terça-feira, 12 de abril de 2016

Capítulo bônus - Minha felicidade

Capítulo Bônus
Minha felicidade
- Clarissa Jerson


- Bom dia - eu abri a porta e vi um James aguardando na porta. Ele não estava todo arrumado como ontem, mas mesmo assim estava lindo, impecável.
- Oi - falei quase que em um sussurro, por que minha voz não saia? Parecia que eu havia travado, por que eu estava travada?
- Oi, Clarissa - Tyler falou atrás de James.
- Oi - falei normalmente, por que com ele eu consegui falar?
- Cadê a Dap? - ele me perguntou.
- Já deve estar vin...
- Se você me chamar de Dap mais uma única vez eu desisto do namoro - Daphne falou descendo a escada. Como sempre entrando em cena com estilo e com uma fala marcante que faziam todos a olharem. Eu só consegui revirar os olhos e rir.
Enquanto eu vestia um short e uma camiseta branca comprida, Daphne usava uma calça jeans preta com uma blusa totalmente estampada com uma única palavra em vários idiomas, música.
Isso era uma coisa que eu não entendi nela, ela amava música, adorava passar a tarde inteira ouvindo o tio David tocar violino, já eu preferia aprender história com a minha mãe ou estudar biologia.
Parei para pensar em como eu chamei o pai do meu futuro namorado oficial, eu o chamo de tio. Como vou chama-lo daqui para frente?
- No que você está pensando? - James me perguntou.
- Como eu vou chamar o tio David agora? É estranho isso - falei deixando minha cabeça cair para o lado.
- Como eu vou chamar a tia Blair? - Tyler perguntou confuso.
- De tia Blair - minha mãe apareceu no corredor respondendo nossas duvidas.
Minha mãe estava com um vestido com desenhos abstratos, quem havia feito aquela pintura tinha sido meu tio Dan e minha tia Amélia havia passado para um vestido que foi feito sob medida para minha mãe.
- Como vocês estão? -minha mãe perguntou para os garotos que sorriram.
- Estamos muito bem, tia Blair - James respondeu sorridente.
- Bom dia - escutei a voz sonora de meu pai descendo a escada -, podem entrar - ele falou.
Os meninos obedeceram entrando e seguindo meus pais para a cozinha, antes de eu segui-los Daphne segurou meu braço.
- Eu tô perdida - ela sussurrou para mim.
- Por quê? - perguntei sussurrando também.

