domingo, 31 de janeiro de 2016

Capítulo 31 - Strike

Capítulo 31
Strike
- Blair Montello

- Ok, meus pés estão gritando - Sofia falou rindo.
- Vamos descansar um pouco - Carter propôs -, até eu estou cansado.
- Vamos – concordei.
Chegamos à mesa e desabamos, Sofia e Dan pegaram as cadeiras de outras mesas e desabaram junto conosco.
- Estou morta de fome, cadê a comida dessa bagaça? - Diana perguntou e logo chegou um garçom e serviu três pratos de salgados.
- Você sabe que vai precisar passar mais vezes por aqui, né?! - Stella perguntou para o garçom - Para alimentar essa gente vai precisar de mais do que três pratos de salgado!
- Marque cinco minutos e depois volta - falei séria.
O garçom se foi meio confuso.
- Acho que ele não está acostumado com adolescentes que preferem a comida a dançar - falei rindo e atacando os salgados.
- Bem provável - Jake concordou - Não sei no que deu na Luce, ela nem arrumou bebidas alcoólicas.
- É o amor - Amélia falou rindo.
- Como assim? - Jake perguntou confuso.
- Olhe e você entenderá - Stella falou apontando para a pista de dança.
Vimos então Ben e Luce se beijando, eles estavam tão concentrados um no outro que nem perceberam todos os olhares voltados para eles.
- Uau, eu nunca imaginei isso - Jake disse surpreso.

