Sim, vou pedir para David me buscar.
- Ok, eu vou ficar mais um tempo aqui.
- Fazendo?
- Pensando – dei de ombros.
- Então tudo bem, eu vou pra entrada do shopping.
- Tudo bem - falei a abraçando.
- Valeu pela ajuda.
- A qualquer momento - falei enquanto ela se distanciava.
Fui em direção ao chafariz do shopping e me sentei em frente a ele. As gotinhas que caiam aos meus pês me davam certo conforto, elas eram brilhantes e fofinhas, eram engraçadas.
- Vocês são fofas - falei rindo.
- O que são fofas? - alguém perguntou, levantei a cabeça e era uma menininha. Ela usava um vestidinho rosa e calçando um mini All Star.
- As gotinhas, elas são pequenas e fofas - falei apontando para o chão.
- Por que você estava olhando para as gotinhas?
- Gosto de prestar atenção em coisas pequenas, essas são as mais valiosas.
- Jasmim - alguém chamou -, me desculpe - uma mulher falou para mim ao se aproximar - Não se distancie, meu amor - falou para a menininha.

- Desculpa mamãe, mas gotinhas são fofas – ela disse eu ri.
- Obrigada - a mãe agradeceu e depois andou em outra direção com a filha.
Eu fiquei pensando se foi isso que Max viu em mim, eu não me acho tão ruim, mas também não me acho a melhor pessoa do mundo. Mas talvez pudesse ser boa o suficiente.
E o que Max não me contava? Ele parecia estar normal esses dias, porém o que Stella disse era verdade, ele não estava empolgado com a festa de Halloween. Será que ele apenas não gostava da comemoração ou algo assim?
- Quantas perguntas – sussurrei suspirando.
Escutei um som vindo da minha bolsa e procurei meu celular nela, era uma mensagem de Max.

“Onde você esta? Queria conversar!
- Max"

Telefonei para ele e o esperei atender, depois de três toques ele atendeu.
- Oi, onde você esta?
- Estou no shopping – respondi, por impulso olhando ao meu redor.
- Posso ir te buscar?
- Claro, vou te esperar no chafariz.
- E onde fica o chafariz? - ele perguntou rindo.
- No mesmo andar que o cinema, só que do outro lado.
- Entendi, chego aí o mais rápido que puder.
- Tá bom - falei rindo enquanto desligava a ligação.
Fiquei me distraindo com as nuvens e me desviando do Sol quando tentava me queimar e admirando o tempo passar com calma.
- Te achei - senti Max me abraçar por trás e me dar um beijo na bochecha.
- Que bom, pensei que teria que sair por aí a sua procura - falei enquanto ele se sentava ao meu lado - O pior é que as mulheres iam me matar ao descobrir que o cara perdido no shopping tem namorada, ou seja, tinha namorada.
Ele começou a rir, se sentou ao meu lado e me abraçou de lado mais forte.
- Vou deixar bem claro que já tenho dona - ele disse indo me beijar, eu tentei retribuir o carinho da forma que podia.
Pois ele sempre me mostrava carinho e paixão, eu ficava assustada com o tanto de carinho que ele me fazia sentir.
- Eu - ele disse se separando de mim - quero contar umas coisas para você. Sobre mim
- O que?
- Sei lá - ele deu de ombros - Eu sinto que te conheço há tempos e sei que posso confiar em você, mas não nos conhecemos há muito tempo. Então começamos assim, conversando.
- Entendi - falei sorrindo - Quem vai começar?
- Eu - ele disse - O que você quer saber?
- Quem é a garota na sua capa do face? - perguntei rápido e me assustei com o que perguntei. Por que eu queria saber da garota?
Ele começou a rir da cara que fiz após falar.
- Por que esta rindo?
- Sua cara de espanto com a própria pergunta.
- Por que falei sem querer.
- Ela é minha ex-namorada e ela...pare de levantar a sua sobrancelha - ele disse rindo
- Foi mal - falei tampando minha testa e as sobrancelhas -, elas tem vida própria
- Ok, ela também é minha melhor amiga. Pra falar a verdade eu só a beijei uma vez durante nosso namoro de um ano.
- Nossa! - falei e tampei a boca - Desculpa, continue.
- Por que o nossa?
- Toda vez que você me vê me dá um beijo.
- Por que não me imagino um ano sem seus lábios - ele disse rindo e me puxando para mais perto.
- Continua – o incentivei rindo.
- Ah sim, na verdade ela era uma pessoa que eu sentia precisar proteger. Acabou que nós éramos melhores amigos só que todos achavam que ainda estávamos namorando. Até que um dia ela chegou para mim e disse que estava verdadeiramente apaixonada por um garoto. Eu apenas sorri e a deixei ir, no final o garoto virou meu amigo e ela uma irmã.
- Entendi - falei sorrindo.
- Sua vez - ele disse me dando um empurrãozinho.
- Sou um livro aberto - falei juntando as mãos - O que deseja saber?
- Não sei! Vai contando o que você gosta ou um fato importante da sua vida.
- Tá - falei começando a pensar - Eu sou apaixonada por vermelho, não tenho nada de favorito tirando a cor.
- Nada? Livro, ou musica, fruta ou outra coisa?
- Só minha cor, pensando melhor eu amo números pares.
- Ok, números pares - ele repetiu.
- Isso. Já ganhei o prêmio de melhor aluna da escola em São Francisco - ele riu - O que? Foi uma coisa maneira na época.
- Mais alguma coisa?
- Não sei, sou péssima pra lembrar sobre coisas minhas.
- Ok, então eu vou fazer uma pergunta.
- Tá bom
- Você já se apaixonou antes?
- Varias vezes - falei e ele arregalou os olhos -, toda vez que abro um livro novo tem um personagem lindo para eu me apaixonar.
- Você é tão engraçadinha, Blair.
- Você que tirou suas conclusões - falei levantando minhas mãos e ri - Você é minha primeira paixão, Max.
Ele deu aquele sorriso lindo antes de me dar um beijo.
- Minha vez - falei cruzando as pernas e me apoiando nelas. - O que você mais ama fazer?
- Te beijar.
- Max - o repreendi rindo e tampando o rosto.
- Você que perguntou - ele disse soltando um risinho.
- Deixa de ser chato - falei tentando para de rir.
- Adoro viajar, conhecer novos lugares, e novas culturas. Respondido?
- Sim.
- Mas a primeira resposta esta valendo também.
- Cala a boca! – mandei.
- Tá - ele disse e começou a me beijar, não me impedi de sorrir no meio do beijo.
Toda aquela preocupação que estava sobre o que ele ainda não tinha me contado passava sempre que estava ao seu lado, ele me passava qualquer tipo de calmaria que eu não tivesse controle.
- Como você faz isso? - perguntei ainda de olhos fechados.
- O que? - ele perguntou pegando minha mão e acariciando.
- Me deixar calma.
- Do mesmo jeito que você evitou que eu desse uma surra no Jake - ele disse beijando minha mão.
- Louco - disse rindo e voltando a beija-lo.
- Não sou louco - ele me disse após o beijo.
- Do que estávamos falando mesmo?
- Nossas bocas coladas?
- Engraçadinho.
- Estávamos falando do que gostamos - ele disse rindo.
- Isso!
- E está na minha vez de perguntar.
- Pergunte – mandei.
- Não sei o que perguntar - ele gargalhou.
- Também não - falei rindo.
- A gente já sabe algumas coisas, tá tranquilo.
- Tá ótimo - concordei - Você disse que queria me conhecer melhor, você vai, mas aos pouco.
- Pra mim já está perfeito - ele disse e me deu um beijo rápido - Quer fazer algo aqui no shopping?
- Pensei que já estivesse fazendo - disse encostando minha testa na dele.
- Que perfeição - ele disse rindo.