- O Tyler não funciona bem sobre pressão e o papai adora colocar pressão quando se fala da gente.
- Você tá ferrada - a encarei concordando com sua linha de raciocínio.
- É hoje que eu não consigo namorado - ela disse desapontada.
- Talvez ele tenha treinado para consegui falar com o papai - a tranquilizei.
- É - ela mordeu a ponta da unha - talvez - repetiu e seguiu em frente sem mim.
- Me espera - a chamei indo atrás dela para a sala de jantar.
Minha mãe terminava de colocar a torta de cocô na mesa quando eu alcancei Daphne, Tyler e James já estavam sentados a mesa.
Eu me sentei ao lado de James e Daphne ao lado se Tyler. Meu pai ficou na cabeceira da mesa e minha mãe ao seu lado direito enquanto nós ficamos do lado esquerdo.
Uma das minhas mãos estava esticada em minha perna, de repente senti algo quente e confortável fazer círculos nas costas da minha mão, olhei para James e ele deu um pequeno sorriso.
Ele havia achado minha mão e estava desenhando círculos nas costas dela.
Eu me lembrei de uma vez que minha mãe me contou que meu pai sempre achava as mãos dela, não importava o quão perdida ela estivesse, ele sempre achava suas mãos para puxa-la de volta para si.
Eu sempre quis ter uma história de amor como a que os meus pais vivem até hoje e quando James fez esse simples gesto me deixou ter mais uma esperança de que eu estava certa quando confessei meu amor por ele na noite passada.
- Então - meu pai falou me acordando dos meus sonhos -, o que vocês desejam aqui? - ele perguntou severamente e depois fez uma careta para minha mãe. Eu jurava que ela tinha chutado a canela do meu pai, apenas pela careta que ele fazia, lancei um olhar para Daphne e ela pensava a mesma coisa, minha mãe realmente havia chutado a canela do meu pai.
Era fácil ler as expressões de Daphne, mesmo sendo minha irmã gêmea ela tinha expressões muito diferentes das minhas, mas mesmo assim eu conseguia identificar tudo que se passava na sua cabecinha apenas com um simples olhar, assim como ela também identificava as minhas.
Esse era o ruim, eu não gostava que ninguém me conhecesse tão bem assim, eu preferia passar por tudo sozinha, mas ninguém deixava e eu terminava sendo ajudada em tudo. E essa era uma qualidade que eu era apaixonada em James, quando eu dizia que conseguia e queria fazer sozinha ele não tentava me ajudar mesmo assim, ele apenas me dava apoio moral e me deixava seguir em frente.
Eu olhei para a minha mão direita e James ainda desenhava círculos nelas, e virei minha mão e segurei a mão de James.
- Viemos pedir a sua permissão para namorar as meninas, Sr. Jerson - Tyler iniciou a conversa.
Vi a cara de surpresa de Daphne ao ver que Tyler não tinha travado ou nada parecido, ele que havia iniciado a conversa. Daphne deu sorriso discreto.
- Então James está aqui pela Clarissa e Tyler pela Daphne? - minha mãe perguntou - Que interessante - ela disse rindo.
- Hm - meu pai deixou escapar e logo fez mais uma careta, mais um chute na canela!
- Você está fazendo faculdade de que, James? - meu pai perguntou, vi minha mãe reprimir um sorriso.
- De engenharia mecânica - James respondeu com orgulho.
- E você, Tyler, o que quer fazer na faculdade? - meu pai agora se dirigia para o garoto ao lado da minha irmã.
- Er...medicina - ele disse parecendo envergonhado. Todos nós o encaramos, sempre quando perguntávamos o que ele gostaria de fazer na faculdade ele dizia "A vida é bela, isso que importa" e agora ele respondia por uma profissão que era muito importante para o mundo?
- Que maneiro - Daphne disse com um sorriso gentil para Tyler.
- Muito interessante - meu pai disse antes de levar sua xícara de café à boca.
- Isso é bem legal, Tyler - minha mãe falou feliz.
- Obrigado - Tyler disse.
Ficamos todos em silêncio, eu peguei um pedaço da torta e comecei a comer devagar, sem nunca tirar a outra mão da de James.
Todos começaram a comer também e o silêncio era completo.
- Bem - meu pai se pronunciou, todos pararam e se voltaram para meu pai, exceto minha mãe -, não a motivos para eu não deixar que vocês namorem.
Todos nós sorrimos e James segurou minha mão com mais força, agora entrelaçando nossos dedos.
- Mas se vocês machucarem minhas filhas, de qualquer modo possível, eu acabo com vocês - meu pai disse de uma forma natural e se retirou da sala de jantar.
- É melhor vocês irem agora, meninos - minha mãe disse se levantando e recolhendo os pratos - Antes que ele mude de ideia.
Quando ela citou a simples mudança de ideia os meninos se levantaram e foram tão rápido em direção a porta que eu nem percebi.
- Uau - Daphne disse surpresa.
- Hoje é aniversário da sua avó Sarah - minha mãe lembrou - Não se esqueçam que hoje a noite vai ter uma festa na casa dela.
- Não se preocupe, mãe - a tranquilizei - Já embrulhamos os presentes.
Minha mãe sorriu e se retirou da sala de jantar.
- Embrulhamos? - Daphne perguntou e eu me virei para ela chocada - Sabe que eu sou péssima com datas, eu só lembro a minha por que você me lembra.
- Eu te avisei a semana inteira.
- E eu tentei me lembrar toda vez que você terminava de me avisar.
- Daphne, comece a colocar lembrete no seu celular.
- Eu esqueço - ela falou quase chorando - Ok, eu vou agora comprar aquele cd que ela está querendo.
- Eu já comprei e a mamãe comprou a bolsa que ela queria.
- Qual é a de vocês, estão querendo me ferrar?
- Sobrou a sapatilha - eu avisei.
- Isso, valeu - ela me abraçando forte.
- De nada - falei rindo - E é sério que você esquece seu aniversário?
- Sério - ela afirmou - Tyler, partiu shopping - ela gritou para Tyler e saiu com ele, provavelmente iriam no carro dela.
- Me deixe adivinhar - James começou quando eu me aproximei dele - ela esqueceu novamente o aniversário da Dona Sarah?!
- Sim - concordei com um sorriso - Como sabia?
- Ano passado ela esqueceu o próprio aniversário.
- Sério?!
- Sim, ela só lembrou quando eu dei os parabéns por mensagem para ela.
- Nossa, que cabeça de vento - falei ainda tentando acreditar no fato marcante da vida de minha irmã.
- O que você quer fazer? - ele me perguntou oferecendo seu braço.
- Vai ser com você? - perguntei logo me arrependendo de ter feito a pergunta. Eu com toda certeza virei uma vareta vermelha. E uma bem tosca, vareta vermelha com pérolas azuis, que tosco.
- Você gostaria? - ele perguntou se aproximando e eu consegui apenas assentir de leve, quase que imperceptível - Se você quiser eu passo a vida toda com você - ele sussurrou ao meu ouvido.
Agora eu virei 'a' vara vermelha, transformação maravilhosa de uma vara para 'a' vara. Acho que sou muito especial, o universo gosta de me pregar peças.
- Eu... - encarei James que estava bem a minha frente, ele me olhava com aquela leveza maravilhosa, uma incrível tranquilidade. -...adoraria ir em algum lugar com você.
É um milagre do fim de semana, eu consegui falar tudo e sem gaguejar.
- Então vocês podem ter demonstração de amor fora daqui, por favor - meu pai pediu quase chorando enquanto subia os degraus indo para o andar de cima.
- Foi mal - eu disse para ele enquanto ele terminava de subir a escada e minha mãe depois apareceu e subi junto dele.
- Vamos para o boliche? - James me perguntou.
- Claro! - concordei.