- Por quê? - Diana perguntou após acabar com um pratinho de salgados.
- Luce é o tipo de garota que não acredita na felicidade permanente, bem, eu também não acreditava nisso - ela falou olhando para Diana que sorriu em resposta - e o Ben gosta de ser correto em tudo.
- As pessoas mudam - afirmou Diana se aproximando mais dele.
- Mudam sim - ele concordou rindo.
- Eu não vou ficar vendo vocês dois se amando, mas também não vou levantar. Então... – Stella esclareceu.
- Ok, já paramos - Diana disse rindo.
- Que bom - falei sorrindo.
Mas um garçom passou distribuindo refrigerantes só que em taças.
- Como tudo muda apenas com o modo de servir as coisas, né?! - falei observando a taça em minha mão.
- Como assim? - Sofia perguntou.
- Por exemplo, se fossem servir esse mesmo refrigerante em copos descartáveis chamariam a festa de pobre e todos iriam embora, mas já que esse refrigerante está em uma taça à festa é chique.
- Na minha próxima festa o refrigerante será servido em copos descartáveis - Stella falou sorrindo sombriamente - Aí todos vão embora.
- Espero que funcione - David disse e eu dei uma gargalhada.
- E a decoração da mesa também - acrescentou Amélia -, se você coloca apenas uma toalha e usa apenas uma cor na decoração, as pessoas já sabem que você não contratou um decorador para sua festa.
- Continue - Stella disse pegando o celular e anotando em suas notas.
- Você é louca, Stella - Max disse entre risos.
- Louca não - David contrariou -, e sim inteligente - ele disse dando um beijo no topo da cabeça de Stella.
- Obrigada - ela agradeceu sorrindo.
Escutamos alguns gritos de alegria vindo da pista de dança.
- O que deve estar acontecendo? - Dan perguntou.
- Sei lá, mas tô indo pra lá mesmo - Amélia disse puxando Carter que a abraçou de lado e foi junto.
- Vamos também - Max falou e me puxou.
- Como? - falei desesperada.
- Você não achou que nosso plano de diversão envolvia ficar sentados a festa toda, certo? - perguntou já me arrastando para a pista.
- Sim, eu imaginei sim - balancei a cabeça histericamente.
- Qual é, Blair? - ele disse me puxando para seu peito - Eu quero curtir, gosto de conversar, mas também quero dançar - ele sussurrou em meu ouvido - com você - disse depois de beijar meu pescoço.
- Você...- pausei tentando achar as palavras certas – malandro!
- Imagina - ele disse com seu sorriso colado em meu pescoço.
- Pare de sorrir - falei me afastando o fazendo sorrir mais ainda.
- Vem - ele disse voltando a me puxar.
Fomos para o centro da pista, estava tocando uma musica lenta, ele colocou meus braços em seu pescoço e deslizou as mãos ate encontrarem meus quadris. Eu coloquei minha cabeça em seu peito e fechei meus olhos apenas me concentrando em não pisar em seus pés.
- Viu, não é tão ruim assim - ele murmurou.
- Não quando estou com você - falei levantando minha cabeça o encarando, ele sorriu e me beijou.
Nossos lábios se encaixaram como todas as outras vezes, mas a cada beijo que nós dávamos eles pareciam se encaixar com mais facilidade e harmonia. Eu não sei como explicar isso direito, porém sabia que o beijo e o abraço que ele me envolvia eram corretos.
- Obrigado – ele agradeceu com a voz rouca.
- Por? - perguntei ainda de olhos fechados.
- Por ser você, por ser perfeita, por existir - ele disse, eu abri os olhos espantada com todas aquelas palavras que foram direcionadas somem a mim.
- Você exagera nas palavras, sabia?!
- Só apenas falo o que sinto - ele falou encostando sua testa na minha.
- Max...eu...
- Você não precisa tentar demonstrar o mesmo amor com as palavras Blair - ele disse sorrindo - Eu já fico feliz em você estar comigo, em me namorar em...
- Te amar - falei o interrompendo - Eu te amo - falei puxando seu pescoço para baixo e o beijando.
- Gente, eu gostaria muito da atenção de vocês, por favor - Ouvimos alguém anunciando ao microfone.
Viramo-nos e vimos Luce no pequeno palco improvisado.
- Eu sei que nem sou a oradora do ano e também estamos em um baile e não na formatura oficial, mas eu queria agradecer a todos por terem ajudado e estado aqui, obrigada por participarem da minha vida. Obrigada e tenham uma noite inesquecível. - ela disse e a música recomeçou.
Eu nem tinha reparado que a musica havia parado. Mas dessa vez o DJ anunciou.
- Quem aqui não gosta dos anos 70? - ele falou e se iniciou uma música agitada mais com o ritmo dos anos 70, a voz grossa em um fundo agitado.
