domingo, 3 de janeiro de 2016

Capítulo 28 - Se superando

Capítulo 28
Se superando
- Caio Montello

- Que dia horrível! - falei passando as mãos na cara, quase a rasgando - COMO ESSE IMBECIL PODE ACHAR QUE EU VOU LEMBRAR DA DROGA DO ARTIGO EXTRA?
- Calma, Caio. - Kris falou me segurando pelos ombros – Relaxa!
- Esse cara não é de Deus, Kris. - falei a sacudindo.
- Oh garoto, se acalma, valeu! - Jenny deu um tapa em minha cabeça.
- Odeio você estar na minha faculdade.
- Acontece - ela falou sorrindo.
- Mas por que você veio pra cá? - Kris perguntou.
- Gostei daqui, aí eu só precisei pedir transferência.
- Desgraça - murmurei antes de levar mais um tapa na cabeça.
- Eu vou ter que ir - Kris falou olhando para seu relógio de pulso.
- POR QUÊ? - perguntei gritando.
- Meu pai pediu que eu comparecesse em uma reunião de negócios - ela disse vindo até mim e me dando um beijo - Até amanhã e não se preocupe, você vai conseguir superar essa matéria.
- Ok, bom jantar - falei enquanto ela se distanciava.
- Que garoto manhoso você é - Jenny reclamou.
- Jenny, deixa de ser uma garota recalcada, isso deixa a pessoa gorda.
- Se fosse assim tu seria obeso.