(...)

- Acho que tenho que ir pra casa - informei a pessoa que estava deitada comigo na grama do parque.
- As estrelas estão lindas agora, só mais um pouco - ele me pediu se virando para mim - Só mais um pouco e aí te levo pra casa.
- Você parece uma criança! - falei o encarando - E daqui a pouco alguém vai mandar prender a gente.
- Por que fariam isso?
- Apenas por ter uma placa informando para não pisarem na grama.
- Mas não estamos pisando, estamos deitados. E por que ter grama no parque se você não pode pisar nela.
- Na grama das placas de informação? Quem brinca nessa parte?
- Eu brincaria na parte das placas.
- Você não conta.
- Então você não conta como pessoa que não brincaria na parte das placas.
- Chato - mandei língua pra ele e voltei minha atenção para as estrelas.
- Minha mãe gostava de inventar historias para cada estrela, ela dizia que cada uma tinha um motivo de brilhar.
- Como assim?
- Por exemplo, aquela ali - ele apontou para uma das estrelas mais brilhantes - está brilhante por que esperava o seu olhar.
Eu olhei para ele admirada, da onde ele tirava aquilo?!
- Bolha maldita - pensei alto.
- Que bolha? - ele me olhou confuso
- Eu meio que fiz uma pequena teoria sobre você.
- Qual?
- Que você faz uma bolha de pensamentos ao seu redor e toda vez que eu estou com você eu entro nessa bolha e não consigo mais sair.
- Espero que não saia tão cedo - ele me beijou e depois voltou a me encarar - Melhor nós irmos.
- Sim - concordei me levantando junto com ele.
Fomos para o carro e ele dirigiu enquanto eu envia para meus pais que já estava chegando em casa.
- Em casa, Madame - ele disse desligando o carro.
- 21:30 - olhei no celular o horário - Mas adiantado que ontem.
- Verdade - ele falou rindo - Seu pai não pode reclamar.
- Nem um pouco - tirei o cinto e de lhe um beijo - Até amanhã
- Até amanhã - ele segurou minha mão e depositou um beijo - Boa noite.
- Boa noite - falei rindo.
Sai do carro e quando entrei em casa fiz minha conclusão, se Max quisesse contar algo teria me contado hoje mesmo. Se ele não estiver pronto irei aguardar o tempo que for preciso, eu quero saber cada vez mais sobre ele.

Eu quero saber sobre nós.

0 comentários:

Postar um comentário