- Vem - Max me puxou para perto dele e eu não me controlei em me soltar e dançar, música dos anos 70 eram minhas favoritas. Eu amava dança-las com meu pai antes dos jantares na Ação de graças e no Natal, era meio que nosso ritual. Mas com o Max foi diferente, mas do mesmo jeito divertido e emocionante. Ele me rodava como se tivéssemos ensaiado a vida inteira. Talvez tivéssemos mesmo ensaiado, só não sabíamos que era para esse momento.
No instante em que a música acabou e ele me rodou e depois me puxou de frente para ele, eu me segurei em seu peito e ele me segurou forte pela cintura.
- Quero lhe mostrar uma coisa que descobri - ele falo parecendo ofegante.
- Ok - respondi reparando que também estava ofegante, talvez fosse o calor percorrendo meu corpo.
Ele segurou uma de minhas mãos e me encaminhou até fora da quadra/salão da festa.
- Vamos ir embora? - perguntei quando já estávamos indo em direção ao seu carro.
- Talvez voltemos, talvez - ele afirmou sorrindo.
- Medo desse sorrisinho - falei me apoiando no teto do carro antes de entrar.
- Por algum acaso - ele falou se apoiando no teto do carro também - já lhe dei algum motivo para sentir medo de mim?
- Na verdade não! - afirmei sorrindo - Apenas confusão.
- Confusão?
- Sim, você me confunde constantemente.
- Em que sentido?
- Em todos - falei encerrando o assunto e entrando no carro. Ouvi-o rir ainda do lado de fora do carro, ele entrou e me deu um beijo na bochecha, eu apenas sorri e ele começou a dirigir.
Eu logo reconheci o caminho, ele estava indo para La Jolla Cove.
- Você esta me levando para a praia?
- Sim, senhorita - ele concordou feliz por eu ter reconhecido o local.
- Posso saber para quê?
- Lembra os vagalumes que vimos na caverna?!
- Claro que lembro - falei tocando de leve o meu colar, ele me olhou de relance e sorriu ao ver meu pequeno movimento.
- Eles fazem uma coisa linda à noite, eu queria te mostrar.
- Eu vou adorar – falei empolgada.
Ele continuou a dirigir até chegar ao estacionamento perto da praia, eu tirei o salto e os deixei dentro do carro, levantei um pouco meu vestido, antes de sair do carro vi Max mexendo no celular e me lembrei que tinha esquecido meu celular na bolsa, em cima da mesa onde Stella estava. Eu sai do carro e antes de conseguir por os pés no chão Max me surpreendeu aparecendo ao meu lado e me pegando no colo.
- Não queremos que seu vestido suje – ele explicou me ajeitando em seus braços.
- Eu posso andar sozinha – falei envergonhada.
- Eu sei perfeitamente disso - ele falou com um sorrisinho de canto.
Ele me levou até a areia e se sentou me colocando delicadamente em seu colo.
- No dia em que estava voltado da praia à noite eu percebi o quando esse lugar fica lindo a luz das estrelas e com os vagalumes passeando por aí. E eu queria compartilhar com você.
- Isso tudo é lindo mesmo - falei sorrindo enquanto admirava o céu estrelado e os vagalumes que voavam iluminando o horizonte.
- Mas tem uma coisa que fizemos nessa praia que eu amei só que agora quero fazer sendo seu namorado.
- E o que seria? - perguntei preocupada, havia tantas coisas que tínhamos feito naquela praia.
Ele se levantou num pulo me levando junto.
- Mergulhar! -ele respondeu sorrindo brincalhão.
- Mergulhar?! - falei desesperada e me agarrando a seu pescoço, me encolhendo toda em seu colo - Max, eu estou maquiada e com um vestido muito caro.
Ele parou tirando os sapatos despreocupadamente.
- É alugado?
- Não, mas...
- Então vamos mergulhar – ele respondeu me cortando.
Eu não sei como, mas ele me segurou em um braço só para tirar o smoking, aproveitei o momento para tentar escapar, mas ele me jogou para seu outro braço e tirou completamente seu smoking.
- Max, por favor, a gente pode fazer isso outra hora - falei manhosa -, eu fiquei o dia inteiro no salão me arrumando.
Ele apenas sorriu e correu para o mar e se jogou. A água estava morna, mas mesmo assim eu senti o choque da água em minha pele.
- Eu vou te matar - falei me levantando e me desprendendo de seus braços.
Ele apenas ria enquanto eu me jogava em cima dele e dava tapas em seus ombros.
Ainda na água eu escutei carros estacionando, estávamos muito longe da borda da água para eu identificar os carros, mas identifiquei um maluco correndo com uma garota com vestido turquesa no ombro esperneando. Com certeza era o Carter e Amélia, ele se jogou ao mar com a doida em seu ombro.
Escutei-o batendo contra a água e os gritos que sem dúvidas eram de Amélia.
E logo depois escutei mais um grito, só que esse parecia ser de alegria. Procurei da onde vinha e era Dan com Sofia no ombro se jogando na água.