- Não sou recalcado - falei indo em direção ao carro de Jenny junto da mesma.
- Imagina - ela disse balançando a mão.
Começo a ouvir Hey Mickey na versão do filme Pith Perfect e começo a rir enquanto pego o celular.
- Por que você está rindo? - Jenny me pergunta com a cara dizendo “Você é um idiota"
- Essa música me faz rir - disse e atendi o telefone, antes escutei um "Lerdo" vindo de Jenny – Alô.
- Caio? - escute um cara falando.
- Quem é?
- É o Max.
- Fala aí cara, o que tu manda? Aconteceu alguma coisa com a Blair? - pergunto preocupado.
- Não, não é nada. Só queria conversar com alguém que conhece bem a Blair, queria saber sua opinião sobre algumas coisas.
- Tem como a gente se encontrar na praia, já que estou saindo agora da faculdade.
- Seria ótimo.
- Conhece La Jolla Cove?
- Claro.
- Ótimo, nos encontramos lá.
- Valeu - ele fala e desliga.
- Quem era? - Jenny pergunta.
- Max, o namorado da Blair, ele quer conversar.
- Eu vou junto.
- Por qual motivo? - pergunto desesperado - Eu não quero tua presença lá.
- E com que carro você iria, o seu ainda esta no concerto.
- Existe ônibus.
- E você vai pegar ônibus? – ela pergunta debochada.
- Se é para a praga não ir junto, sim, eu vou!
Comecei a andar até o ponto de ônibus.
- Quero saber onde você vai arranjar um ônibus que te levar daqui até outra cidade e te deixa na praia - ela falou olhando as unhas.
Eu me virei para ela de mal humorado.
- Eu dirijo – falei.
- Até parece, o carro é meu - ela falou balançando a chave no ar.
Peguei rápido a chave e ela reclamou.
- É engraçado como você fica desesperada quando pegam a chave do seu carro, parece uma criança querendo o ursinho que caiu no valão - comecei a rir maleficamente para ela.
- Nojento, se você fizer algo com o meu carro eu VOU DAR NA SUA CARA - ela gritou apontando o dedo na minha cara.
- TÁ - gritei de volta, ela se virou e jogou aquele cabelo liso e loiro na minha cara - seu cabelo me AMA.
- Minha mão também.
- Onw, que cute - falei fazendo biquinho.
- ENTRA LOGO NA DROGA DO CARRO - Jenny gritou irritada.
- Já vou - falei com um risinho.
Entramos e seguimos para San Diego, se pegássemos a estrada agora às 13h chegaríamos lá às 17h e depois retornaríamos direto para o dormitório da faculdade.
- Max deu sorte da nossa faculdade não ser tão distante de San Diego - Jenny falou.
- Estava pensando nisso agora. E é minha faculdade, você sai esse ano. Nem sei por que se transferiu no final do ano.
- Você nunca entenderia - ela falou se virando para a janela, sua voz parecia fraca e chorosa.
- Ei - falei estacionando o carro perto de um posto de gasolina na estrada - Jenny o que aconteceu? - eu perguntei segurando seu rosto, ela estava com lágrimas nos olhos.
- Deixa, Caio - ela falou desviando o olhar.
- Eu pensei que além de primos nós éramos amigos, sabe que pode confiar em mim.
- Eu sei, mas ... - ela parou e respirou fundo.
- Jenny - chamei sua atenção.
- Tem um garoto que gosta de mim, um garoto da faculdade. Ele é da minha turma de eletrônica.
- Ok, qual o problema nisso?
- Eu gosto dele.
- Minha pergunta prevalece.
- Ele me pediu em namoro, mas um dia depois ele sofreu um acidente com a família, eles estavam saindo de viagem. - ela parou um pouco, colocou as pernas para cima do banco e respirou fundo - Ele estava no banco do carona, todos os familiares estão bem, mas parece que o outro carro que bateu neles, bateu no lado direito. O Will foi o que mais sofreu, quando ele acordou não se lembrava de quase nada, incluindo eu - ela me falou voltando a chorar.
- Jenny, como você pôde guardar isso pra você? – perguntei curioso e assustado com a luta que ela tem enfrentado.
- Só quem sabe são meus pais, eu não quero que ninguém saiba.
- Não vou contar pra ninguém - falei a abraçando - Mas por que fugiu? Você tem que fazer ele se lembrar de você!