 (...)

- Parabéns vovó - eu e Daphne falamos quando a vovó Sarah abriu a porta.
- Obrigada meninas - minha avó agradeceu com um sorriso enorme.
Meus pais, meus avos maternos e meus tios já estavam na festa, eu cheguei junto de Daphne, Tyler e James.
- Oi, Ty - Kate o cumprimentou ao nos ver chegando - Quero ter um papo contigo - ela o puxou para algum canto e desapareceu.
- Meu namorado foi roubado - Daphne acusou para Scott.
- É a vida.
- Boa noite - tia Stella nos cumprimentou.
- Boa noite, tia - Daphne cumprimentou.
- Então vocês roubaram meus meninos - ela cruzou os braços.
- Só um pouco - Daphne deu de ombros e eu ri.
Tia Stella riu e voltou a se juntar com meus pais e meus tios.
- Olha quem está aqui - Kate voltou junto com Tyler, mas dessa vez Kate carregava sua prima no colo, Emma.
- Oi, minha linda - James falou para Emma que se esforçou para se jogar em seu colo.
- Cuidado Emma, agora você tem concorrência - Scott avisou rindo.
- Não se preocupa, Scott, você também tem concorrência - falei apontando para John que estava roubando a atenção de Kate
- Você está perdendo para um menino de sete anos - Tyler riu da cara de Scott.
- Olha - minha avó Jane chegou e me abraçou de lado - Como vão minhas crianças?
- Estamos ótimos - confirmei sorrindo.
- Estou sabendo que estão namorando? - minha avó piscou para mim e depois começou a gargalhar.
- Para com isso, querida - meu avô Joy repreendeu minha avó - Sabe que ela é toda envergonhada, mas fácil ir rir da Daphne, ela irá rir junto contigo.
- Pura verdade - falei com um sorriso.
- Ok - minha avó concordou - Daphne, querida, vamos rir um pouco - minha avó disse se afastando de mim.
- Obrigada, vovô - agradeci com um sorriso.
- Não se preocupe - ele disse rindo - Você me lembra muito a sua mãe, na verdade acho que é até mais envergonhada que ela - ele parou para pensar - E sua irmã é bem mais ativa, mais até que o seu pai.
- Nossa! - eu comecei a rir.
- Sim, Daphne é bem mais ativa que Max era na idade de vocês - vovó Sarah disse chegando ao nosso lado.

 (...)

- Sabia que você estava aqui - falei para minha irmã enquanto eu subia no telhado para me juntar a ela.
A festa tinha rendido bastante, minha avó adorou os presentes, principalmente o de Daphne. Logo fomos para casa, meus pais dormiram de cansaço e enquanto eu estava tomando banho minha irmã sumiu.
- Eu gosto de ficar aqui - Daphne me disse - Gosto de pensar.
- Eu sei, mas fico imaginando - ela se virou para mim - em que você dica pensando, você é a maior cabeça de vento do mundo - falei rindo e ela me deu um empurrão.
- Cala a boca - ela me repreendeu rindo - Eu estava pensando na gente.
- Como assim? - perguntei confusa enquanto enrolava meus braços em minhas pernas.
- A gente cresceu rápido - ela falou com um sorriso -, às vezes eu gostaria de parar o tempo e curtir mais.
- A gente curti, só que o tempo tem que passar.
- Você é tão racional - ela disse rindo.
- Alguém tem que ser nessa família - falei gargalhando
- Eu quero curtir o máximo que puder - ela exclamou ficando em pé no telhado, eu ri.
- Você vai. Você é livre.
- Você me promete uma coisa? - ela perguntou e eu assenti - A gente vai continuar sendo melhores amigas, para sempre.
- Você realmente acha que isso um dia iria mudar? - eu perguntei com as sobrancelhas erguidas.
- Eu te amo.
- Eu também te amo maninha- falei a abraçando.

E eu vi que não importa as diferenças eu amo a minha irmã, amo essa família louca e até que eu posso sobreviver com o meu modo de ser, afinal cada um tem seu modo de ser. E as pessoas me aceitam assim, eu amo ser eu mesma e amo essa vida que eu levo. Doideira parar para pensar essas coisas em uma noite de sábado, mas a vida é assim, doida, e se ela não for não é uma vida com sorrisos e muita felicidade.

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