- Você os convenceu a fazerem isso? - perguntei o reprovando.
- É divertido - ele disse me dando um beijo rápido. Eu comecei a bater nele novamente.
- Seu idiota - falei enquanto batia nele.
Ele segurou meus pulsos e me puxou, eu nesse momento, só queria ser capaz de lutar contra o desejo de querer Max ali comigo.
Eu vi um flashe vindo da beira da praia. Separei-me de Max e vi Diana ao lado de Jake com uma câmera.
- Momento registrado - ela disse rindo.
- Obrigado - Max falou sorrindo e me abraçando - Agora você pode entrar também.
- Oh não, Jake não faria is...
Diana foi interrompida por Jake que retirava a câmera de suas mãos, e já sem smolking ele pegou Diana no colo e se jogou no mar.
- BLAIR - escutei alguém gritando, era Stella - TEM TOALHA PRA VOCÊ DENTRO DO CARRO DO DAVID.
Ao contrário de nós, as garotas ensopadas, Stella estava sentada na areia ao lado de David. Ela estava intocável.
- Por que você não está molhada? - perguntei enquanto saia da água, antes que eu saísse totalmente Max me pegou no colo. - Eu sei andar - falei me virando para ele.
- Vai se sujar toda se pisar molhada na areia e eu adoro te carregar - ele falou beijando minha bochecha.
- Respondendo sua pergunta - Stella falou com um sorrisinho de canto - David não consegue me esconder quase nada. Assim eu pude preparar o carro, está lotado de toalhas.
- Então você não vai joga-la no mar? - Max perguntou.
- Vou - David respondeu e Stella se virou para ele assustada.
- Perdeu o amor a vida? - ela perguntou irritada.
- Por acaso você vai me matar?! - David perguntou rindo enquanto tirava seu smoking.
- David, você não ficou louco - ele a pegou no ombro como no dia em que viemos à praia - DAVID, ME SOLTA AGORA!
Ele correu e se jogou na água.
- Vocês são loucos - falei no ouvido de Max, me encolhendo toda em seus braços.
- Está com frio? - ele me perguntou se encaminhando para o carro de David.
- Estou - respondi me aninhando mais ainda em seu colo.
- Mas foi divertido - ele falou rindo.
- O pior é admitir que foi - falei e ele riu.
Ele me deixou no chão do estacionamento ao lado do carro de David
A janela de trás do carro estava aberta e com uma montoeira de toalhas, peguei uma pra mim e dei outra para Max.
Seguei meu cabelo e meus braços enquanto Max tirou a blusa e se secou.
- Não precisa ficar fazendo striptss - falei tentando revirar os olhos.
Ele me encarou rindo.
Arrastou seu rosto pelo meu até chegar ao meu ouvido
- Você não precisa olhar - ele sussurrou e beijou o começo de meu maxilar. Eu sorri de lado.
- E você não precisa me lembrar disso - sussurrei rindo.
- Pega seu celular - ele me disse enquanto exprimia sua blusa -, está no carro de David.
- Ah sim, quando formos embora eu pego.
- Mas nós vamos embora - ele disse como se fosse óbvio.
- Mas acabamos de chegar - falei me enrolando na toalha.
- E já vamos embora, mas dessa vez vamos ficar sozinhos - ele disse com um sorriso malicioso.
- Ok - falei e fomos em direção ao seu carro - Você já pode colocar a blusa - disse entrando no carro.
- Eu sei também que você me prefere assim.
- Como? - falei ficando totalmente vermelha - Seu ridículo!
Ele começou a gargalhar e sair do estacionamento com o carro.
- Vamos para o porto.
- O que vamos fazer no porto?
- Ver o nascer do sol.
- Max, ainda é uma hora da manhã, o que vamos fazer ate lá?
- Sei lá, vamos curti um pouco.
- Você sabe que é totalmente maluco, né?!
- Não sabia disso, pensei que eu fosse bem sensato.
- Quem disse isso estava mentindo.
Ele riu enquanto estacionava o carro na entrada do boliche.
- Vamos jogar boliche? Mas está fechado!
- Estava fechado - ele disse balançando a chave na minha frente.
- Como...? – perguntei quase sem fala.
- Pedi para o pai de um amigo.
- De quem?
- Deixa de ser curiosa - ele falou saindo do carro e eu o segui. - Apenas se divirta.
Entramos e ele começou a ligar as luzes. Eu me sentei em um dos bancos de frente para uma das pistas, ele me trouxe os sapatos, eu os coloquei e olhei para mim mesma.
- Que ser humano no mundo joga boliche com vestido se galã?
- Você, minha querida - falou me arrancando um beijo – Vamos?
- Que noite louca - falei entre risos.
Ele foi primeiro que eu. Fez um strike de primeira. Eu fui logo depois acertando apenas quatro pinos.
- Que ruim - ele falou cruzando os braços.
- Idiota - falei revirando os olhos.

- Claro - ele disse me puxando pela cintura - Você foi ótima. 

0 comentários:

Postar um comentário