- Ele começou a lembrar dos familiares agora, não vou me intrometer.
- Jenny - falei com raiva -, se ele te amava com toda certeza vai lembrar-se.
- Espero que sim - ela falou me abraçando forte - Agora vamos - ela falou me empurrando - Quero saber o que o Max vai falar com você!
- Até eu quero saber - disse voltando minha atenção para a estrada. Mas continuando preocupado com Jenny, como ela não me disse sobre esse tal de Will?
Depois de algum tempo, em silêncio, chegamos à praia. Consegui achar bem rápido Max, ele estava sentado no capô de seu carro, olhando para a praia, que cena de filme, que gay.
- Você não vai vir? - perguntei para Jenny que não se mexeu enquanto eu tirava o cinto
- Não, acho que vou telefonar para ele - ela disse olhando para seus pés.
- Will?
- Sim, quero conversar com ele, mesmo que ele não se lembre de mim.
- Boa sorte - falei e beijei sua testa antes de sair do carro - Fala aí, cara - disse para Max batendo em suas costas.
- Oi - ele disse e deu um pequeno sorriso.
- O que houve? - perguntei sentando no capô de seu carro.
- Hoje começou os convites para o baile - ele me falou encarando o horizonte - e o Carter meio que falou comigo, sobre isso.
- Não sabe como convidar a Blair - eu disse com um meio sorriso - A Blair é uma garota simples, mas que gosta de coisas inéditas na vida, coisas que ela vai se surpreender.
- Alguma ideia?
- Nenhuma, mas se ela gosta de você é por que você tem ideias loucas.
- Eu tenho algo em mente, mas não sei se ela vai gostar.
- É meio louco?
- Só um pouco.
- Ela vai adorar - falei rindo e ele me acompanhou.
- Já está sabendo que ela foi aceita em Oxford?
- Já, minha tia me contou - falei lembrando-me do telefonema que recebi da tia Jena no dia da festa em família.
- Eu pensei em pedir transferência para Oxford, mas lá não tem o curso que quero.
- Não faça isso, ela vai se sentir acabada por fazer você desistir de algo que te agrada.
- Eu sei, mas eu não quero me distanciar dela.
- Se vocês se amam mesmo vocês nunca iram se distanciar - falei me lembrando de Jenny, olhei para o carro e ela estava sorrindo falando ao telefone.
- Será?
- Você duvida do seu amor por ela? - falei me virando para ele.
- Não.
- Tem duvidas do amor dela por você?
- Não - ele disse dando um sorriso - Mas tenho medo do que pode acontecer nesse meio tempo.
- Medo é normal - eu disse me levantando -, se você não sentisse medo ficaria preocupado - disse rindo.
- Valeu, Caio - ele disse se levantando.
- Até mesmo quando não se tratar da minha prima, pode contar comigo - falei sorrindo -, você já é um membro da família, e vai ser tratado como tal.
- Obrigado.
- Então, até - eu disse e comecei a caminhar em direção ao meu carro.
- Tchau - ele falou e entrou no carro.
- A propósito - disse me virando -, qual é a ideia louca?
- Digamos que vou dar um de príncipe encantado da Rapunzel.
- Boa! - disse rindo – Mas, juízo - falei sério.
- Relaxa - ele disse rindo.
Entrei no carro e vi Jenny desligando a ligação.
- Como está? - perguntei dando partida no carro.
- Digamos que ele não se lembra de mim e nem de nenhum amigo da faculdade, mas ele falou que minha voz é bem familiar e ele também falou uma coisa que ele me dizia todos os dias.
- O que? - perguntei curioso.
- Que minha voz tem harmonia.
- Fique feliz, ele deve te amar muito, por que tua voz parece de uma taquara rachada.
Ela começou a me bater.
- Dá vontade de morrer quando você canta! – continuei.
- RETARDADO - ela gritou enquanto me batia
- CHEGA, EU TENHO QUE DIRIGIR – gritei entre risos.
Ela foi parando de me bater.
- Obrigada.
- Saiba que eu te amo, sua pequena retardada - falei bagunçando seu cabelo.
- Você é mais novo que eu.
- Só que mais alto – caçoei.



- Jake Bloom
                                                                                                                  
- O que houve? - Sofia me perguntou.
- Nada - falei com um sorriso.
Já fazia quase um mês que eu falava normalmente com minha irmã. E isso era ótimo, eu estava sendo eu mesmo.
Era diferente mostrar quem eu era sem se preocupar com quem estava me olhando.
No momento em que parei de andar com algumas das pessoas da escola, os próprios professores começaram a me olhar diferente, como se agora esperassem algo de mim.
Molly foi a primeira pessoa que parou de se comunicar comigo, coisa que não senti falta.
Eu gostei de mudar, de me importar mais com pessoas que se importam comigo. Como meus pais, a Sofia e a ...Diana.
- Tem certeza? - Sofia me perguntou enquanto eu lhe entregava o prato para ela secar. Estávamos lavando a louça do jantar.
- Diana – terminei pronunciando.
- Sabia - ela falou alegre e eu ri - Eu fiquei sabendo de um certo beijo e eu...
- Como você soube? - eu perguntei a interrompendo.
- Noite das meninas - ela disse entre risos e se sentando no balcão da cozinha, eu me encostei perto dela.
- Aquela na casa da Blair? – perguntei me recordando do dia que ela dormiu fora.
- Isso mesmo - ela concordou balançando as pernas me fazendo lembrar a época em que a levava para a praça próxima da nossa casa, para ela se balançar no balanço.
- Ela estava lá?
- Sim - ela disse rindo eu a olhei - Jake, você sabe que eu te amo e sempre quis seu bem, mesmo as vezes você me trazendo tristezas. Mas eu quero que você seja feliz, fala logo com a Diana, antes que seja tarde.
Ela desceu do balcão e eu a abracei forte
- Desculpa, por não ter sido uma boa pessoa para você - falei com a cabeça enterrada em meio a seus cabelos.
- Tá tudo bem - ela falou acariciando minha cabeça -, o que importa é que você está comigo agora e sei que me apoia.
- Nunca mais serei aquele garoto - falei encostando minha testa na dela.
- Eu sei - ela sorriu - Agora vai logo lá - ela mandou.
- Lá aonde?
- Na pizzaria, a Diana deve estar lá - ela começou a me empurrar para a porta -, pede logo ela em namoro.
- Quê? - forcei meus pes no lugar a fazendo bater de frente para as minhas costas - Eu nem a conheço direito, por que a pediria em namoro?
- Por que você gosta dela, que coisa!
- Mas Sofia...
- Mas nada, você vai lá - ela pegou meus tênis que estavam na porta -, agora! - abriu a porta me jogou pra fora e jogou o par de tênis em cima de mim.
- Ótimo, jogado pra fora da minha própria casa - coloquei o tênis e me virei pra garagem - PODE PELO MENOS ME DAR A CHAVE DO CARRO? - gritei para Sofia.
A porta da garagem se abriu, entrei e meu carro estava ligado com a chave dentro.
- VALEU - gritei de volta.
Entrei no carro e dirigi até a pizzaria, cheguei em pouco tempo.
Sai do carro e quando iria entrar na pizzaria eu travei, por que eu estava fazendo isso?
Ok, ela era uma ótima amiga, mas desde que eu a beijei ela tem me evitado. Talvez ela não me veja além de um amigo, eu a vejo como minha, não minha amiga, mas como minha companheira, namorada, apenas minha.
Eu dei um passo para trás, o melhor que eu poderia fazer era ir para minha casa.
- Te vejo em casa – Diana saiu da pizzaria e se virou para mim e levou um susto – Jake?
- Oi – falei colocando as mãos nos bolsos da minha calça – Tudo bem?
- Tudo sim...o que você faz aqui? – ela perguntou ajeitando sua bolsa no ombro.
- Eu vim aqui para te ver – falei a encarando.
- Ah – ela deixou escapar e desviou o olhar – Então, você me viu, tchau – ela se desviou e começou a andar bem rápido.
- Ei, calma aí – falei segurando seu braço, ela se virou para mim.
- Eu estou meio que ...passando mal, quero descansar.
- Diana, eu já entendi que você não quer nada comigo – soltei seu braço –, já está bem evidente isso.
- Jake...eu – ela suspirou – quero muito algo com você – depois que ela disse isso eu me assustei – Só que eu sou toda nervosa com isso – ela disse chacoalhando as mãos e olhando para o chão – eu não sei como...
Eu a puxei e a beijei novamente, foi diferente da festa de Halloween, Diana parecia estar mais tensa dessa vez. Passei um dos meus braços pela sua cintura e minha outra mão coloquei em sua nuca.
- Pode confiar, eu quero você pra mim – sussurrei.
- E eu quero você pra mim – ela sussurrou de volta.
Eu sorri e voltei a beija-la, o gosto dela era bom, era único para mim. Eu nunca tinha sentido nada igual, nunca tinha conhecido uma pessoa que mudasse meu modo ser e de pensar. Ela me fez pensar no que eu poderia ser, e se propôs a me ajudar.
- Querida, você esqueceu o WOW – ouvimos a voz do pai de Diana.
- Oi, pai – ela falou se separando de mim.
- Oi - ele disse apertando os olhos.
- Oi, senhor Marchol – eu disse me virando para ele. 
- Olá – ele disse cruzando os braços – Já percebi que não veio pedir pizza, hoje.
- Que piadão, pai – Diana sussurrou.
- Na verdade não – falei com um sorrisinho – Vim pedir sua filha em namoro.
- Antes tarde do que nunca – ele falou rindo e vindo em minha direção, bateu forte no meu ombro, perdi o equilíbrio por alguns segundos –, magoe ela e acabo com você.
Depois entregou o celular para Diana e voltou para a pizzaria.
- Nossa – eu falei e ri.
- Me magoa e eu mesma acabo com você – Diana disse rindo.

- Se eu te magoar eu mesmo acabo comigo.

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